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Madre Teresa, bom augúrio para uma Igreja em saída

 

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Artigo de dom Tarcísio Scaramussa, Bispo Diocesano de Santos, sobre o possível milagre de Madre Teresa de Calcutá na Diocese de Santos

“Madre Teresa atraiu a atenção do mundo por sua vida. Chamada “anjo dos pobres”, foi reconhecida por sua espiritualidade e por seu trabalho em favor dos doentes e dos mais pobres entre os pobres. Sinais desse reconhecimento, entre outros, foram o prêmio Templeton, que recebeu em 1973, e o Nobel da Paz, em 1979. Sua figura carismática impactava as pessoas como sinal de altruísmo e de solidariedade.

A Igreja reconheceu sinais de santidade na vida de Madre Teresa. Em 2003, apenas seis anos após sua morte, foi beatificada pelo Papa João Paulo II. Na encíclica sobre o amor cristão de Bento XVI (Deus caritas est – 2005), é citada como exemplo de pessoa de oração e ao mesmo tempo de fé operativa.

O processo de canonização de Madre Teresa tem agora um avanço importante com a verificação da cura extraordinária de uma pessoa, atribuída à sua intercessão. E isto aconteceu em nossa Diocese de Santos. Um Tribunal Diocesano foi instalado no mês de junho para fazer uma primeira investigação a respeito deste fato, recolhendo os documentos e pareceres médicos, como também ouvindo as testemunhas. Terminado este trabalho, tudo foi entregue à Congregação para a Causa dos Santos, que cuidará dos encaminhamentos seguintes junto à Santa Sé.

Caso seja realmente reconhecido o milagre, estará completamente aberto o caminho, e o Papa marcará a data da canonização. Nós continuamos em oração, mas já nos sentimos agraciados mais uma vez pelo Senhor, pois foi em nossa Diocese que aconteceu também o milagre que levou à canonização de Santa Josefina Bakhita, no ano de 2000.

A Beata Madre Teresa, que fundou a Congregação das Missionárias da Caridade, é grande estímulo para nossa saída em direção aos mais pobres e às periferias existenciais. Seu carisma continua muito vivo na Igreja, especialmente com as Congregações das Missionárias e dos Missionários da Caridade, e de tantas outras iniciativas que se inspiram em sua vida e missão. Espelhados em Madre Teresa, assumem como missão principal cuidar dos pobres, necessitados, doentes e excluídos do meio social. Procuram ser expressão do amor misericordioso de Deus, do amor de Cristo que se aproxima dos pobres e lhes toca com as mãos.

Nossa Diocese, que já possui uma comunidade colocada sob a proteção da Beata Madre Teresa, além de sentir-se agraciada, contempla, na fé, uma realidade teológica importante para o momento que vivenciamos. De fato, estamos em discernimento e colocando-nos num processo de conversão, em vista de nos tornarmos uma Igreja verdadeiramente missionária. Esta atitude pode inspirar-se também na frase que se encontra nas capelas das missionárias da caridade por todo o mundo, e que lembra as palavras de Cristo na Cruz: “Tenho sede”. A sede de Cristo hoje é expressão de seu desejo de chegar ao coração de todos, para salvar a todos, para levar a todos à alegria de seu Reino. Mas é também a expressão do grito dos necessitados, que têm sede e fome de justiça e paz, e de toda a humanidade, que tem sede de amor e fraternidade.

Queremos crescer na dinâmica de aprofundamento das motivações de fé, que surgem do encontro com Jesus Cristo, na oração e na escuta da Palavra de Deus. A partir desta experiência, seremos capazes de sondar esta sede presente na realidade das pessoas afastadas, das pessoas que esperam por uma boa notícia em sua realidade de periferia existencial. Queremos ser uma Igreja missionária, que vai ao encontro das pessoas, que seja sensível à sede de Cristo e à sede das pessoas, e que esteja disponível para acolher a todos, como uma Igreja samaritana.

Dom Tarcísio Scaramussa é bispo diocesano de Santos (SP).

 

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