Uma reflexão para o Dia das Mães à luz das palavras do Papa Leão XIV
Neste mês de maio, quando a Igreja volta o seu olhar para a Virgem Maria e o Brasil celebra o Dia das Mães, as palavras do Papa Leão XIV durante a oração do Regina Caeli ganham um significado ainda mais profundo para as nossas famílias e comunidades.
Ao recordar Maria reunida com os discípulos no Cenáculo, perseverando na oração e sustentando a comunhão da Igreja nascente, o Santo Padre nos apresentou a figura materna de Nossa Senhora como sinal de unidade, esperança e paz. Maria aparece no coração da comunidade cristã não como alguém que ocupa o centro para si, mas como mãe que aproxima, acolhe, escuta e ensina os discípulos a permanecerem unidos em Deus.
Celebrar o Dia das Mães é também reconhecer essa presença silenciosa e indispensável de tantas mulheres que, à semelhança de Maria, sustentam a vida cotidiana com amor, cuidado, renúncia e fé. Em nossas casas, paróquias e comunidades, quantas mães continuam sendo o coração que reúne a família, a voz que ensina a oração, as mãos que cuidam nas horas difíceis e a presença que mantém viva a esperança.
O Papa recordou que a humanidade precisa reencontrar os caminhos da fraternidade e da paz. E talvez uma das primeiras escolas onde aprendemos isso seja justamente o colo materno. É no amor de uma mãe que aprendemos os primeiros gestos de confiança, de ternura, de reconciliação e de cuidado com o outro. As mães ensinam, muitas vezes sem palavras, que amar é servir e que a verdadeira grandeza nasce da capacidade de doar-se.
Em tempos marcados por tantas divisões, violências e indiferenças, o testemunho das mães continua sendo um sinal luminoso do Evangelho. Quantas delas enfrentam diariamente o cansaço, as preocupações, as dificuldades econômicas, as dores familiares e até mesmo a solidão, mas permanecem firmes sustentadas pela fé e pelo amor aos seus filhos. Há também aquelas que carregam no coração a dor da ausência, da enfermidade ou da saudade. A todas elas, a Igreja dirige hoje sua gratidão, proximidade e oração.
O exemplo de Maria nos ajuda a compreender que a maternidade é muito mais do que uma realidade biológica: é uma vocação ao cuidado, à acolhida e à geração da vida em sentido amplo. Por isso, neste Dia das Mães, queremos também recordar tantas mulheres que exercem maternidade espiritual em nossas comunidades: avós, catequistas, religiosas, educadoras e lideranças que ajudam a formar pessoas na fé, no amor e na esperança.
Que Nossa Senhora, Mãe da Igreja, interceda por todas as mães, fortalecendo especialmente aquelas que vivem momentos de sofrimento e dificuldade. E que, inspirados pelas palavras do Papa Leão XIV, possamos redescobrir em nossas famílias a beleza da comunhão, da oração e do amor que constrói a paz.
Feliz Dia das Mães!
Dom Carlos Silva, OFMCap.
Bispo Auxiliar de São Paulo
Secretário do Regional Sul-1 da CNBB


