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Iniciativa é parte do projeto Igrejas-Irmãs, iniciado em 2018, no qual as dioceses do Estado de São Paulo colaboram com Diocese de Pemba, onde a perseguição aos cristãos tem se intensificado nos últimos amos pela ação de extremistas islâmicos.

Regional Sul 1 da CNBB envia 3 missionárias a Moçambique
Regional Sul 1

As malas já estão prontas e o destino definido: um país que ainda sente as consequências da guerra civil que durou de 1977 a 1992, que recorrentemente é assolado por desastres naturais e que tem sofrido com os ataques de extremistas islâmicos.

Moçambique, mais especificamente a cidade de Pemba, na Província de Cabo Delgado, é para onde irão as Irmãs Dinorá da Santa Cruz, 27; Inês do Imaculado Coração de Maria, 30; e Sophia do Espírito Santo, 24, consagradas da Fraternidade O Caminho. A missa de envio aconteceu no dia 9, na capela da sede do Regional Sul 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), na capital paulista, tendo como celebrante principal Dom Pedro Luiz Stringhini, Bispo de Mogi das Cruzes (SP) e Presidente do Regional.

Desde abril de 2018, o Regional Sul 1 mantém o Projeto Igrejas-Irmãs, com campanhas para a ajuda solidária à Diocese de Pemba e o envio de missionários. Além das três irmãs, estão em missão naquela Igreja particular três frades, dois padres e uma leiga. O tempo de permanência de cada um é de quatro anos.

CHAMADAS À MISSÃO

Padre Thiago Faccini Paro, Secretário-executivo do Regional Sul 1 e que coordena o projeto atualmente, explicou à reportagem que os bispos do estado de São Paulo são os primeiros animadores da iniciativa, ao estimular em suas dioceses que leigos, padres, diáconos e religiosos se coloquem à disposição para essa missão ad gentes. Essa animação também é feita pelo Conselho Missionário Regional (Comire).

Para a Irmã Dinorá, o chamado à missionariedade começou desde quando houve o despertar para a vida religiosa consagrada. “Essa dedicação e entrega ao serviço e desígnios do Senhor já prepara os corações para o que Ele chamar”, assegurou.

Irmã Inês complementou que, uma vez inseridas na comunidade, as consagradas sentem o desejo ardente pela missão, e que, apesar do medo de ir para algo novo, elas têm a convicção de que esse é o convite do coração de Deus e querem corresponder-lhe.

“Deus nos dá muita sabedoria para desenvolver a nossa missão. Esta sabedoria é adquirida também no contato direto com os pobres, com a vivência autêntica no cuidado com essas pessoas que o mundo desvaloriza completamente”, afirmou Irmã Sophia.

CARREGANDO A CRUZ DE CRISTO

O mais recente relatório da Organização Internacional para as Migrações aponta que o número de deslocados na Província de Cabo Delgado aumentou 7% entre dezembro do ano passado e fevereiro deste ano, algo em torno de 50 mil pessoas. Ao todo, já são cerca de 784 mil deslocados, a maioria deles, 152 mil, de Pemba.

Desde outubro de 2017, extremistas islâmicos jihadistas têm perseguido recorrentemente a população de Moçambique. De acordo com um relatório da fundação pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre (ACN), publicado no ano passa- do, apenas em dezembro de 2020 mais de 2,5 mil pessoas foram mortas no país em aproximadamente 600 ataques. Nos últimos anos, os cristãos também foram alvos dos radicais, que vandalizaram estações de missão, a sede de uma rádio católica, um mosteiro beneditino, várias capelas e uma paróquia na cidade de Mocímboa da Praia.

Dom Antonio Juliasse Ferreira Sandramo, que tomará posse como Bispo de Pemba, no sábado, 21, falou sobre a realidade dos cristãos em Moçambique durante uma conferência on-line na Assembleia dos Bispos do Regional Sul 1 do ano passado.

“Ele mencionou em sua fala: ‘Estamos numa situação muito delicada porque a violência se agrava cada vez mais’. E, infelizmente, este cenário não mudou: os missionários e os habitantes locais vivem uma insegurança contínua pelas ameaças de terrorismo. ‘Os missionários encaram, diariamente, a cruz de Jesus, e vivenciam a fé por meio da dimensão do martírio’, recordou Dom Juliasse”, lembrou o Padre Thiago.

PIONEIRO NA MISSÃO

Padre Salvador Maria Rodrigues de Brito, da Diocese de Guarulhos (SP), foi um dos primeiros missionários do projeto. Ele permaneceu em Pemba por quatro anos e regressou ao Brasil em novembro de 2020. A experiência desse período está contada no livro “Uma missão de fé que transformou para sempre a minha cosmovisão”, publicado pelas Edições CNBB, em 2021.

“O livro narra a história de muitas histórias, a vida de ‘muitas outras vidas’. A inspiração do nome do livro está sobretudo interligada, de fato, com a experiência realizada; em primeiro lugar é, claro, que a maneira pela qual a Igreja olha o mundo é sempre a partir do dado da fé, este olhar é como se vê o universo. No entanto, minha experiência de fé missionária me possibilitou ampliar meu coração para amar sem fronteiras, tudo aquilo que minha consciência não fora capaz de compreender, como hábitos e costumes próprios de uma outra nação; sobretudo, religiosos, pois, na Província de Cabo Delgado, cerca de 30% são cristãos, e a maioria das pessoas professa a fé islâmica”, disse ao O SÃO PAULO.

Padre Salvador enfatiza que todo o livro é um retrato do rosto da Igreja e do povo da Província de Cabo Delgado, e que em cada capítulo são abordados elementos concretos da realidade cultural e social.

Questionado sobre os principais empecilhos enfrentados pela Igreja Católica em Moçambique, o Sacerdote lembra que o primeiro aspecto a ser considerado é que no país muitas pessoas ainda não ouviram falar nem conhecem a Jesus Cristo, em algumas aldeias a simples presença dos missionários é vista com receio e faltam estruturas básicas.

“As igrejas em sua maioria lá dentro das aldeias (nos matos) são todas com teto de capim, as pessoas andam muito para chegar até elas e se sentam no chão, ajoelham-se piedosamente na hora da consagração, têm uma piedade muito própria com as coisas sagradas. O Espírito lhes imprime uma naturalidade que parece movê-las sem precisar de muita instrução. A ausência de missionários é muito comum, muitos lugares ficam muito tempo sendo animados pelos fiéis leigos. Eu cheguei a visitar uma das minhas comunidades, isolada, e é algo admirável de fé: ali nunca havia chegado um missionário, tudo foi erguido pela fé de homens e mulheres simples e analfabetos, que rezam em sua língua local o Terço, a celebração dominical e davam até catequese, da maneira como podiam”, recordou.

Todos os recursos obtidos com a venda do livro serão destinados à construção da matriz da Paróquia Nossa Senhora da África, na aldeia de Mazeze, onde o Padre Salvador foi Pároco. Interessados em adquirir o livro podem entrar em contato pelo WhatsApp (11) 97172-7435.

COMO COLABORAR

A manutenção financeira dos missionários em Pemba se concretiza com um valor anual enviado por todas as dioceses do Regional Sul 1 e por meio das coletas e campanhas de evangelização, além de doações diversas.

“Toda e qualquer contribuição para os missionários são bem-vindas. A começar pelas orações que ajudam a encorajar e tranquilizar os corações missionários diante de tantas lutas diárias. O projeto também disponibiliza meios para contribuir de forma concreta e financeira nas coletas ou campanhas em favor da missão ou em doações pela Caritas Regional ou, ainda, se preferirem, por meio do PIX do Regional”, afirma o Padre Thiago.

DOAÇÕES

VIA DEPÓSITO BANCÁRIO:
CNBB – Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – Regional Sul 1
CNPJ: 33.685.686/0009-08
Banco do Brasil: 001
AG: 6914-0 CC: 40381-4

VIA PIX 
Chave: 33685686000908

 

Por Daniel Gomes – O São Paulo