Com a palavra o Presidente Destaques

Quem é o meu próximo?

Campanha da Fraternidade 2020

Tema: Fraternidade e Vida: Dom e Compromisso

Lema: Viu, sentiu compaixão e cuidou dele!

QUEM É O MEU PRÓXIMO?

A Campanha da Fraternidade 2020 reflete a partir do tema: Fraternidade e Vida: Dom e Compromisso, inspirada no lema: Viu, sentiu compaixão e cuidou dele! (Lc 10,33-34). Mais uma vez, aborda a temática da Vida, como já fez em outras ocasiões: Reconstruir a Vida: Onde está o teu irmão? (1974), Para que todos tenham vida (1984), Educação a serviço da vida e da esperança (1998), Vida sim, drogas não (2001), Pessoas idosas: dignidade, vida e esperança (2003) Água, fonte de vida (2004), Defesa da vida: escolhe, pois, a vida (2008), Economia e vida (2010) Fraternidade e a vida no Planeta (2011).

A vida é dom e compromisso. É dom de Deus e dádiva do seu amor ao criar o universo e, principalmente, o ser humano, sua imagem e semelhança. É compromisso do ser humano, chamado a responder ao amor de Deus, valorizando a vida humana e cuidando do próximo, especialmente os pobres, os excluídos e as vítimas da violência. A Campanha da Fraternidade faz referência também ao cuidado com a criação, isto é, o meio ambiente, a casa comum, o Planeta Terra. O Papa Francisco trouxe o conceito de ecologia integral, isto é, a síntese entre a ecologia humana e a ambiental (148-153).

O texto-base apresenta duas cenas inspiradoras: a parábola do bom samaritano, contada por Jesus e relatada por São Lucas (Lc 10,25-37) e o motivo do cartaz, com a figura de Santa Dulce dos Pobres, no centro da cidade de Salvador, cercada pelos sofredores que ela atendia.

Na parábola do bom samaritano, um doutor da lei provoca Jesus, com a pergunta: “o que devo fazer para herdar a vida eterna?” Jesus devolve a pergunta, e o doutor da Lei já sabe a resposta: amar a Deus de todo o coração e ao próximo como a si mesmo. Jesus então exorta: “Faze isso e viverás”. Não satisfeito, faz outra pergunta: “E quem é meu próximo?” Jesus responde contando a parábola do bom samaritano, o qual, diante de um “homem que caíra nas mãos de assaltantes”, diferente do sacerdote e do levita, que não se importaram e passaram adiante, “viu, sentiu compaixão e cuidou dele”. O mestre da Lei entendeu e admitiu que o próximo foi o samaritano, pois foi “aquele que usou de misericórdia para com o caído”. Jesus então aconselha: “Vai, e também tu faze o mesmo”.

Santa Dulce dos Pobres tornou-se, em nosso tempo, exemplo vivo da presença do bom samaritano entre os pobres. Na Bahia (1914-1992), atravessou o século XX fazendo o bem, visto que “aos 13 anos, passou a acolher mendigos e doentes em sua casa, transformando a residência da família em um centro de atendimento” (n. 29). Depois, como religiosa, socorria os pobres, cuidando de famílias de operários e desempregados. Chegou a construir um consultório para cuidar dos doentes. Mais tarde, sem ter para onde ir, levou seus doentes para o Convento Santo Antônio, onde habitavam as religiosas de sua congregação, instalando-os no galinheiro, que em pouco tempo se tornaria um dos maiores hospitais públicos do Brasil (cf. n. 29).

Ver, julgar e agir são três passos que constituem o método das campanhas da Fraternidade, apresentando um caminho de conversão do cristão: constatar e conhecer a realidade, analisá-la segundo os critérios do Evangelho e agir por meio da caridade, as boas obras. O bom samaritano da parábola seguiu esses passos: “Viu, sentiu compaixão e cuidou dele”.

As Campanhas da Fraternidade ajudam a Igreja olhar e ver os caídos de hoje e tornar-se uma Igreja samaritana. Olhando a realidade do Brasil, vê-se que há crianças e adolescentes vivendo em situação de extrema pobreza, que milhões de menores vivem em domicílios com renda mensal inferior ou igual a um quarto de salário mínimo (n. 30), que “a desigualdade é um triste distintivo da sociedade brasileira” (n. 31), fazendo com que os pobres tenham sua renda diminuída e os poucos ricos tenham a deles aumentada; que “o aborto é uma ameaça à vida das crianças já no ventre materno” (n. 32) e que o desemprego humilha o ser humano e agride sua dignidade (cf. n. 36). Há outras chagas, como as agressões aos povos indígenas (42) e o feminicídio” (44).

O bom samaritano sentiu compaixão e usou de misericórdia. São sentimentos provindos do coração de Deus e representados na parábola filho pródigo que o pai acolhe de braços abertos e faz festa para celebrar sua volta à casa. Jesus dá exemplo semelhante quando se aproximou do leproso e, “movido de compaixão, estendeu a mão, tocou-o” e o curou (Mc 1,41).

Uma Igreja samaritana é aquela que vê, compadece e cuida, lançando assim um “olhar de esperança” e acendendo “luzes de solidariedade” (72), haja vista a ajuda para os que precisam vencer as drogas e o alcoolismo, a presença junto aos moradores de rua (73), o amor na família (74), “os 74 mil voluntários da Pastoral da Criança que, em todo o Brasil, atendendo mais de 800 mil crianças” (75), as 26 pastorais sociais (saúde, menor, sobriedade, pessoa idosa, pastoral da aids, mulher marginalizada, etc), as casas pró-vida, trabalhando para evitar o aborto (75), o setor da juventude, a pastoral familiar, catequistas, movimentos eclesiais e novas comunidades (76), comissão pastoral da terra, conselho indigenista missionário (77), a presença da Igreja nas periferias (79).

Quanta coisa! E é preciso ainda mais! Fazendo coro às palavras de Cora Coralina, o cristão é interpelado a ser, “o colo que acolhe, o braço que envolve, a palavra que conforta, o silêncio que respeita, a alegria que contagia, a lágrima que corre, o olhar que acaricia, o desejo que sacia, o amor que promove. E isso não é coisa de outro mundo, é o que dá sentido à vida” (81).

O olhar, as palavras e os gestos de acolhimento de Jesus têm a força de transformar a dureza de coração e dar a todo ser humano, como ao mestre da Lei da parábola, a oportunidade de uma profunda conversão e empenho na construção do Reino de Deus, que é de paz, justiça e fraternidade.

Dom Pedro Luiz Stringhini
Bispo de Mogi das Cruzes
Presidente do Regional Sul 1 da CNBB

Mogi das Cruzes, 06 de março de 2020

 

 

 

 

 

 

 

 

Dom Pedro Luiz Stringhini
Bispo diocesano de Mogi das Cruzes
Presidente do Regional Sul 1 da CNBB

Mogi das Cruzes, 25 de fevereiro de 2020

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