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                Estamos próximos à homologação e oficialização das candidaturas para as eleições 2022. Discussões, opiniões já estão circulando há certo tempo. Nesta minha palavra deste mês quero de maneira bem simples dar alguns “conselhos”, que julgo importantes para que possamos viver uma festa da democracia e, ao mesmo tempo, utilizar aquilo que é bem peculiar ao cristão: o discernimento.

  1. Não é correto dizer que a Igreja não faz política e que não faz política partidária.
  2. Sendo a política uma forma sublime de amor, a Igreja não pode estar distante da política. Faz parte da dimensão socio transformadora do Evangelho zelar pela dignidade da pessoa humana em todas as dimensões. Isso não significa a defesa de um partido político, mesmo quando, em pronunciamentos oficiais, critica-se ou elogia-se esta ou aquela ação de um partido.
  3. A Igreja faz, sim, política partidária. Ao clero é proibido fazer política partidária. Um padre ou um bispo não pode nem mesmo inscrever-se num partido. Não faz parte da missão dos pastores da Igreja. Aos leigos e leigas – QUE TAMBÉM SÃO IGREJA – cabe, sim, a missão e até mesmo o dever de fazerem política partidária, bem como, candidatarem-se a cargos eletivos através de um partido, caso se sintam chamados a viverem este serviço. Evidentemente, tudo deve ser feito dentro de um discernimento verdadeiramente cristão. Cabe também aos leigos promoverem espaços de diálogo e busca de comunhão no mundo político e político-partidário. Não se trata de promover batalha de ódio e desrespeito. Importante também é a participação dos leigos nos Conselhos paritários em todas as esferas, bem como a militância por maior atuação das políticas públicas.
  4. Nosso Salvador é Jesus Cristo: Ele, o único sem pecado, e que nos redimiu pelo sangue derramado na Cruz. Nenhum candidato, nenhuma candidata pode arvorar-se em se apresentar como salvador ou salvadora. Muito menos apresentar-se como impecável. Não procuremos impecáveis, pois não encontraremos.

Temos, sim, que discernir entre candidatos e partidos que apresentem propostas (não promessas) e projetos (não compra de votos) que expressem maiormente aqueles valores que tornam presentes os valores do Reino. Aqui precisa o discernimento. Nem todos os candidatos e partidos apresentam valores totalmente evangélicos. Isso não é motivo para votar em branco ou nulo. Temos que escolher candidatos ou partidos que mais abram perspectivas de diálogo, ainda que proponham valores que não condizem com nossa fé.  Já disse: Nosso Salvador é Jesus Cristo, não precisamos de outro ou outra.

  1. Atualmente as “fake News” – notícias falsas – espalhadas nos mais variados meios de comunicação e compartilhadas indistintamente, têm feito muito mal à democracia. São fontes de ódio, vingança e até mesmo de atentados contra a vida. Antes de compartilhar, procure saber se a notícia é verdadeira e clara. Procure os caminhos corretos para identificar se uma notícia é verdadeira ou falsa. Na dúvida, não compartilhe.
  2. Caso não esteja em um momento de reflexão à luz da Palavra de Deus na comunidade, não entre em discussão sobre candidatos, partidos e propostas políticas. Procuremos sempre conservar a unidade pelo vínculo da paz, o que não quer dizer sinceridade e verdade; quer dizer fraternidade. Vivamos o ser irmãos. “Fratelli Tutti”. O mesmo “conselho” vale para o ambiente familiar. Cuidado para que os grupos de família nas redes sociais não se tornem “campo de batalha”, como nas eleições de 2018,

Espero poder dar mais “conselhos” no próximo mês.

Dom Edmilson Amador Caetano, O.Cist

Bispo diocesano de Guarulhos

Vice-presidente do Regional Sul 1 da CNBB