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O Consolador que Jesus nos deixou

Imagem | Comunità Pastorale Santi Profeti

Em Pentecostes, festejamos o nascimento da Igreja. Até então, os apóstolos estavam ainda fechados no cenáculo, com medo e sem assumir a missão que Jesus lhes havia confiado. Quando o Espírito Santo desceu sobre eles, abriram as portas e se tornaram “Igreja em saída missionária”. Começaram a anunciar o Evangelho com destemor e a realizar os sinais, como Jesus lhes havia recomendado. E a Igreja se manifestou ao mundo como o novo “corpo de Cristo”, animado pelo Espírito Santo, a dar testemunho de Jesus e do reino de Deus.

No discurso de despedida aos apóstolos, no final da última ceia, Jesus percebeu que eles estavam tristes e desconsolados diante das palavras sobre a sua partida para o Pai e de sua ausência concreta junto deles (cf Jo 14). Jesus lhes assegurou, então, que haveria de enviar um “outro Consolador”, para que estivesse sempre com eles. Assegurou que não os deixaria órfãos (cf Jo 14, 16-18). Prometeu-lhes o Espírito Santo, Espírito da Verdade, como companhia constante e consolo. Enquanto Jesus estava com eles, era ele mesmo quem os consolava e conduzia na verdade. Depois de sua ausência visível, é o Espírito Santo quem assume esse papel na comunidade dos discípulos.

Com a graça e os dons do Espírito Santo, os anunciaram o Evangelho com alegria e entusiasmo, mesmo diante das ameaças e perseguições; enfrentaram as maiores adversidades, perseguições e o próprio martírio, por causa de Jesus e do Evangelho.

O mesmo Espírito Consolador, Espírito da Verdade, acompanha e assiste a Igreja em todos os tempos e ainda hoje. As tristezas das perseguições e as frustrações por ver minguar os frutos do Evangelho e da vida cristã não devem ser motivos para tristeza e desânimo.

Em nossos dias, infelizmente, muitos estão descrentes da Igreja e a criticam asperamente, mesmo fazendo parte dela. As críticas justas devem ser acolhidas com humildade, para a conversão, na docilidade ao Espírito da Verdade. As críticas injustas não devem levar ninguém ao desânimo, mas a uma renovada confiança no Espírito Consolador, que não desampara jamais a sua Igreja.

Estamos no 3º ano do sínodo arquidiocesano, num esforço conjunto para fazer um “caminho de comunhão, conversão e renovação missionária” em nossa Igreja em São Paulo. Desde o início desse caminho sinodal, confiamo-nos ao Espírito Santo, que é a alma da Igreja e a renova constantemente, ajudando-a a responder de maneira adequada à missão recebida de Jesus.

Ele é o Espírito da Verdade, ao qual devemos estar atentos e ser dóceis. Mas também é o Espírito Consolador, que nos assiste e conforta nesse caminho, nem sempre fácil, de conversão, dando-nos a certeza de que nem tudo depende somente de nós. Se fizermos bem a nossa parte, o Espírito Santo não deixará de despertar vida nova e um renovado dinamismo em nossa Igreja.

Portanto, nesta solenidade de Pentecostes, invoquemos mais uma vez com fé e confiança o Espírito Consolador, prometido por Jesus aos apóstolos e também a nós. Na luz e na suave força do Espírito Santo, saberemos responder aos desafios que nossa Igreja tem a enfrentar.

São Paulo, 30 05 2020

Cardeal Odilo P. Scherer, Arcebispo de São Paulo

 

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