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Pastoral em conversão

Pastoral em conversão é um título que encontramos no capítulo I da Exortação Apostólica Evangelii Gaudium do Papa Francisco. Mas não é só um título, é um apelo para todos e cada um de nós comprometidos na ação pastoral da Igreja. O Papa espera “que todas as comunidades se esforcem por atuar os meios necessários para avançar no caminho duma conversão pastoral e missionária, que não pode deixar as coisas como estão” (EG, 25). Isso deve questionar-nos em nossa ação pastoral. E ele continua: “Neste momento, não nos serve uma simples administração. Constituamo-nos em estado permanente de missão, em todas as regiões da terra” (idem). Eis um apelo para avançarmos no nosso projeto Ser Igreja em Missão (SIM).

Lembra o Papa que a conversão eclesial já foi pedida pelo Concílio Vaticano II: “Toda a renovação da Igreja consiste essencialmente numa maior fidelidade à própria vocação. (…) A Igreja peregrina é chamada por Cristo a esta reforma perene. Como instituição humana e terrena, a Igreja necessita perpetuamente desta reforma” (Decreto Unitatis Redintegratio, 6). A Igreja que somos nós necessita desta reforma perene, isto é, de conversão permanente, para podermos ser uma Igreja em estado permanente de missão.

O Papa apresenta um sonho, que deve ser também o sonho de todos e cada um de nós. Ele diz: “Sonho com uma opção missionária capaz de transformar tudo, para que os costumes, os estilos, os horários, a linguagem e toda a estrutura eclesial se tornem um canal proporcionado mais à evangelização do mundo atual que à autopreservação. A reforma das estruturas, que a conversão pastoral exige, só se pode entender neste sentido: fazer com que todas elas se tornem mais missionárias, que a pastoral ordinária em todas as suas instâncias seja mais comunicativa e aberta, que coloque os agentes pastorais em atitude constante de «saída» e, assim, favoreça a resposta positiva de todos aqueles a quem Jesus oferece a sua amizade” (EG, 27).

Em seguida, o Papa chama a atenção para a estrutura paroquial e afirma: “A paróquia é presença eclesial no território, âmbito para a escuta da Palavra, o crescimento da vida cristã, o diálogo, o anúncio, a caridade generosa, a adoração e a celebração. Através de todas as suas atividades, a paróquia incentiva e forma os seus membros para serem agentes da evangelização. É comunidade de comunidades, santuário onde os sedentos vão beber para continuarem a caminhar, e centro de constante envio missionário. Temos, porém, de reconhecer que o apelo à revisão e renovação das paróquias ainda não deu suficientemente fruto, tornando-as ainda mais próximas das pessoas, sendo âmbitos de viva comunhão e participação e orientando-as completamente para a missão” (EG, 28). Que apelos este ensinamento papal faz para as nossas paróquias?

A Igreja particular, a Arquidiocese, também “é chamada à conversão missionária. Ela é o sujeito primário da evangelização, enquanto é a manifestação concreta da única Igreja num lugar da terra e, nela, está verdadeiramente presente e opera a Igreja de Cristo, una, santa, católica e apostólica. É a Igreja encarnada num espaço concreto, dotada de todos os meios de salvação dados por Cristo, mas com um rosto local” (EG, 30). Francisco faz um apelo: “exorto também cada uma das Igrejas particulares a entrar decididamente num processo de discernimento, purificação e reforma” (idem).

Por fim, o Papa recorda que “o Bispo deve favorecer sempre a comunhão missionária na sua Igreja diocesana, seguindo o ideal das primeiras comunidades cristãs, em que os crentes tinham um só coração e uma só alma [cf. At 4, 32]” (EG, 31).

Deixemos o apelo à conversão conduzir a nossa reflexão e a nossa ação.

Por Dom Moacir Silva, Arcebispo Metropolitano de Ribeirão Preto e vice-presidente do Regional Sul 1

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