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“A diversidade de opiniões e opções políticas não ferem o Evangelho.”

Por Dom Edmilson Amador Caetano, bispo da Diocese de Guarulhos e vice-presidente do Regional Sul 1 da CNBB

Meses atrás fiz uma reflexão na “Voz do Pastor” sobre a riqueza do período de propaganda eleitoral e o discernimento e participação que nós, como cristãos, precisamos ter. Estamos neste mês de outubro em campanha eleitoral. Saibamos viver na fé este período. No entanto, desta vez, quero refletir sobre o interior das nossas comunidades.

Tem acontecido nos últimos períodos de propaganda eleitoral -principalmente por causa da praticamente recente ferramenta das redes sociais – divisões em nossas comunidades. Acontecem até mesmo “fofocas” e criam-se inimizades e, logicamente, fica em falta a fraternidade e a caridade. A mesma coisa tem acontecido no interior das famílias.

A diversidade de opiniões e opções políticas, que não ferem o ideal do Evangelho, longe de ser fraqueza, é riqueza. Respeitar a visão do outro, não significa concordar, mas dar espaço à liberdade e trabalhar para construir fraternidade na diversidade.  O importante é não distanciar-se do essencial: os valores do Reino de Deus e a verdade (ortodoxia) da nossa fé. Os irmãos da comunidade, enquanto comunidade dos discípulos de Jesus Cristo, comunidade eclesial missionária, não são adversários políticos e muito menos inimigos.

Atualmente fala-se muito na sinodalidade da Igreja: caminhar juntos. A Igreja é sinodal. Sempre foi na sua essência. Caso contrário, os cristãos estariam ainda mais divididos. Os carismas e expressões de vivência da vida cristã são os mais variados, mas sabemos que são frutos do mesmo Espírito. Precisamos também viver este espírito sinodal quando articulamos fé e política. Não é fácil. Temos ainda muito que aprender.

Quero partilhar um texto que recebi tempos atrás. É de um documento que os bispos estão preparando sob a coordenação da Presidência da CNBB: “Em nossos dias, muito se tem falado da imagem das redes, como tradução da sinodalidade. A rede é um conjunto de nós interconectados, nós que se articulam entre si através de fluxos e conexões. Ela possui características bem específicas: dinamicidade, abertura, geometria variável, assimetria, capacidade de adaptação, inovação e descentralização, entre outras. Não se trata de um nó imperando sobre os outros, mas diversos nós que mantendo identidade própria, sabem que só sobrevivem se articulados com os outros nós, formando a rede.”

A sinodalidade não é “descabeçada”. No seu emaranhado positivo e articulado, os pastores da Igreja, que fazem presente o “Cristo Cabeça”, são chamados a fomentar a comunhão, seja na colegialidade episcopal, na comunhão do presbitério com seu bispo, na comunhão presbiteral e na comunhão das expressões laicais e da vida consagrada.

 

 

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