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Eleições de Deus e eleição dos homens

Por Edmilson Amador Caetano, O.Cist., Bispo diocesano de Guarulhos e vice-presidente do Regional Sul 1 da CNBB.

Neste mês de novembro vamos às urnas para a eleição dos cargos municipais, prefeito(a) e vereadores (as). Quero aqui fazer uma reflexão que, talvez, possa parecer inútil e inoportuna, mas julgo importante diante de tantas seduções que aparecem neste tempo.

O tema da eleição de Deus perpassa toda a Escritura. Eleger é um ato de liberdade e por parte de Deus também um ato de amor. Deus  escolhe (elege) criar o mundo e o ser humano. Deus escolhe salvar a sua obra que foi danificada pelo pecado. Deus elege pessoas, homens e mulheres, que ao longo da história da salvação vão se tornando instrumentos para a realização do desígnio salvífico.

No Novo Testamento vemos Jesus escolhendo os Apóstolos. Os apóstolos escolhem Matias para o lugar de Judas Iscariotes. O apóstolo Paulo é apresentado a Ananias – que se encontra em dúvida diante de Deus, se deve ou não ajuda-lo – como escolhido: “vai , porque este homem é instrumento que escolhi para mim, a fim de levar o meu nome aos pagãos , aos reis e também aos israelitas” (At 9, 15).

Nós, também, membros da Igreja fomos escolhidos por Deus, cada um na sua vocação, para fazermos parte deste povo.

Os critérios da eleição de Deus são imperscrutáveis, pois Ele escolhe em vista de seu projeto de amor e salvação. Não adianta tentarmos entender com os nossos critérios. Por eles não teríamos escolhido o povo de Israel que nasce de  Jacó (espertalhão e enganador), mas teríamos escolhido Esaú, o correto. No entanto, o Senhor escolheu Jacó e desprezou Esaú. Não sabemos também os critérios que Jesus teve para escolher os apóstolos, “Ele escolheu os que quis” . (cf. Mc 3). Não sabemos nem mesmo quais os critérios de Deus para nos ter escolhido, pois sabemos das nossas infidelidades e debilidades…

No entanto, as pessoas das Escrituras e nós, fomos, sim, eleitos por Deus, em vista do seu desígnio de amor e salvação. Amor e salvação não somente para nós mesmos, mas para os outros. Deus não elege para si mesmo ou somente para nós mesmos, mas para os outros.

Aqui entra nossa ação na eleição dos homens: o primeiro critério para eleger é perscrutar como os eleitos serão para os outros; muito mais para os outros que para nós mesmos. Pode acontecer que, ao escolher um candidato, possamos primeiramente pensar nas vantagens que possam nos advir. Não deve ser este critério. O critério deve ser o outro em primeiro lugar. Conforme o critério de Deus, o outro é sempre o necessitado de salvação. O outro é sempre o pobre que não tem ninguém por ele.

Não temos poder como Deus para eleger e capacitar os eleitos. Temos, sim, “poder” para verificar a ação dos eleitos. Isso pode ajuda-los na missão. Aqui está o segundo critério : quais espaços de verificação da ação dos eleitos foram deixados para  nossa ação politica.

Não disputamos nenhuma eleição, mas fomos eleitos. Como eleitos vivamos, pois, a nossa vocação e eleição, na fidelidade Àquele que nos elegeu e como luz nesta geração.

 

 

 

 

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