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A oração cristã

O papel da oração está em íntima relação com os outros aspectos da vida cristã, como bem o situa a introdução da quarta parte do Catecismo da Igreja Católica: “Grande é o Mistério da fé. A Igreja o professa no Símbolo dos Apóstolos (1ª parte) e o celebra na Liturgia sacramental (2ª parte), para que a vida dos fiéis seja conforme a Cristo no Espírito Santo para a glória de Deus Pai (3ª parte). Esse Mistério exige, pois, que os fiéis nele creiam, celebrem-no e dele vivam numa relação viva e pessoal com o Deus vivo e verdadeiro. Essa relação é a oração”.

Chama a atenção na 4ª. Parte do Catecismo, o grande número de citações de santos. É justamente na oração que a fé se torna vida, e que se manifesta a grandeza do testemunho cristão. A primeira citação é de Santa Teresinha do Menino Jesus: “Para mim a oração é um impulso do coração, é um simples olhar lançado ao céu, um grupo de reconhecimento e amor no meio da provação ou no meio da alegria”.

A oração é um dom de Deus. É o achegar-se à fonte de água viva para saciar a sede. “Se conhecesses o dom de Deus!” (Jo 4,10). Na oração realiza-se o encontro do homem com Deus, tornado possível porque Deus vem ao encontro de todo ser humano.
É preciso ler o texto do catecismo para aprofundar a riqueza do Mistério desse diálogo de Deus com a humanidade em toda a história da salvação. Diálogo que começa com a criação, fonte da oração; que continua com o diálogo da promessa a Abraão; que tem expressão extraordinária de mediação na oração de Moisés; que em Davi se apresenta como oração do rei pelo povo; nos profetas, Elias de modo especial, é expressão da conversão do coração; os Salmos são oração da assembleia, oração do povo de Deus, e constituem a obra-prima da oração no Antigo Testamento. Em Jesus que ora e que ensina a orar, o evento da oração tem sua revelação plena, que é transmitida na Tradição da Igreja, pela ação do Espírito Santo. A oração da Igreja se realiza como bênção e adoração, como súplica e intercessão, como ação de graças e louvor. Na Eucaristia se encontram reunidas todas as formas de oração.

A Igreja é mestra da oração, conduz os fiéis no aprendizado da oração, colocando-nos em contato com as fontes da oração, que são a Palavra de Deus, a Liturgia da Igreja, as virtudes teologais (fé, esperança e caridade). O caminho da oração se faz como comunhão com a Santíssima Trindade: é oração dirigida sobretudo ao Pai, também dirigida a Jesus Cristo, Filho de Deus, e ao Espírito Santo, que é o Mestre interior da oração cristã. A Igreja gosta de rezar também em comunhão com a Virgem Maria, porque ela cooperou de forma particular com a ação do Espírito Santo; ela nos inspira na oração e também intercede por nós. A Oração da Igreja se associa também à dos santos, que são modelos de oração e intercessores na fé.

O catecismo ensina ainda a respeito das três formas da vida de oração: a oração vocal, a meditação e a oração mental, também chamada de mística ou contemplativa.

O caminho da oração se aprofunda com a prática constante da oração. Por isso, a oração supõe esforço e luta contra nós mesmos e contra as tentações, contra as distrações. A confiança de filhos de Deus é provada quando temos o sentimento de não ser sempre ouvidos. A vida dos santos nos mostra como muitas vezes experimentaram aridez em seu caminho espiritual, mas, ao mesmo tempo, como cresceram na confiança: “Não te aflijas se não recebes imediatamente de Deus o que lhe pedes: pois Ele quer fazer-te um bem ainda maior por tua perseverança em permanecer com Ele na oração” (Evágio Pôntico); “Ele quer que nosso desejo seja provado na oração. Assim Ele nos prepara para receber aquilo que Ele está pronto a nos dar” (Santo Agostinho).

Dom Tarcísio Scaramussa, SDB Bispo Auxiliar de São Paulo Vigário Episcopal da Região Sé e Secretário Geral do Regional Sul 1 da CNBB

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