A palavra “influência” significa intervenção, manifestação, mediação ou intermediação. A ação de quem tem influência é aquela de atuar para influir ou interagir no comportamento e nas decisões de outros. Em tempos de redes sociais, surgiram e ganharam relevância os chamados influenciadores.

Eles são pessoas que usam seu talento próprio e peculiar, além dos recursos disponíveis nas redes sociais, para influenciar a opinião de seus seguidores. Alguns influenciadores alcançam milhares e até milhões de pessoas com suas postagens. Sem nenhuma ilusão de otimismo cego ou de pessimismo doentio, precisamos olhar para a realidade dos influenciadores com esperança e cautela.

Essa é uma exortação do Concílio Vaticano II, que já em sua época refletiu sobre os riscos e potenciais dos avanços tecnológicos.

Nesse caminho de reflexão, o eixo é sempre a Palavra de Deus, que embora tenha sido escrita há tanto tempo, continua sendo um tesouro de onde podemos tirar coisas novas, para iluminar o presente de nossas comunidades.

O capítulo quatro do Evangelho, segundo São João, conta o momento do encontro entre Jesus e uma mulher samaritana, um encontro que acontece sob circunstâncias diferentes. Enquanto os discípulos foram à cidade para comprar alimentos, Jesus ficou próximo a um poço e por volta da hora sexta, a samaritana veio buscar água, trazendo seu jarro. Jesus dá início a um diálogo com a samaritana pedindo água, e o que acontece depois é um processo de primeiro anúncio, catequese, conhecimento de si mesmo e conversão.

A samaritana interrogou Jesus sobre as diferenças entre eles, suas crenças e sobre o lugar onde adorar a Deus. Mais que dar respostas, Jesus levou a samaritana a um questionamento existencial. Perguntou sobre a vida dela, sobre os seus fracassos humanos. A samaritana teve sua vida desvelada e ao mesmo tempo revelada no encontro com Jesus. Isso nos recorda as palavras do Papa Bento XVI: “Ao início do ser cristão, não há uma decisão ética ou uma grande ideia, mas o encontro com um acontecimento, com uma Pessoa que dá à vida um novo horizonte”[1].

Foi a partir desse encontro que a samaritana abandonou seu jarro e voltou para a cidade, carregando uma Boa Notícia. Quando voltaram da cidade, os discípulos ficaram admirados que Jesus falasse com uma mulher.

Tanto os discípulos como a mulher samaritana foram à cidade, mas é importante notar que apenas ela foi capaz de transmitir a Boa Notícia da presença de Jesus e trazer outras pessoas até ele.

A samaritana teve a capacidade de influenciar os outros a respeito de Jesus, enquanto os discípulos continuaram preocupados com suas questões. É nesse ponto que a cena do Evangelho nos questiona sobre a capacidade de influência e sobre quem são os influenciadores, seja no passado ou nos dias atuais.

Partindo de sua experiência pessoal, a samaritana foi capaz de criar um vínculo que transmitiu confiança e ao mesmo tempo despertou a fé no povo da cidade, que a escutou. A partir daí, caminharam até Jesus, para conhecê-lo pessoalmente. A samaritana foi uma influenciadora da Igreja em saída[2], mais que os discípulos.

No contexto atual das redes sociais, os novos areópagos, é preciso considerar a existência dos influenciadores com esperança e cautela. Há muitos influenciadores católicos, com idade, perfil e conteúdo diferentes, que são seguidos por milhares ou até milhões de pessoas.

Todo o conteúdo postado por eles é relevante e condiz com a doutrina católica? Possivelmente não e deve ser orientado de acordo com o Magistério. Essa nova expressão da evangelização pode ser ignorada ou combatida? Claramente não é o que se deve fazer, é preciso acompanhar. Entre os influenciadores católicos de hoje e a mulher samaritana há mais semelhanças que diferenças, há mais benefícios que dificuldades e problemas.

A partir do Evangelho a mulher samaritana se torna um modelo, um paradigma de influência para os discípulos e para a Igreja de hoje.

Dom Devair Araújo da Fonseca
Bispo de Piracicaba