Notícias

Testemunho: Missões Ribeirinhas

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Durante todo o mês de outubro estive em missão nas regiões ribeirinhas do baixo Rio Branco. São comunidades que vivem à beira do rio e têm como único transporte os barcos. A maioria dos moradores são retirantes do Estado do Amazonas, que por vários motivos deixaram sua terra natal para buscar nova sorte em outro lugar. Vivem da natureza: pesca e algumas plantações, principalmente mandioca e banana. Outros frutos a própria natureza oferece, tais como: açaí, pupunha, buriti, castanha, caju, mamão, goiaba, etc, que os passarinhos e outros animais plantam. É a sabedoria de Deus presente.

É uma vida bem diferente: mais sadia, mais tranquila, sem barulhos. Logicamente que tem muitas dificuldades também. Alguns produtos industrializados já chegam, tipo: refrigerantes, salgadinhos e alguns outros, que vêm estragar a pureza do povo e prejudicar a saúde. A televisão também está presente e, de forma precária, até a internet. Em parte é bom, em parte não. As tecnologias são boas quando sabemos usá-las.

Em relação à Igreja, essas comunidades ficam meio abandonadas pois os missionários passam apenas duas vezes por ano, devido as grandes distâncias (mínimo dois dias de viagem de barco), e os outros tantos compromissos que os missionários têm com outras comunidades. Tudo lá é mais difícil, mas mesmo assim os líderes cristãos católicos conduzem as comunidades com celebrações dominicais, catequese e terços. Outras religiões estão sempre presente, principalmente Assembleia de Deus e Adventista do Sétimo dia. Eles, de certa forma, levam vantagem porque o pastor está sempre ali perto deles. Em tudo isso tem uma coisa que é muito bonita: eles não fazem discriminações entre as religiões. Respeitam-se e convivem tranquilamente. São amigos e irmãos porque também muitos são parentes.

Foi muito bom estar com eles, pois aprendemos mais do que ensinamos, principalmente a viver com pouco e com muita simplicidade; sem ter cobiça e apego ao dinheiro. Aprendemos também a fazer as coisas sem pressa, sem estar presos ao relógio: as coisas vão acontecendo na velocidade das águas dos rios (geralmente com calma).

As famílias são mais numerosas e as crianças mais livres e alegres. Ainda fazem aquelas brincadeiras antigas, como pega-pega, esconde-esconde, batem as mãos cantando alguma música infantil.  Também são muito comuns as rodinhas de conversas: jovens e adultos que ficam fora, à noite, devido ao grande calor, e alimentam longas conversas. Isso é muito bom: reunir, conversar, sorrir. É algo que não se vê mas nos grandes centros.

“Bem aventurados os pobres em espírito” (Mt 5,3). Que nós todos saibamos aproveitar as coisas boas da cidade grande sem perder a alegria e a simplicidade e o desejo de estar perto dos irmãos, conviver com eles. Que Deus abençoe sempre esse povo simples e a nós todos também. Sejamos sábios a aprendamos grandes lições dos humildes.

Padre Norberto Savietto pertence ao clero da Diocese de Jundiaí (SP) e atua em Roraima pelo Projeto Missionário Sul 1 – Norte 1.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

 

Tags

Palavra do Presidente

NOVO ESTATUTO DA CNBB

Facebook

Assine nossa newsletter

Conheça nossos parceiros.