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Novo Plano de Pastoral: desafios e urgências

A arquidiocese de São Paulo está elaborando seu 12º Plano de Pastoral, para o quadriênio de 2017 a 2020. Referências principais para o novo Plano serão as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil, da CNBB, aprovadas na assembleia geral de abril de 2015, e os mais recentes ensinamentos e impulsos vindos do Magistério Pontifício, sobretudo das Exortações Apostólicas Evangelii Gaudium (2013) e Amoris Laetitia (2016), do Papa Francisco.

Também serão levados em conta os atuais apelos e desafios da realidade pastoral de nossa Arquidiocese. Somos uma “Igreja na Metrópole” e isso marca e até condiciona a nossa missão evangelizadora e pastoral. Além disso, a situação religiosa e as necessidades desta Igreja Particular também serão levadas em conta na elaboração do novo Plano de Pastoral.

O 12º Plano dará continuidade, em boa parte, às linhas diretrizes já presentes no Plano anterior. Serão novamente apresentadas várias “urgências” na evangelização e na pastoral, que deverão receber especial atenção; e serão indicadas pistas de ação para enfrentar esses desafios. Tratando-se de um Plano de diretrizes pastorais, e não de um “programa” de atividades, requer-se que, depois, todos os agentes pastorais e as múltiplas instâncias e organizações da vida eclesial na Arquidiocese façam seu programa de ação pastoral para a execução do Plano de Pastoral. Caberá às instâncias locais, como os setores, as paróquias com suas comunidades, as pastorais, associações eclesiais, movimentos apostólicos e as demais organizações eclesiais e pastorais, traduzir em novas práticas as indicações do Plano de Pastoral.

Entre as “urgências pastorais”, será inevitável incluir também a família. A Igreja dedicou duas assembleias do Sínodo dos Bispos à família e isso tem um significado especial; e o Papa Francisco tratou da família numa série de Catequeses e também promulgou a Exortação Apostólica Amoris Laetitia sobre as temáticas familiares. Isso revela que a questão família precisa de uma renovada atenção na ação evangelizadora e pastoral da Igreja. É inegável que a família, o casamento e as questões relacionadas com a vocação e a missão da família atravessam uma crise profunda em nossa época. Tudo isso justifica bem que a família também seja assumida como uma “urgência pastoral”.

Igreja e família precisam se reencontrar. O Papa Francisco tem lembrado que a Igreja é uma “família de famílias”; as famílias cristãs são parte da Igreja e nelas realiza-se muito da vida e da missão da Igreja, que sempre contou com elas para a realização de sua missão e não poderá deixar de contar com ela para o futuro. A vivência cotidiana da fé e da espiritualidade cristã acontece na família, assim como a transmissão da fé às novas gerações. Ao mesmo tempo, nossas comunidades e igrejas precisam ser lugares acolhedores das famílias e que valorizem os diversos aspectos da vida familiar.

A relação Igreja-família precisa ser traduzida de forma nova nas comunidades locais. Com o passar do tempo, pode ser que essa relação tenha ficado sempre mais restrita ao fato do casamento, sobretudo à preparação e à celebração do casamento. No entanto, as questões familiares são bem mais amplas e dizem respeito também à mística na vivência matrimonial e familiar, à transmissão, acolhida e cuidado da vida, à educação da prole, à transmissão da fé, ao acompanhamento das situações de crise e de problemas diversos na vida matrimonial e familiar. E precisam incluir também o envolvimento da família na vida da Igreja e da Igreja na vida da família. Se queremos avançar na nova evangelização, será preciso voltar um novo olhar e uma atenção especial à família.

Cardeal Odilo Pedro Scherer
Arcebispo metropolitano de São Paulo

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