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Zilda Arns

Uma grande celebração, dia 10 de janeiro de 2015, em Curitiba, marcou o quinto aniversário de falecimento da médica sanitarista e fundadora, há mais de trinta anos, da Pastoral da Criança, Dra. Zilda Arns Neumann, vítima, no Haiti, do terremoto que atingiu aquele país, matando cerca de cem mil pessoas. Ela lá estava para fundar a Pastoral da Criança, que vem ajudando, no Brasil e em outros vinte países, a reduzir a mortalidade infantil.

A celebração de Curitiba contou com a presença de quarenta mil pessoas das diversas regiões do Brasil. Eram agentes da pastoral, líderes, educadores, autoridades da Igreja e do mundo político. A Arquidiocese de Curitiba recebeu um dossiê com milhares de assinaturas, com vistas à abertura do processo de beatificação de Dra. Zilda, considerando a grandeza de sua pessoa, o valor do seu trabalho e o bem que realizou em defesa das crianças e dos pobres.

Exemplo de mulher, esposa, mãe, cristã e profissional, Dra. Zilda fundou também, com a CNBB, a Pastoral da Pessoa Idosa. Voz suave e permanente sorriso revelavam sua inteligência, determinação, capacidade de organizar e articular. De modo respeitoso, argumentava, persuadia e convencia.

Soube transformar sonho e utopia em caridade operativa e eficaz. Unindo profissionalismo, tino empreendedor e idealismo, conseguia fazer muito com pouco recurso. Utilizando a capilaridade da Igreja, criou, através da Pastoral da Criança, uma articulada rede de serviços, angariando credibilidade para selar parcerias e obter apoio junto ao Governo.

Dra. Zilda visitava cada diocese, orientando e entusiasmando líderes e multiplicadores no acompanhamento a gestantes, no aleitamento materno, aplicação do soro caseiro, pesagem das crianças, vacinação. A Pastoral denomina tudo isso de ‘Celebração da Vida’. A mística vem do evangelho e Dra. Zilda sempre citava o texto da multiplicação dos pães, em que Jesus ordena aos discípulos: “dai-lhes vós mesmos de comer”.   Em qualquer paróquia do Brasil, se vêem pessoas com camiseta da Pastoral da Criança. De fato, a Igreja toda, a partir da CNBB, ‘vestiu a camisa’, abraçando a inspiração da Dra. Zilda.

Dom Paulo Evaristo, ao saber da morte de sua irmã, escreveu: “minha caríssima irmã Zilda sofreu com o bom povo do Haiti o efeito trágico do terremoto. Que nosso bom Deus acolha no céu aqueles que na terra lutaram pelas crianças e os desamparados. Não é hora de perder a esperança”.

O terremoto calou a voz da Dra. Zilda, mas seu martírio a eterniza. Dia a dia, a pastoral da criança repercute e torna definitivo seu eloqüente e fecundo testemunho de amor e solidariedade capaz de semear esperança e abrir, para o Brasil, o Haiti e o mundo, novos caminhos de vida, paz e justiça.

Por Dom Pedro Luiz Stringhini, Bispo de Mogi das Cruzes

 

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