Artigos

Nossa Senhora Aparecida do Ipiranga

A celebração de Nossa Senhora Aparecida, neste ano, acontece dentro do clima eleitoral e se apresenta como ocasião propícia para recorrermos com fé à Padroeira do Brasil com uma súplica intensa: “Ó velai por nossa Pátria, Virgem Mãe Aparecida!” À sua intercessão, confiamos os anseios, angústias, temores e necessidades de todos os filhos desta Nação a ela devotada.

“Velai, ó Mãe Aparecida, pela dignidade e a liberdade de todos os brasileiros, pela preservação do respeito, a justiça, a fraternidade e a solidariedade! Não nos deixeis cair no abismo do ódio e da violência! Virgem Aparecida, mostrai-nos os caminhos da reconciliação, do perdão e da misericórdia! Mostrai-nos sempre de novo vosso Filho Jesus, o bendito fruto do vosso ventre e Redentor da humanidade!”

Em 2017, encerrando o Ano Mariano Nacional, erigimos em Santuário arquidiocesano a igreja paroquial de Nossa Senhora Aparecida, da rua Labatut, no Ipiranga. Para São Paulo, o Santuário é mais um lugar para o especial encontro com a Virgem Mãe Aparecida; e já se vai intensificando o afluxo de peregrinos, especialmente na Novena preparatória para o dia 12 de outubro. Cresce a afluência de pessoas que participam das numerosas celebrações e procissões, com o desejo de sentir a proximidade da “Mãe de Deus e Nossa” e de lhe dizer uma prece, mesmo que seja apenas com o olhar cheio de emoção.

A igreja da rua Labatut possui uma história bem interessante, que merece ser recordada sempre. Preparava-se o Congresso Eucarístico Nacional de 1942, em São Paulo. Dom José Gaspar d’Affonseca e Silva era o Arcebispo e encontrava fortes resistências na preparação do Congresso, pois o clima político era adverso e também havia profundo desalento no interior da Igreja. Dom José punha muita fé nos frutos que o Congresso haveria de trazer e fez trazer uma imagem de Nossa Senhora Aparecida a São Paulo. A ela consagrou com devoção a realização do Congresso que, no final das contas, tornou-se um evento religioso de sucesso estrondoso, com grande participação de povo e de autoridades, e com a recuperação da confiança no interior da própria Igreja paulistana.

Terminado o Congresso, Dom José fez erguer a igreja da rua Labatut, no Ipiranga, e para lá fez levar em grandiosa procissão a imagem de Nossa Senhora Aparecida trazida para o Congresso. O belo e amplo templo, de estilo gótico, retrata cenas daquele Congresso Eucarístico Nacional e a devoção do povo paulistano a Nossa Senhora Aparecida. Ele é um eloquente testemunho da fé e da generosidade dos paulistas, que se mantiveram fiéis à fé católica, apesar das turbulências daquela época da nossa história. Nunca é demais lembrar que tudo isso aconteceu enquanto o Brasil vivia profundas crises políticas e sociais e enquanto a segunda guerra mundial envolvia numerosas nações num conflito fratricida e sangrento, motivado por regimes totalitários, e que envolveu também o próprio Brasil.

Será impróprio fazer um paralelo entre as circunstâncias de 1942 e as de 2018? Os tempos e os humores são, certamente, bastante diversos, mas não deixam de existir algumas semelhanças. Vivemos um clima de turbulências políticas no Brasil, enquanto estamos em meio a um processo eleitoral ainda indefinido, mas fortemente polarizado. Como nunca antes, o povo brasileiro, geralmente pacífico e fraterno, está sendo levado a manifestações extremistas, marcadas por intolerâncias e ódio. Arriscamos perder conquistas importantes da nossa Democracia, ainda adolescente, interrompendo um processo de lento amadurecimento das instituições democráticas do País. Ideologias radicais de direita e de esquerda podem levar a radicalismos perigosos para a paz social. Deus não o permita.

Ao celebrarmos Nossa Senhora Aparecida, neste ano, supliquemos com confiança à Padroeira do Brasil pelas necessidades e angústias de todos os seus filhos e filhas. Recomendemos à sua intercessão as autoridades constituídas, para que governem com justiça, e todos os cidadãos, para que vivam em concórdia, respeito fraterno e paz. A ela recomendemos aqueles que forem consagrados nas urnas para governar, administrar e legislar em favor do bem comum. Dela, ouçamos todos novamente as palavras de recomendação maternal: “fazei tudo o que Jesus vos disser!” (cf. Jo 2,5).

E não deixemos de recomendar à sua intercessão especial a nossa Igreja, em São Paulo, que realiza seu sínodo arquidiocesano com o propósito de fazer um “caminho de comunhão, conversão e renovação missionária”. Que possamos, de maneira mais decidida e alegre, testemunhar que “Deus habita esta Cidade” e que isso é bom para a nossa imensa Metrópole!

 

Cardeal Odilo Pedro Scherer

Arcebispo de São Paulo

Adicionar Comentário

Clique aqui para comentar

Palavra do Presidente

NOVO ESTATUTO DA CNBB

Facebook

Assine nossa newsletter

Conheça nossos parceiros.