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“Ninguém pode se omitir na luta pela construção de uma sociedade justa, solidária e sustentável ecologicamente”

“Ninguém pode se omitir na luta pela construção de uma sociedade justa, solidária e sustentável ecologicamente”, disse o frei Gilvander Moreira (foto), advertindo os participantes do Seminário das Pastorais Sociais da CNBB Regional Sul 1, realizado, entre os dias 29 a 31 de julho, no Centro de Formação Sagrada Família, o XIII Seminário Anual das Pastorais Sociais, com o tema Terra, nossa casa? a partir da Encíclica do Papa Francisco, Laudato si’.

 Participaram do evento o Presidente da Comissão Episcopal para o Serviço da Caridade, da Justiça e da Paz da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Regional Sul 1, dom João Inácio Müller; o assessor das Pastorais Sociais, padre Walter Merlugo Júnior, da diocese de Bragança Paulista; representantes dos organismos e pastorais sociais e ecológicas e pessoas ligadas ao tema.

“No seminário, destinado aos agentes de Pastorais Sociais, membros de Organismos, participantes de Movimentos e componentes de Entidades, tivemos a possibilidade de receber o assessor frei Gilvander Moreira, carmelita, que contribuiu nas palestras, rodas de conversas e reflexões focando no debate sobre a realidade social, ambiental e ecológica, entre outras vinculadas ao tema”, falou o assessor, padre Walter.

O frei Gilvander Moreira foi convidado a fazer a mediação do painel sobre os desafios sociais, ambientais e ecológicos. Com a presença de mais de 30 pessoas, de diferentes dioceses do Estado de São Paulo, “refletimos em conjunto sobre NOSSA CASA COMUM, corresponsabilidade de todos a partir dos vários aspectos que se entrecruzam: dimensões política, econômica, social, cultural, ecológica, religiosa etc. Vimos que devemos dedicar apenas 5 a 10% de nós à política partidária (democracia representativa) para elegermos os melhores ou os menos piores candidatos, mas devemos dedicar de 90 a 95% do nosso tempo e da nossa paixão e competência à Política enquanto luta pela bem comum. O poder emancipatório deve se alastrar nas bases. Vimos que o capitalismo (sistema do capital) é insuportável, uma máquina de moer vidas humanas e ecológicas. Não dá para ser pessoa cristã e capitalista ao mesmo tempo. Os omissos se tornam cúmplices. Ninguém pode se omitir na luta pela construção de uma sociedade justa, solidária e sustentável ecologicamente.”, avalia Gilvander.

O frei Gilvander afirmou ainda que não podemos deixar o povo ser seduzido por espiritualidades desencarnadoras, fundamentalistas, fomentadoras de teologia da prosperidade. Isso não é o Evangelho de Jesus Cristo.

Contribuição das dioceses para o tema Casa Comum, da Laudato Si

Disse, também, que as dioceses contribuíram para o tema Casa Comum, da Laudato Si, realizando a Campanha da Fraternidade de 2016 e buscando colocar em prática o que nos propõe o papa Francisco. “Ficou constatado também que as Pastorais Sociais, assim como as Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), devem retomar o trabalho de base, formação de lideranças e se reaproximar dos movimentos sociais populares. Não estavam no seminário agentes da CPT e nem do CIMI, pastorais imprescindíveis diante da iníqua estrutura fundiária do nosso país e diante da violência que está sendo perpetrada aos povos indígenas. Vem aí em janeiro de 2018, o 14º Intereclesial das CEBs, em Londrina, PR! Espero que até lá, sob a inspiração de Jesus Cristo e do papa Francisco, sejamos fiéis aos clamores dos injustiçados fortalecendo as Pastorais Sociais para, assim, reconquistarmos direitos sociais que estão sendo subtraídos do povo. Não é possível ser luz, sal e fermento sem incomodar quem usa e abusa no exercício dos poderes econômico, político e religioso.” disse ele.

Avaliação positiva– O assessor fez uma breve avaliação do seminário. Para frei Gilvander, o seminário foi bom e esperançoso por alguns pontos essenciais. “Primeiro, porque as Pastorais Sociais, filhas das Comunidades Eclesiais de Base, estão vivas: Pastorais: Operária, Carcerária, Criança, Saúde, Ecologia, Pessoa Idosa, Pastoral de Rua etc. Segundo, porque experimentamos que o bispo dom João Inácio Muller, como filho de Francisco, está animando o fortalecimento das pastorais sociais no Regional Sul 1. Terceiro, pela presença de veteranos e de novos integrantes, o que gera boa troca de experiência. Quarto, pela troca de experiência e reflexão que incomodou a todos nós. Quinto, pela amizade cultivada entre todos os presentes. Fomos interpelados pelos gritos dos injustiçados e pelos gritos ensurdecedores da mãe terra, da irmã água e de toda a biodiversidade crucificada pelo sistema do capital, pelo Estado vassalo do deus mercado, pelo capital financeiro e especulativo, pelos omissos que são cúmplices etc.”, avaliou.

Ao final do encontro, Dom João Inácio presidiu a celebração eucarística, concelebrada pelo padre Walter.

 

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