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Um despertar para a prática do cuidar

Vincent van Gogh O Bom Samaritano (after Delacroix) 1890, Saint-Rémy Óleo sobre tela, 73 x 60 cm Rijksmuseum Kröller-Müller, Otterlo

A Campanha da Fraternidade de 2020 quer motivar nossas comunidades e toda a sociedade brasileira para a prática do cuidado. Mas cuidar de quem? Trata-se do cuidar das pessoas, cuidar das famílias, cuidar da sociedade e do planeta, nossa casa comum. Um cuidar “plugado” nas mais diversas realidades que exigem envolvimentos de cuidados. Um cuidado que se efetua na presença diante daquela ou daquele que precisa. Perceber o sentido da vida de modo amplo e conectado com todo o viés ao redor de nossa existência.

Em nossas relações pessoais, nos ambientes de trabalho, nos espaços educacionais percebemos a “globalização da indiferença”. Rodeados por tantas tecnologias, de rápida comunicação onde em segundos somos informados de fatos ocorridos em outras partes do mundo, já não somos mais capazes de perceber a desumana dor do outro ao nosso lado. Eis o grau da nossa desumanidade.

A Campanha da Fraternidade busca divulgar a vida como dom e compromisso. Seu sentido consiste em ver, solidarizar-se e cuidar. Não se pode passar a vida cuidando somente do que me pertence, do que é meu. Não podemos viver sem perceber a vida do outro e seu sofrimento. Não há cristianismo sem o gesto de solidariedade, sem compaixão, sem saber que a dor do outro é a minha própria dor.

O exemplo maior e melhor de um gesto de compaixão, de solidariedade, de sentir e expressar o cuidado diante da pessoa que sofre vemos na atitude de Jesus, quando, em diálogo com o perito da lei, definiu a questão em saber quem é o meu próximo (Lc 10,36). A proximidade daquele que sofre não se definiu no universo da ideias, do imaginário ou por meio de um discurso. A definição em saber quem é o meu próximo se definiu no socorro à pessoa na beira da estrada. O samaritano “viu, sentiu compaixão e cuidou dele” (Lc 10,33-34). Já não passou o momento de fazermos o mesmo, todas as vezes em que a vida se sente ameaçada?

Por Pe. Antonio Carlos Frizzo, assessor da Campanha da Fraternidade no Regional Sul 1 da CNBB

 

 

 

 

 

 

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