Artigos

Oração, jejum e esmola

Na quaresma somos particularmente convidados a exercitar a oração, o jejum e a esmola. A oração diária é o respiro da alma. Orar é colocar-se na presença de Deus que está sempre presente e perto de nós. A oração não aproxima Deus de nós pois Ele já está sempre presente, mas a oração nos aproxima d’Ele, pois nos distraímos e nos preocupamos com muitas coisas e, facilmente, nos distanciamos de Deus. Nós precisamos de Deus, não o contrário. Alguns católicos, quando vão à Igreja, parecem estar fazendo um favor para Deus.

Nós vamos à Igreja, inicialmente, porque necessitamos de Deus. Posteriormente, com a fé mais amadurecida vamos à Igreja por amor e não mais por necessidade. A oração comunitária, na liturgia da Igreja, é completada com a oração íntima e individual no escondido quarto do nosso coração. A verdadeira oração não consiste em muitas palavras ou bonitos e profundos pensamentos, muito menos em intensas emoções espirituais passageiras, mas a verdadeira oração consiste em amar, em estar na intimidade com Deus.

Você se sente íntimo de Deus ou Ele lhe parece um desconhecido ou um juiz severo do qual é melhor procurar certa cautela e distanciamento? Deus é seu Pai, Deus é seu amor.

Faça o propósito quaresmal de, todos os dias, permanecer em silêncio amoroso diante de Deus por dez a quinze minutos. Tome a decisão de todos os domingos, dia do Senhor, ir à Igreja para encontrar-se com a sua família espiritual e, juntos, adorar, louvar, agradecer e pedir ao Pai as graças necessárias para a sua vida, para sua família, para o nosso mundo. Como os pais se alegram ao ver sua família reunida e feliz ao redor da mesa, assim o coração de Deus se alegra ao ver seus filhos e filhas reunidos ao redor da mesa do altar na Casa de Deus. Infelizmente, a preguiça e o comodismo estão deixando muitos cristãos isolados, sem participar da sua Igreja e, consequentemente, padecem de anemia espiritual. Para os anêmicos na fé tudo cansa, tudo pesa e a vida é vista, não como um dom de Deus, mas como um fardo a ser carregado.

O exercício espiritual do jejum é renunciar a tudo aquilo que é nocivo para a nossa vida e eliminar todos os excessos. O jejum deve ser modernizado. Tradicionalmente, ele se referia essencialmente à comida. Hoje, além da comida, temos que acrescentar o jejum da internet, jejum do consumismo, jejum das bebidas e drogas, jejum dos prazeres ilícitos. Todos estes jejuns vão tornar a nossa alma mais leve e esbelta e a nossa vida será mais tranquila e feliz, pois o jejum dos excessos e dos vícios torna a nossa vida mais profunda e forte. Infelizmente, muitos estão com a alma obesa e mal conseguem caminhar na estrada da vida, muito menos têm forças para enfrentar a dura luta da existência.

O exercício da esmola é a prática da gratuidade. Esmola é dar gratuitamente a si mesmo, ou dar algo de si para o bem do outro. A essência da esmola não está na grandeza ou importância do objeto doado, mas na generosidade e gratuidade do gesto de doação. Muitos fazem o bem visando algum interesse próprio. É verdade que Deus é bom pagador, como afirmava Santa Teresa de Ávila, enquanto na terra temos que trabalhar muito para ganhar pouco, Deus é um bom patrão que nos paga muito pelo pouco que fazemos. Até um copo de água dado por amor será recompensado. Exercitemos dar um sorriso gratuito, sem interesses escondidos. O nosso mundo seria muito melhor se houvesse mais gratuidade nos relacionamentos entre nós. Infelizmente, até no relacionamento com Deus muitos não conseguem ser gratuitos e se aproximam d’Ele, não por amor, nem mesmo pela dor, mas para ficar rico. “O amor ao dinheiro é a raiz de todos os males” (1Timóteo 6,10).

Dom Rubens Sevilha, OCD, bispo de Bauru

Adicionar Comentário

Clique aqui para comentar

Palavra do Presidente

NOVO ESTATUTO DA CNBB

Facebook

Assine nossa newsletter

Conheça nossos parceiros.