Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no whatsapp

A Igreja celebra com grande solenidade a festa de São José: o Evangelho da missa nos fala da sua vocação: “Eis que um anjo do Senhor lhe apareceu em sonhos e lhe disse: ‘José, filho de Davi, não temas receber Maria por esposa, pois o que nela foi concebido vem do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho, a quem porás o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo de seus pecados’. Tudo isso aconteceu para que se cumprisse o que o Senhor falou pelo profeta: Eis que a Virgem conceberá e dará à luz um filho, que se chamará Emanuel (Is 7,14), que significa: Deus conosco. Despertando, José fez como o anjo do Senhor lhe havia mandado e recebeu em sua casa sua esposa” (Mt 1,20-24).

São José se sentia continuamente um homem privilegiado. Nunca se acostumou com todas as graças que Deus reservou para ele, desde o início da sua vocação de esposo de Maria e pai adotivo de Jesus. Não cabia em seu coração a alegria de contemplar a santidade radiante de Maria e o Verbo de Deus feito homem, Jesus. Todas as noites, elevava seu coração em ação de graças a Deus por haver vi- vido mais um dia na intimidade do lar de Nazaré, com Maria Santíssima e com Jesus. Já de madrugada, deveria acordar com as primeiras luzes da aurora, feliz por começar um novo dia de trabalho e de convivência amorosa com Maria e Jesus. Sempre consideraria uma honra, uma alegria, um privilégio, poder servir, oferecer seus trabalhos, seus esforços para levar adiante sua Sagrada Família. Nós também devemos pensar da mesma forma: temos Jesus no sacrário, temos amor a Nossa Senhora, temos as pessoas ao nosso lado, a quem servimos, com quem convivemos, por quem trabalhamos. Como São José não achava nunca nada excessivo, nada pesado, nada exagerado – pelo contrário, tudo era para ele uma alegria –, assim também nós devemos aprender a servir a Deus e aos demais generosamente, sem reservas nem mediocridade.

Assim, podemos concluir que, para José, não havia monotonia: todos os dias, sentia um gosto enorme em começar o trabalho, pois sabia que eram momentos em que mais conversava com Jesus, que é o mesmo que conversar com Deus, fazer oração. Ele descobriu logo que o trabalho feito com Deus não cansa: dá gosto! Na oficina de Nazaré, viveu os longos anos da sua vida de trabalho. Foram os dias mais abençoados porque ele pôde estar mais perto de Cristo. Os anos mais felizes. Ainda que sempre tenha vivido pobre, considerava-se o homem mais feliz: ninguém teve Deus tão perto como ele. Dentro da sua própria casa!

Queremos amar a Deus com um coração puro e generoso como o de São José, que é mestre no amor a Jesus e a Maria Santíssima. Nós também nunca deveríamos perder a consciência desse privilégio da vocação divina. Esta sorte imensa de poder transformar todas as nossas tarefas em amor, de santificar o trabalho que temos entre as nossas mãos, de amar e servir as pessoas que Deus nos confiou.

Dom Carlos Lema Garcia 

Bispo auxiliar da Arquidiocese de São Paulo