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Núncio em Jerusalém: necessidade de gestos fortes para a paz

1_0_812574Jerusalém – (RV) – A situação no Oriente Médio ainda é motivo de grande preocupação. Em 3 dias de bombardeios israelenses à Faixa de Gaza, pelo menos 80 pessoas foram mortas, entre elas várias crianças, e há pelo menos 550 feridos. Além disso, continuam sendo lançados foguetes contra Israel. Nesta quinta-feira, 10, houve uma reunião do Conselho de Segurança da ONU para tratar do tema. O Secretário-Geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, disse que a região não pode permitir outra guerra. Israel afirma que, em menos de 3 dias, foram disparados 365 foguetes da Faixa de Gaza, um a cada dez minutos. Alguns caíram perto da central nuclear de Dimona, outros alcançaram lugares próximos a Haifa. O Egito reabriu a passagem de Rafah para favorecer o atendimento aos feridos.

Enquanto a diplomacia internacional trabalha por um cessar-fogo, a hipótese foi descartada nesta quinta-feira, 10, pelo premier israelense, Benjamin Netanyahu. Ele afirmou que uma trégua com o Hamas “não está na agenda.” Israel assegura que não será cortado o fornecimento de energia elétrica e de água na Faixa de Gaza. O presidente da Palestina denunciou que se houver um ataque por terra, pode ocorrer um genocídio.

Diante desta situação, é grande a preocupação do Núncio Apostólico em Israel e delegado apostólico para Jerusalém e Palestina, Dom Giuseppe Lazzarotto. Em entrevista a Rádio Vaticano, ele disse que “não há dúvidas de que o momento é de grande preocupação, porque o que aconteceu nos últimos dias trouxe outras preocupação à situação complexa que já existia. “É preciso bom senso e do senso de limite, me refiro principalmente aos políticos que devem tomar as decisões. De outra parte, é preciso coragem, como disse o Papa Francisco em tantas ocasiões e continua a repetir: a paz necessita de gestos corajosos, senão, torna-se difícil parar uma situação de conflito, que tende a aumentar,”afirmou Dom Giuseppe.

Ele diz ainda que as declarações dos líderes nas últimas horas são ainda mais preocupantes porque, segundo suas palavras, “estamos no limite.” “Há uma linha que não se pode ultrapassar, caso contrário será muito difícil voltar atrás. Espero que exista consciência e grande senso de responsabilidade, das duas partes,” reforçou o Núncio Apostólico. “Devemos todos nos empenhar, pois aqui temos tantas pessoas de boa vontade que desejam a paz, querem e se empenham também com gestos concretos e práticos, como ensina o Papa Francisco. Como o grande gesto que ele fez ao convidar os dois presidentes a rezarem juntos, para refletir juntos, para dar uma mensagem forte,” disse Dom Giuseppe. Declarou ainda que este evento recente do encontro dos líderes não pode ser esquecido. “Não é verdade que foi esquecido, que não serviu para nada. Não é verdade. São gestos fortes, mensagens fortes que foram lançadas e que devem sempre estar presentes e serem consideradas como pontos de referência, porque esta é a estrada que precisa seguir,” completou.

Enquanto isso, a Igreja Católica do Oriente Médio continua a desenvolver seu programa de contatos com ambas as partes. “Há o contato com nossas comunidades, com os responsáveis das comunidades religiosas, com as pessoas individualmente e também com os políticos, os nossos contatos normais com o governo. Estamos sempre procurando estimular o diálogo, o acordo, a solução, o encontro de uma via pacífica para resolver os conflitos,” concluiu. Jornalistas e analistas que acompanham o conflito no oriente médio afirmam que o risco de uma guerra é muito alto, pois é a primeira vez, em muitos anos, que a situação pode ficar fora de controle. (EF)

Fonte: Rádio Vaticano

 

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