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Dom Paulo, um cardeal que pensou o “Brasil que queremos”

“De Esperança em esperança” foi o lema adotado por Dom Paulo Evaristo Arns. Como poucos, dom Paulo, como gostava de ser chamado, não apenas sonhou, mas soube mostrar o caminho para um mundo mais irmanado, mais próximo das causas dos pobres. A memória de dom Paulo ficará entre nós por muito tempo. Pois, soube ser mestre, exercer a autoridade e formar milhares de discípulos e discípulas que levam adiante seu projeto de um mundo cada vez melhor, mais justo e igualitário.

Dom Paulo Evaristo foi o quinto Arcebispo e o terceiro Cardial da Arquidiocese de São Paulo. Nasceu numa grande família de colonos e imigrantes alemães, em Forquilhinha, Santa Catarina, no dia 14 de setembro de 1921. Logo após ser ordenado padre, na ordem dos Franciscanos, em 30 de novembro de 1945, na sua amada Petrópolis, Rio de Janeiro, parte para realizar seus estudos acadêmicos na concorrida Universidade de Paris – Sorbonne. Anos mais tarde defende sua tese doutoral, em maio de 1952, com o título “A técnica do livro na época de São Jerônimo”.  De volta ao Brasil leciona teologia patrística em Bauru, Agudos e Petrópolis, até ser indicado bispo para São Paulo, anos 44 anos, em 3 de julho de 1966.

Com a transferência do cardeal Dom Agnello Rossi para Roma, o papa Paulo VI o nomeia para o cargo de arcebispo de São Paulo, no dia 1o de novembro de 1970. Em marco de 1973 é criado cardeal da mesma arquidiocese, onde exercerá por 27 anos seu pastoreio. Profecia, trabalho com os pobres nas periferias e a luta por justiça serão suas três importantes marcas. Foi considerado inimigo número um da ditadura militar – 1964-1985. Soube proteger com clareza e ousadia as vítimas do regime. Todo seu esforço nessas décadas de violência e violação de direitos estão no livro “Brasil: Nunca Mais”, resultado do movimento nacional por direitos humanos.

Em tempos de crise institucional, a vida de Dom Paulo torna-se um norte àqueles que ousam pensar e agir na construção de um mundo mais justo e fraterno. 

Padre Antonio Carlos Frizzo
Coordenador estadual da Campanha da Fraternidade da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) Regional Sul 1.

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