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Religiões se reúnem para pedir paz

“Em nome de Deus, Paz!” Esta foi a prece elevada por cristãos, judeus e muçulmanos reunidos na Catedral da Sé na tarde deste domingo, 7, para um encontro inter-religioso pela paz no Oriente Médio e no mundo.

Participaram do ato líderes cristãos – Igrejas Católica Apostólcia Romana, Católica Greco-Melquita, Ortodoxa Antioquina, Episcopal Anglicana, Evangélica de Confissão Luterana e Presbiteriana Unida –, Comunidade Muçulmana e Congregação Israelita Paulista, além da presença na assembleia de membros de tradições religiosas como o Budismo e religiões de matriz africana.

No ato, os líderes fizeram orações e preces pela paz segundo suas tradições. A celebração contou também com a participação do Coral da Catedral da Sé, além da cantora de origem judaica Fortuna Safdié e do coral dos monges do Mosteiro São Bento.

Após o momento de oração, houve uma caminhada até o Pátio do Colégio, local da fundação da cidade de São Paulo, onde as lideranças religiosas assinaram uma declaração conjunta pela paz.

A iniciativa – Em entrevista coletiva com os demais idealizadores do encontro, o arcebispo metropolitano de São Paulo, Cardeal Odilo Pedro Scherer, falou aos jornalistas que este momento de oração pela paz foi pensado diante da situação de conflitos em que o mundo se encontra. “As religiões querem, podem e devem contribuir com a convivência pacífica e, sobretudo, que o nome de Deus não seja usado para promover a guerra e a violência contra quem quer que seja, mas para promover a fraternidade e paz no respeito e na justiça”, disse.

“A iniciativa de Dom Odilo de abrir a sua casa [a Catedral] para uma oração conjunta veio em uma hora importante, porque nós testemunhamos cristãos sendo perseguidos por serem cristãos, muçulmanos sendo perseguidos por serem muçulmanos e judeus sendo perseguidos por serem judeus. É isso que nós não devemos aceitar de forma alguma”, afirmou o Rabino Michel Schlesinger, da Congregação Israelita Paulista.

O Xeique Houssam El Boustani, da Comunidade Muçulmana de São Paulo, também falou sobre o objetivo do encontro. “Da casa de Deus, Catedral da Sé, queremos levantar a vós da paz para o mundo inteiro. Queremos mostrar que as casas de Deus são lugares que transmitem tranquilidade, a fé e a paz. Nós condenamos qualquer tipo de violência em nome de Deus, ou praticada em nome das religiões”.

Convivência pacífica – Respondendo aos jornalistas sobre as razões de não haver no Oriente Médio uma convivência pacífica entre as religiões como acontece no Brasil, o Rabino Michel ressaltou a própria formação do povo brasileiro por um número grande de imigrantes, desenvolvendo-se uma cultura de pluralismo e aproximação entre as diferentes religiões. “Vamos nos esforçar para que esses conflitos nunca sejam importados para o Brasil. Pelo contrário, se pudermos exportar essas boas relações, faremos tudo que estiver ao nosso alcance para influenciar positivamente o mundo para que haja tolerância, para que haja a paz”.

Os líderes religiosos também reconhecem que os problemas do Oriente Médio “não surgiram da noite para o dia”, mas são de séculos. “Mesmo assim, nós acreditamos que se os dirigentes políticos do Oriente Médio tomarem coragem de levantar a bandeira da paz, dividir as riquezas entre os povos, principalmente entre os pobres, mudarem o sistema de ensino, que planta o ódio em todas as partes, poderemos, sim, transformar aquela região”, salientou o Xeique.

“O problema do Oriente Médio não é religioso, mas, infelizmente, foi colocado um manto de religião sobre tudo isso para confirmar ideias políticas. As vítimas são de todas as religiões”, reiterou Dom Damaskinos Mansour, arcebispo ortodoxo antioquino.

Dom Odilo acrescentou que esses conflitos poderão ser superados com mudanças de mentalidade e de cultura. “Nós começamos isso no âmbito que nos é próprio, que as religiões difundam entre si esta cultura da paz e o respeito recíproco pelas religiões diferentes, sem se hostilizarem, procurando dar-se as mãos para trabalhar juntos pela paz”.

Veja o álbum de fotos do encontro

Por Fernando Geronazzo, do Site da Arquidocese de São Paulo. Fotos Rejane Guimarães

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