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São Francisco de Assis e de sempre

No calendário da Igreja, em outubro comemoramos São Francisco de Assis,  conhecido e amado por todo Brasil.  O capelão da esquadra de Cabral era frade franciscano, e foi quem rezou a primeira missa. São Francisco é um santo que desperta simpatia universal, em todas as pessoas que conhecem sua história e sua proposta de vida evangélica. Eu mesmo, tive oportunidade de ir a Assis para acompanhar um empresário protestante que desejava conhecer o lugar onde  vivera  S. Francisco. Telefonou para o Colégio Pio Brasileiro em Roma onde eu estudava, pedindo que designassem um padre para ir com ele e a esposa. Pude lhe explicar  a vida de S. Francisco. Outra vez que lá estive encontrei nada menos que o deputado Ulysses Guimarães.

Francisco era de família rica, seu pai comerciante, ao voltar da França onde fora a negócios, resolveu colocar o nome de Francisco no filho recém nascido. Até os vinte anos teve uma vida despreocupada de diversão. Seu pai queria que se tornasse nobre.  Para isso era necessário ir à guerra e voltar glorioso. Foi, perdeu a guerra. Feito prisioneiro, na prisão leu e meditou o Evangelho. Sua vida mudou radicalmente. Francisco já não é o mesmo, de agora em diante quer seguir Jesus Cristo e passa a vê-lo nos irmãos, nos mais pobres e excluídos da sociedade de seu tempo. Torna-se um “pobre de Deus”.

Seguindo os ensinamentos de Jesus e apoiado na força de Deus unicamente,  dedica-se a pregar o Evangelho como missionário, nas florescentes cidades medievais da Itália, cheias de conflitos e duelos. Sua mensagem: Paz e Bem!  Com a paz  teremos todo o bem, sem a paz não há bem duradouro. Francisco achava que cada pessoa deveria fazer a experiência pessoal de estar em paz, e assim, tornar-se  apto para anunciar e difundir a paz.  Para isso é necessário segundo ele, que cada um se considere, mais que irmão, uma mãe para o outro. Porque a mãe sabe valorizar e preservar a vida, principalmente do mais fraco.

A proposta de Francisco é atual e urgente: vencer o mal fazendo o bem! “Senhor, onde houver ódio que eu leve o amor” ele ensina a rezar. Percebe a inutilidade, perda de tempo, da violência. Percebe que o problema não está nos conflitos que são inevitáveis, mas na maneira de enfrenta-los. A paz desejada por Francisco não é só no nível pessoal, mas no social também. E mais além, prega a paz com a natureza. Ele percebeu que a Terra é organismo vivo, “um santuário ecológico”, e que o homem é  encarregado de cuidar e celebrar a vida na terra, como dom de Deus.

Ao procurarem uma pessoa que fosse paradigma do milênio passado, foi escolhido São Francisco, irmão universal. Na verdade, ele e sua mensagem, parecem caminhar na contramão do que atualmente a sociedade propõe como vida feliz: competir, ter e consumir. Mas na realidade ele representa um ideal de felicidade que as pessoas percebem ser sólido, duradouro. Hoje há muita satisfação, prazer e quase nenhuma alegria. Francisco  propõe um caminho capaz de dar uma imensa alegria. É o santo da alegria, compreensão e da paciência perfeita. Profundamente humano: o homem divinizado.

Sobretudo hoje, quando se arma um conflito entre nações que se declaram cristãs no Ocidente e o terrorismo originário do Oriente Médio, cujas nações na maioria se declaram islâmicas, Francisco tem algo a dizer. Ele viveu na época das cruzadas, não obstante foi em peregrinação a Jerusalém, dominada pelos muçulmanos. Seu testemunho de paz e fraternidade comoveu o sultão  que lhe deixou ir onde quisesse, e ainda, deu aos  franciscanos o trânsito livre  nos seus domínios . De fato até hoje são os franciscanos que zelam pelos lugares santos cristãos  lá existentes.

Francisco de Assis nos diz que a força de uma guerra vence, mas só por um tempo limitado. Somente a força do amor e da compaixão convence para sempre, e é capaz de criar uma sociedade justa e fraterna cujo fruto é a paz. Por isso Francisco de Assis  será sempre atual. Francisco de Assis e de sempre.

Dom Pedro Carlos Cipollini
Bispo de Santo André

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