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Francisco e os Bispos do Brasil

No dia 27 de julho, no Rio de Janeiro, o Papa Francisco quis encontrar-se com os Bispos do Brasil e “falar de coração a coração como Pastores a quem Deus confiou o seu Rebanho”.
 
Compartilhou conosco algumas reflexões. A primeira, partindo do evento Aparecida (pescadores, barco frágil, redes, imagem em dois pedaços e reconstruída, acolhida em casa) falou do mistério de Deus, que atrai as pessoas; mostrou diversas lições para a vida e a missão da Igreja.

Mostrou a atenção dos Bispos de Roma para com a Igreja no Brasil, especialmente o Beato João XXIII, o Servo de Deus Paulo VI, o Beato João Paulo II e Bento XVI. Lembrou que vivemos uma mudança de época e é urgente perguntarmos: O que Deus pede a nós? Ofereceu-nos uma linha de reposta, a partir do episódio de Emaús (Lc 24, 13-35), mostrando a necessidade de sermos uma Igreja capaz de aquecer os corações das pessoas; “precisamos de uma Igreja capaz de fazer companhia, de ir para além da simples escuta; uma Igreja, que acompanha o caminho pondo-se em viagem com as pessoas; uma Igreja capaz de decifrar a noite contida na fuga de tantos irmãos e irmãs de Jerusalém; uma Igreja que se dê conta de como as razões, pelas quais há pessoas que se afastam, contém já em si mesmas também as razões para um possível retorno, mas é necessário saber ler a totalidade com coragem. Jesus deu calor ao coração dos discípulos de Emaús”.
 
Em seguida, sublinhou alguns desafios da Igreja no Brasil. O primeiro é a prioridade da formação: Bispos, sacerdotes, religiosos, leigos. Ele fez uma interrogação: “se não formarmos ministros capazes de aquecer o coração das pessoas, de caminhar na noite com elas, de dialogarem com as suas ilusões e desilusões, de recompor as suas desintegrações, o que poderemos esperar para o caminho presente e futuro?” Depois afirmou: “Queridos Irmãos no Episcopado, é preciso ter a coragem de levar a fundo uma revisão das estruturas de formação e preparação do clero e do laicato da Igreja que está no Brasil. Não é suficiente uma vaga prioridade da formação, nem documentos ou encontros”.
 
Outro desafio é a colegialidade e solidariedade da Conferência Episcopal, quando disse: “Para a Igreja no Brasil, não basta um líder nacional; precisa de uma rede de «testemunhos» regionais, que, falando a mesma linguagem, assegurem em todos os lugares, não a unanimidade, mas a verdadeira unidade na riqueza da diversidade”.
 
O terceiro desafio sublinhado é o estado permanente de missão e conversão pastoral. “Aparecida falou de estado permanente de missão e da necessidade de uma conversão pastoral. São dois resultados importantes daquela Assembleia para a Igreja inteira da região, e o caminho realizado no Brasil a propósito destes dois pontos é significativo”.
 
Outro desafio é a função da Igreja na sociedade. O Papa disse: “No âmbito da sociedade, há somente uma coisa que a Igreja pede com particular clareza: a liberdade de anunciar o Evangelho de modo integral, mesmo quando ele está em contraste com o mundo, mesmo quando vai contra a corrente, defendendo o tesouro de que é somente guardiã, e os valores dos quais não pode livremente dispor, mas que recebeu e deve ser-lhes fiel”.
 
Por fim o Papa falou da Amazônia como teste decisivo, banco de prova para a Igreja e a sociedade brasileira. “A Igreja está na Amazônia, não como aqueles que têm as malas na mão para partir depois de terem explorado tudo o que puderam. Desde o início que a Igreja está presente na Amazônia com missionários, congregações religiosas, sacerdotes, leigos e bispos,  e  lá  continua presente e determinante no futuro daquela área”. Nossa  Arquidiocese  está na Amazônia com dois sacerdotes.
 
Desejo  que o ensinamento do Santo Padre  no  Brasil  nos  leve  a todos, pastores e fiéis, a uma reflexão sobre nossa missão na Arquidiocese.
 
Por Dom Moacir Silva, Arcebispo Metropolitano de Ribeirão Preto e Vice-Presidente do Regional Sul 1 da CNBB

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