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Escolher é um comportamento tipicamente humano, que aprendemos desde a mais tenra infância. Um bebê ou uma criança começa a fazer suas escolhas a partir daquilo que lhe e apresentado. Começa a escolher as coisas que come, os sabores que mais agradam, as roupas e as cores que mais atraem. Com tempo, o gosto e as preferências vão sendo aprimorados, daí, passamos a fazer escolhas mais racionais e objetivas. Essas escolhas podem levar ao desenvolvimento de um ritmo ou estilo de vida. Se fazer escolhas é um comportamento humano, aquilo que escolhemos é parte da nossa subjetividade, da nossa realidade mais íntima e pessoal. Escolher é um exercício da liberdade.
De outra parte, liberdade é uma condição que acompanha a pessoa quando ela faz as suas escolhas. Se um fator externo, de alguma forma, exerce qualquer tipo de pressão, para mudar ou conduzir uma escolha, pode-se dizer que falta liberdade para escolher. A liberdade supõe, como princípio, a existência de alternativas ou possibilidades e, portanto, permite a decisão e o exercício da vontade que escolhe entre uma ou outra opção. Entre a liberdade e a capacidade de escolha existe uma relação fundamental de sustentação e que precisa ser bem formada. Não existe liberdade sem alternativas para escolher, mas também não existe liberdade sem critérios que justifiquem as escolhas feitas.
O Êxodo, isto é, a saída do Povo de Deus foi uma experiência libertadora. No Egito, o povo sofria com a opressão da escravidão e Moisés foi enviado para libertar e conduzir esse povo até a Terra Prometida. A pregação de Moisés partiu da revelação de Deus, na sarça ardente, chegou ao Faraó e ao povo, despertando incompreensão e rejeição. Entre o Egito e a Terra Prometida, o povo experimentou a Providência Divina, quando atravessou o Mar Vermelho e quando teve fome e sede. Eles também experimentaram a fidelidade de Deus quando receberam as Tábuas da Lei e quando foram introduzidos numa “terra que mana leite e mel”.  A passagem da escravidão para a liberdade não foi um caminho fácil, ela também foi uma escolha que o Povo de Deus precisou fazer.
No contexto do cristianismo, a escolha e a liberdade são pontos fundamentais. Jesus falava claramente aos discípulos que eles tinham liberdade para escolher, mas que a escolha comportava uma responsabilidade. No diálogo com os discípulos, ele apresentou a exigência de “comer a sua carne” (Jo 6,53), e como isso era um escândalo, que causava incompreensão, rejeição e até mesmo a recusa por parte de alguns. Comer a carne não é apenas um gesto ritual, é assumir um compromisso de fé, com consequências éticas e morais. Comer a carne é também o desafio de renunciar a todas as outras formas de idolatria que escravizam, essa é a verdadeira proposta do discipulado. Os discípulos devem ser livres nas suas escolhas, mas também devem assumir suas consequências.
No exercício da liberdade, é preciso saber quais são as motivações ou critérios que orientam as escolhas que fazemos. Jesus, quando falou do Reino disse que era preciso assumir a cruz para segui-lo (Lc 9,23). Escolher é um exercício da liberdade, mas a consciência precisa estar devidamente esclarecida. Caso contrário, é apenas outro tipo de escravidão. A consciência é como uma bússola, que orienta nossas escolhas e assegura a verdadeira liberdade. Quanto mais bem formada a consciência, maior a segurança nas nossas escolhas. A fé cristã se opõe aos contravalores do mundo, como o egoísmo e o materialismo. A questão é saber o que está orientando a bússola das nossas escolhas, se os valores cristãos ou a instabilidade do mundo.
Dom Devair Araújo da Fonseca
Bispo de Piracicaba