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O lançamento do relatório, publicado pela CPT, fez memória da Margarida Alves
Na noite da última quinta-feira dia 12, a Comissão Pastoral da Terra (CPT) Regional São Paulo realizou live de lançamento da publicação: Conflitos no Campo Brasil 2020, relatório que reúne os dados sobre os conflitos e violências sofridas pelas trabalhadoras e trabalhadores do campo brasileiro, povos tradicionais, como indígenas e quilombolas, das águas e das florestas.
O lançamento foi transmitido pelo Facebook da CPT-SP e fez memória a Margarida Maria Alves, de Alagoa Grande, na Paraíba, assassinada em 12 de agosto de 1983, há exatos 38 anos, por fazendeiros da região.
O evento virtual contou com a participação do coordenador nacional da CPT, José Carlos Lima, da coordenadora estadual, Andrelina Vieira Quinto, além de outros convidados que atuam na luta pela terra e em movimentos sociais, como Mônica Chaves, Sérgio Sauer, Padre Antônio Naves e Roberval Freire.
Abrindo a live, Mônica falou sobre Margarida Maria Alves e o seu legado que incentiva a luta pelos direitos até hoje. A Marcha das Margaridas, por exemplo, que acontece desde 2019 e reúne centenas de mulheres do campo em Brasília, com repercussão internacional. Em seguida, José Carlos da Silva Lima fez uma análise mais recente, inclusive juntando todo retrocesso do atual governo, já iniciado no governo Temer.
Carlos, por sua vez, disse que o Caderno de conflito é lançado em dois contextos: de um lado o da pandemia que afetou a humanidade, e do outro lado, um cenário negacionista e contrário à vida dos mais empobrecidos e da natureza. O governo, ressaltou, age pelo desmonte das leis que defendem a vida e pelo incentivo ilícito da violência no campo. Os dados revelam o maior número de conflitos por terra, de invasões de território e de assassinatos em disputa pela água já registrados.
Já Sérgio Sauer fez análise histórica na questão do Campo, abordando história, memória e realidade, da primeira redação do Caderno de Conflitos até agora. Por fim, Andrelina agradeceu aos convidados, e reiterou dizendo que essa luta por terra e direitos não é uma luta apenas da CPT, mas uma luta de todas as pastorais.
O Relatório
Segundo o documento, “nesse ano foram mortas 4 pessoas em conflitos pela água, maior número já registrado nesse tipo de conflitos, e todas foram vítimas do mesmo crime, que ficou conhecido como Massacre do Rio Abacaxis, no Amazonas. Além disso, o contexto político somado ao grave momento pandêmico que vivemos evidenciou a fragilização a que os trabalhadores e trabalhadoras estão expostos. Essa realidade ficou clara com o aumento dos conflitos trabalhistas, 96 ocorrências, o maior número em 6 anos. Estavam 1.104 trabalhadores e trabalhadoras nessas ocorrências, um aumento de 25% em relação ao ano de 2019.
O documento ainda aponta os dados gerais de conflitos no campo, revelando que o número de ocorrências passou de 1.903 em 2019, para 2.054 em 2020, um aumento de 8%. Esse é o maior número de ocorrências de conflitos no campo já registrado pela CPT, desde 1985. O número de pessoas envolvidas nesses conflitos passou de 898.635 em 2019, para 914.144 em 2020, um aumento de quase 2%.
Os dados gerais do Relatório no estado de São Paulo, apontam 42 conflitos no campo por terra, trabalho escravo e conflitos por água, sendo 7.125 pessoas atingidas.
Para assistir a transmissão ao vivo, basta acessar o canal da Coordenação Regional da CPT no Facebook clicando aqui.
Por Assessoria de Comunicação do Regional Sul 1