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Rumo ao novo Plano da Ação Evangelizadora

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Dom Vicente Costa, Bispo de Jundiaí

A missão da Igreja é EVANGELIZAR. Evangelizar consiste essencialmente no anúncio da Pessoa de Jesus Cristo, como “Boa-Nova” do Reino e sinal do amor de Deus que salva e liberta do pecado e da morte. O encontro pessoal e profundo com o Cristo Vivo gera a consciência do chamado missionário da Igreja. Portanto, evangelizar para a Igreja nada mais é que fazer o que Jesus fez: por palavras e ações expressar o seu amor misericordioso de Jesus para com todos, em especial os pequenos, os pobres, os mais necessitados e esquecidos de nossa sociedade injusta e excludente.

Em vista disso, a mais fundamental atitude da comunidade cristã é a de tornar-se discípula e missionária de Jesus, aprendendo a ser fiel e deixando-se constantemente evangelizar: por um lado, pela Palavra da vida que ela acolhe com fé e anuncia com alegria e gratuidade aos outros; por outro, pelos próprios acontecimentos da história humana. Só uma comunidade evangelizada é capaz de tornar-se evangelizadora.

Para que a ação evangelizadora da Igreja se torne eficaz e fecunda, é preciso que ela seja bem planejada e elaborada. Do contrário, a ação evangelizadora corre o risco de tornar-se vazia e irrelevante, com pouco ou nenhum impacto na vida concreta da Igreja. O Papa Paulo VI, no discurso proferido ante os Bispos da América Latina, afirmou: “a atividade pastoral não pode processar-se às cegas. O apóstolo não corre ao encalço do incerto e bate no ar (cf. 1Cor 9,26)… Um sábio planejamento pode oferecer também à Igreja um meio eficaz e um incentivo de trabalho” (24 de novembro de 1965).

A Igreja no Brasil, ao mesmo tempo em que escuta e acolhe a voz do Espírito Santo, reafirma a importância de conhecer a realidade de cada época e de traçar metas específicas para a ação evangelizadora à luz da Sagrada Escritura e do ensinamento do Magistério. Desde o Plano de Emergência (1962) e o Plano de Pastoral de Conjunto (1966-1970), e as várias Diretrizes Gerais da Ação Pastoral – posteriormente chamados, a partir do ano de 1995, de Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora e geralmente publicados a cada quatro anos − a Igreja no Brasil não interrompeu o rico processo de planejamento pastoral. Aliás, esta forma de planejar e realizar a ação evangelizadora, segundo o uso do método “ver, julgar e agir”, foi confirmada pela Conferência de Aparecida (2007): “Este método nos permite articular, de modo sistemático, a perspectiva cristã de ver a realidade; a assunção de critérios que provêm da fé e da razão para seu discernimento e valorização, com sentido crítico; e, em consequência, a projeção do agir como discípulos missionários de Jesus Cristo” (n. 19).

Assim não é temerário afirmar que a Igreja no Brasil chegou a uma expressiva e riquíssima experiência no campo do planejamento e na realização da ação evangelizadora.

Meus queridos diocesanos e diocesanas: desde a minha chegada à Diocese de Jundiaí (7 de março de 2010), tenho procurado fortalecer e incentivar esta maneira de realizar a ação evangelizadora. Dediquei os primeiros dois anos da minha chegada para conhecer mais de perto a nova realidade da Igreja para a qual o Bom Pastor me enviou: seus membros e organismos, como também as paróquias que constituem a nossa Diocese. Já no ano de 2012, lançamos o Plano Diocesano da Ação Evangelizadora – 2012, tendo como tema e objetivo principal: “Tornar a Diocese: Igreja, Comunidade de Comunidades”. Ao invés de querer abraçar as cinco urgências propostas pelas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil 2011-2015, enfocamos o aprofundamento da ação evangelizadora em uma delas: “Igreja: Comunidade de Comunidades”. Evidentemente, tal escolha foi de ordem pragmática e operacional, sem, porém, excluir de forma alguma as outras quatro exigências da CNBB. Esse Plano Diocesano, sob os cuidados do padre Geraldo da Cruz Bicudo de Almeida, coordenador diocesano da Ação Evangelizadora, constava de três projetos: (1) Fomentar os Grupos de Rua nas Paróquias da Diocese; (2) Formação dos Agentes para uma Igreja, Comunidade de Comunidades; (3) Tornar a Região Pastoral uma Rede de Paróquias-Irmãs.

A partir da abertura do Ano da Fé, a 11 de outubro de 2012, pelo Papa Bento XVI, neste ano de 2013 realizamos vários eventos com o intuito de fortalecer e aprofundar nossa fé em Jesus Cristo e nossa missão como cristãos e cristãs na Igreja e no mundo.

Meus queridos diocesanos e diocesanas: o novo ano de 2014 está às portas. Após uma ampla consulta aos membros do Conselho Diocesano da Ação Evangelizadora e aos dez Conselhos Regionais da Ação Evangelizadora, decidiu-se trabalhar mais uma exigência das atuais Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja do Brasil: “Tornar a Igreja Diocesana de Jundiaí: casa da iniciação à vida cristã”. Caberá agora ao padre Leandro Megeto, o novo coordenador diocesano da Ação Evangelizadora e à sua equipe de apoio, a realização do novo Plano Diocesano. Desta vez, achou-se melhor não estipular um prazo determinado para a sua realização, pois envolve uma conversão pessoal e pastoral, como também de transformação das estruturas eclesiais, muito acima das nossas categorias temporais.

Espero que este novo Plano Diocesano, com suas oito sete Indicações Pastorais, chegue nas mãos de todos os(as) queridos(as) diocesanos(as): que todos o assumam de verdade, pois ele precisa suscitar, mais do que novas estruturas e grandes mudanças, um novo espírito, um novo ardor, um novo impulso ao processo evangelizador de nossa Igreja. Certamente o jornal quinzenal diocesano, O VERBO, ajudará em muito nesta tarefa.

Na realização do Plano Diocesano da Ação Evangelizadora – 2014, acompanha-nos Nossa Senhora do Desterro, Padroeira Diocesana. Caminhando conosco vai o Peregrino de Emaús, Jesus Cristo Ressuscitado, aquecendo nossos corações com suas palavras e deixando-se reconhecer “ao partir o Pão”, tornando-nos seus discípulos missionários que correm junto aos irmãos, “no itinerário permanente da nossa formação cristã”, levando-lhes a grande Boa Nova: “Vimos o Senhor! Ele está no meio de nós!” (cf. Lc 24,13-35).

E a todos abençoo.

Dom Vicente Costa Bispo de Jundiaí

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