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Este final de semana foi movimentado em Roma, mais precisamente no Vaticano. Tudo em decorrência da realização de mais um consistório. E´ a reunião dos cardeais, chamados para a sua função permanente, de serem os conselheiros do Bispo de Roma.
Sabemos que sua função mais decisiva é eleger o novo Papa, quando isto se torna necessário.  Aí a palavra exata é “conclave”. Quando, como desta vez, a reunião é para debater assuntos, então é um “consistório”.
Quem tem longa tradição, tem palavras exatas para se expressar. A Igreja tem!
Um consistório pode ser, e frequentemente o é, mais festivo, e às vezes longamente esperado: quando nele se promovem novos cardeais, para ir renovando o colégio cardinalício, garantindo que ele se mantenha próximo a cento e vinte membros votantes, que é o número colocado como referência, para espelhar uma boa representatividade eclesial.
Desta vez o consistório tem o caráter festivo, com a promoção de alguns novos cardeais, entre os quais o Arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Orani Tempesta.
O caráter festivo deste consistório, não impede os cardeais de se debruçarem sobre a problemática da família, que o Papa Francisco propôs como tema de reflexão para toda a Igreja, recolhendo sugestões para serem levadas para o “sínodo” extraordinário, convocado para o mês de outubro deste ano.
Tudo isto está acontecendo nestes dias, em vista de uma data singular,da qual quase ninguém se dá conta. Esta data é 22 de fevereiro, dia da “cátedra” de São Pedro.
Nos últimos anos, esta data vem servindo de referência para o Papa convocar os cardeais para a sua reunião ordinária.   A “cátedra” simboliza a missão de Pedro, de falar “ex-cátedra”, com autoridade, sobre os assuntos relativos à vida da Igreja.
A palavra sugere, também, que esta missão incumbe igualmente aos bispos do mundo inteiro. Pois cada “catedral”, que é a Igreja de onde o Bispo celebra, possui também uma “cátedra”.
No exercício desta missão, o Papa sente a necessidade de contar com os conselhos de seus irmãos bispos, mas também dos outros membros da Igreja. Tanto que para o sínodo de outubro ele fez questão de abrir o jogo,  para que todos pudessem opinar sobre os problemas da família, também os leigos.
Mas a reunião desses dias contou com outro ingrediente. Foi precedida da reunião dos oito cardeais, nomeados pelo Papa para constituírem uma comissão, com a incumbência de ajudá-lo a realizar a reforma da Igreja, retomando as inspirações do Concílio Vaticano Segundo.
Além dos assuntos específicos destes dias, a Igreja de Roma nos dá um bom exemplo de valorização dos seus símbolos. Uma simples “cadeira” serve de inspiração e de motivação.
Ao longo de cada ano, a Igreja de Roma aproveita outros símbolos para expressar sua vocação. No dia 09 de novembro, por exemplo, celebra a consagração da Basílica de São João de Latrão, que é a catedral da Diocese de Roma. Sem esquecer que sua grande festa é sempre em 29 de junho, dia de São Pedro.
Tudo dentro da tradição, que evoca o passado, mas também impulsiona a Igreja a se renovar, para se colocar a serviço de sua missão de testemunhar o Evangelho de Jesus.
Por Dom Demétrio Valentini, bispo de Jales