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Os bispos do Regional Sul 1, que abrange todo o Estado de São Paulo, se preparam para a visita ao Papa Francisco, no mês de setembro, e alguns amigos me perguntaram: será que ele ainda vai estar lá em setembro? Ele está doente, vai renunciar? Qual a razão dessa visita? Que assuntos são tratados nesses 10 dias que os bispos passam em Roma? Vou tentar aqui fazer um resumo e responder a essas principais indagações. Antes de mais nada é bom dizer que o Papa não anunciou nada sobre renúncia. Pelo contrário, sempre surgem essas especulações na imprensa, e ele responde com bom humor: “O joelho está fraco, mas o coração e a mente estão melhores do que nunca!”

Renuncia ou não? – Na volta do Canadá, o Papa Francisco, como sempre, falou abertamente aos jornalistas. Explicou que, em função da fratura que teve no joelho e a inflamação nos ligamentos, deverá diminuir o ritmo das viagens, “para continuar servindo a Igreja”. Porém, se houver necessidade de um afastamento, disse, “isso não é nenhuma catástrofe! O Papa pode mudar, não há problemas com isso”. A resposta do Papa Francisco só reafirma a sua grandeza e humildade. Não tem apego ao cargo, como acontece com muitos mandatários que lutam para permanecer no poder e com isso só prejudicam seu país e o mundo inteiro. Bem disse Jesus que “os chefes das nações as dominam e oprimem. Entre vós não deve ser assim, mas quem quiser ser o maior, seja aquele que serve a todos” (Mt 20,32). O papa coloca essa palavra em prática.

E a visita dos bispos ao Papa, como acontece? – Essa visita ao Papa é uma tradição muito antiga na Igreja. Chama-se “Visita Ad Limina Apostolorum”. Deveria acontecer a cada 5 anos. E a sua finalidade é expressar a unidade, a fidelidade, a submissão e a comunhão de cada Bispo com o sucessor de Pedro. Nessa visita, os bispos celebram a Santa Missa nas grandes basílicas (onde estão sepultados os Apóstolos Pedro e Paulo). Visitam os principais Dicastérios, que são os organismos da Cúria Romana que tratam do Episcopado, do Clero, da Doutrina da Fé, dos Seminários, do Laicato, da Liturgia, do Ecumenismo, da Administração e outros grandes temas. Os bispos gastam a maior parte do tempo da visita em reuniões com esses Dicastérios, dialogando sobre todos esses pontos, com os novos desafios que se apresentam para a Igreja no mundo de hoje.

E o Papa está presente nessas reuniões? – Não. Somente um dia ele se encontra com os bispos pessoalmente, ou por grupos. O número dos bispos cresceu muito, até o Concílio Vaticano II eram pouco mais de dois mil. Hoje são mais de cinco mil dioceses no mundo inteiro. Não há condições de o Papa atender um a um. Mas já é uma graça imensa esse encontro onde cada um apresenta sua diocese, seus desafios, e escuta o Papa como verdadeiro Pai que sempre tem uma palavra de motivação, de encorajamento, de sabedoria. Os grupos de bispos são organizados por países, por Conferências Episcopais. Os grupos de bispos brasileiros, organizados por Regionais, começaram as Visitas Ad Limina já no início de 2020, interromperam durante a pandemia, retomando as visitas em setembro passado, e ainda percorrem todo este ano. De modo que o Papa acaba tendo uma visão geral do país, pois as situações são semelhantes de grupo para grupo.

O que resulta da visita para a vida diocesana – A Visita Ad Limina é preparada em cada diocese por um relatório bem extenso, enviado meses antes para os dicastérios. Esse relatório abrange as questões administrativas, o ministério do Bispo, o funcionamento da Cúria Diocesana, a vida dos sacerdotes, a situação dos seminários e das vocações, congregações religiosas, as celebrações litúrgicas, os ministérios leigos, a catequese, as escolas católicas, as pastorais e movimentos, as relações ecumênicas, a presença da Igreja nos meios de comunicação e o relacionamento com o poder público, entre outras questões. Este relatório é dividido pelos dicastérios, de modo que os órgãos da Cúria Romana já terão em mãos esse material como ponto de partida para o diálogo que os bispos realizam em cada Dicastério. Resulta, então para cada Diocese, uma profunda análise, uma resposta aos desafios e uma boa perspectiva de trabalho para os anos seguintes. A visita ao túmulo dos Apóstolos renova a fidelidade à Santa Igreja, a convivência fraterna entre os bispos, e a presença do Santo Padre coroam esta rica programação.

A Visita ad Limina é uma bênção para toda a Diocese – Além dos assuntos debatidos e das informações trocadas, a experiência do retorno às fontes se reveste de um sentido profundo de encontro com Cristo Pastor Eterno da Igreja. O Santo Padre enviará através dos Bispos uma Bênção Apostólica para toda a nossa Diocese. Essa bênção realiza o que Cristo disse a Pedro: “Pedro, rezei por ti, para que tua fé não desfaleça, e tu, uma vez convertido, confirma os teus irmãos” (Lc 22,32). O Santo Padre reza por nós. E sempre pede a cada um que o encontra: “Reze por mim! Temos, portanto, esse compromisso, mais intenso ainda neste mês de setembro, de rezar pelo santo Padre, admirar sua coragem e lucidez diante dos confrontos com o mundo, sua sabedoria em conduzir as dificuldades dentro da própria Igreja. E agora que ele mesmo reconhece que as forças estão diminuindo, acompanhar com as nossas preces para que se sinta fortalecido ao oferecer a Igreja e a Cristo toda a sua vida em verdadeiro martírio diário. Vivamos em comunhão com ele, e estaremos, também, unidos a Cristo Pastor.

Dom João Bosco, ofm

Bispo Diocesano de Osasco