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Igreja debate tráfico de pessoas e órgãos humanos, na CF-2014

cf_reduzida1Terminou na manhã deste domingo (27), o Encontro Estadual de Preparação da Campanha da Fraternidade-2014, que traz o tema “Fraternidade e Tráfico Humano” e lema “É para a liberdade que Cristo nos libertou” (Gl 5, 1).

Realizado entre os dias 25 a 27 de outubro, no Centro de Espiritualidade Inaciana (CEI), em Itaici, Indaiatuba, SP, o encontro possibilitou informações, materiais e trocas de experiência entre os participantes para combater o tráfico de pessoas. A realidade que envolve o tráfico humano e de órgãos foi amplamente discutida durante os três dias de encontro coordenado pela Equipe Regional da CNBB – Sul I.

“Trata-se de crime multifacetado, altamente lucrativo, silencioso, de baixíssimo custo e de poucos riscos aos traficantes. A Igreja do Brasil ao propor como tema da Campanha para 2014 convida ao anúncio e denúncia, todas as pessoas a se empenharem contra esse tipo de sofrimento que interfere na dignidade humana”, segundo padre Antonio Carlos Frizzo, coordenador da CF.

Com base nas informações do Texto-base, preparado pela Coordenação Nacional da CF, ficou evidenciado que estamos “diante de um crime silencioso e altamente rentável”, alertou dom Fernando Legal, Bispo Referencial da CF no Regional, durante os trabalhos.

O encontro contou com depoimentos de pessoas e de representantes das instituições envolvidas diretamente na causa de pessoas desaparecidas.

O crime organizado é responsável pelo desaparecimento de mais de 40 mil pessoas, por ano no Brasil, segundo o site www.desaparecidosdobrasil.org. Durante os debates, foram evidenciados as seguintes características:

Crime organizado – estrutura sofisticada e capilarizada para favorecer os serviços;

Rotas– existem várias rotas internas e internacionais – costumam sair do interior dos estados em direção aos grandes centros urbanos ou às regiões de fronteira internacional; Santos e Guarulhos são as portas de saída das  vítimas,

Invisibilidade – é um crime que não se evidencia – vítimas não denunciam, muitas não têm consciência da exploração,

Aliciamento e coação – é uma pratica comum – abordagem sobre a esperança de melhoria de vida – camuflam outras atividades ilegais,

Perfil dos aliciadores – conhecido da vítima, poder de convencimento – por vezes é também vitima – atraem com proposta de emprego,

As vítimas – normalmente, se encontram em situação de vulnerabilidade, na maioria dos casos, por dificuldades econômicas.

“Eis a realidade que nos desafia. Somente um trabalho articulado envolvendo igrejas, serviços públicos – MP (Ministério Publico), Secretaria da Justiça – e sociedade civil serão capazes de impedir o crescimento e impunidades desse tipo de crime”, ainda segundo dom Fernando Legal, “A dignidade humana não pode estar disponível aos interesses de máfias organizadas que há anos atuam no Brasil. Não nascemos para ser escravizados, mas para a liberdade de irmãos e irmãs de Jesus”, alertou dom Legal, ao concluir os trabalhos.

Para Antônio Evangelista, secretário regional da CF, o encontro foi bastante significativo. “O clima de alegria, envolvimento e responsabilidade social nortearam o encontro. Os representantes diocesanos, além dos materiais de apoio, voltaram para suas dioceses com muita animação para enfrentarem esta luta contra o Tráfico Humano em nosso regional e em nossa sociedade”.

O encontro recebeu 175 pessoas de varias cidades do Estado, representando 36 dioceses do Estado de São Paulo,

Opinião dos participantes

A coordenadora diocesana de Santos, Helenice de Queiroz Vizaco, disse que “a abordagem motivadora e estimulante contribuiu para um ambiente de conhecimento contínuo. As minhas anotações, enriqueceram o meu desejo de trabalho para essa nova proposta. Esperava que o Agir fosse mais pertinente, só assim, conseguiremos entrar nessa Campanha que é tão desafiadora”, pontuou.

O seminarista da Diocese de Osasco e membro da equipe da CF Diocesana, Thiago Jordão da Silva fala de sua primeira experiência como participante do evento: “para mim o evento foi muito importante, porque é a primeira vez que participo desse encontro que contou com o empenho de todos os envolvidos e pela dedicação dos membros da Igreja, em abraçarem a cada ano um tema que envolve, não somente a instituição católica, mas a toda a sociedade”. Ele também elogiou a metodologia usada no encontro. “Percebemos pelo método do Ver, Julgar e Agir, as maneiras como este tema esta intrinsicamente envolvido na nossa sociedade contemporânea, não somente brasileira, mas global. Um tema que por vezes é sufocado por interesses demasiados e que merece, assim como será tratado em 2014 pela Igreja, com mais importância”, opinou o seminarista.

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Dom Fernando Legal conduziu a Celebração de encerramento

 

De São Paulo, Renato Papis, Mtb 61012/SP. com contribuição do Pe. Antônio Carlos Frizzo. crédito das fotos Thiago Jordão da Silva.

 

 

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