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Fala Com Sabedoria, Ensina Com Amor (Pr 31,26)

Com esse lema, a Igreja Católica no Brasil promoverá, em 2022, a Campanha da Fraternidade sobre a educação.

Os centros católicos de educação não são apenas “dispensadores de competências”, mas, por sua própria natureza, são lugares de encontro, de diálogo e de crescimento mútuo em um itinerário de educação para a vida que se abre aos outros na perspectiva do bem comum.

A Educação católica realiza um grande projeto educativo que agrega escolas e Universidades, associações e numerosos grupos envolvidos na formação das novas gerações. No mundo, esse grande projeto educativo é formado por 210.000 escolas e 1.865 universidades católicas, frequentadas por quase 60 milhões de alunos e estudantes. Todas elas estão comprometidas na realização dos objetivos da UNESCO firmados no Fórum Mundial “Educação 2030”.

As instituições educativas católicas são expressão de uma Igreja que evangeliza através de um projeto educativo que difunde a mesma mensagem de luz e de esperança em todas as áreas do mundo, em benefício das crianças e dos jovens, especialmente daqueles que vivem em áreas geográficas mais difíceis e mais pobres.

A missão educativa católica nasce, como no passado, da própria identidade da Igreja que se fundamenta no mandato da evangelização: “ide por todo o mundo e anunciai o evangelho a todas as criaturas” (Mc 16,15ss). As escolas e as universidades católicas são chamadas a ter atitudes proativas destinadas a reafirmar o valor da pessoa humana, da comunidade, da busca do bem comum, do cuidado da fragilidade. Em vez de adotar atitudes meramente reativas de fechamento defensivo contra a sociedade secular que alimenta os valores do individualismo competitivo e que legitima, ou pior aumenta, as desigualdades é urgente buscar pela educação os valores mais profundos da cooperação e da solidariedade, a superação da exaltação do lucro e do útil como medida de todas as escolhas, da concorrência individualista e do sucesso a qualquer custo.

Uma instituição católica educa, sobretudo, através do seu contexto vital, do clima que estudantes e professores criam entre si e no qual desenvolvem as atividades de instrução e aprendizado. Tal contexto educativo é tecido de valores que não só são afirmados e apregoados, mas vividos. O contexto educativo é também formado pela qualidade das relações interpessoais que unem docentes e estudantes e os estudantes entre si, do cuidado que os professores têm para com as necessidades dos estudantes e da comunidade local. Os traços essenciais que caracterizam uma instituição católica são o de ser comunidade profissional, educativa e de evangelização.

A educação sempre pressupõe uma antropologia. Uma educação que só prepara para esta vida terrena, ainda que muito necessária, condena a pessoa do educador e do educando a uma “vida de gado”. Por isso tem importância para a escola o Ensino Religioso que, no fim das contas, tem como objetivo “desestabilizar” e “desajustar” o educando a uma felicidade minguada e irrelevante.

Por que a religião é tão apaixonante? Exatamente porque ela toca as cordas mais sensíveis do coração humano, feito para o infinito e o eterno. Nesse sentido, o ensino religioso que se limite somente a informar sobre ritos, doutrinas e valores religiosos, perde a oportunidade de fazer da educação algo mais do que simples preparação para o mercado, aquisição de habilidades para convivência social, formação da cidadania em vista do bem comum. Tudo isso é sumamente desejável e necessário, mas não toca o que a religião põe diante do horizonte pessoal: o sentido último da vida, a salvação, o céu, a eternidade, a felicidade.

É um preconceito sem base científica afirmar que a preocupação com o céu nos torne alienados da vida deste mundo.

Como disse Papa Francisco, “num mundo que globalizou muitos instrumentos técnicos úteis, mas ao mesmo tempo tanta indiferença e negligências, e que corre a uma velocidade frenética, dificilmente sustentável, sente-se a nostalgia das grandes questões de sentido que as religiões fazem aflorar e que suscitam a memória das próprias origens: a vocação do homem, que não foi feito para se exaurir na precariedade dos assuntos terrenos, mas para se encaminhar rumo ao Absoluto para o qual tende. Por estas razões a religião, especialmente hoje, não constitui um problema, mas é parte da solução.

Por Dom Julio Endi Akamine SAC, Arcebispo de Sorocaba

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