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Dom Odilo Pedro Scherer escreve aos cristãos leigos no mês vocacional

cardealAos Cristãos Leigos e Leigas e suas Organizações na Arquidiocese de São Paulo

Caríssimos irmãos, irmãs:

O mês de agosto, no Brasil, é o “Mês das Vocações”. A Igreja pede a todos os seus filhos e comunidades que rezem intensamente pelas vocações de especial consagração no sacerdócio, na vida religiosa e no serviço missionário, e a promovê-las no seio das famílias e das comunidades.

Elas são muito importantes para a vida e o desempenho da missão da nossa Igreja.

Mas o Mês das Vocações também é proposto para uma tomada de consciência sempre maior da vocação comum a todos os batizados: somos um “povo  de chamados” a testemunhar o “Evangelho da alegria”, como discípulos missionários de Jesus Cristo, e a edificar o mundo segundo Deus. E aqui me dirijo especialmente a todos vocês, leigos e leigas da Arquidiocese de São Paulo.

Nunca é demais recordar as palavras do Concílio Vaticano II, referentes aos leigos, na Constituição Dogmática  Lumen Gentium, sobre a Igreja: “pelo Batismo, foram incorporados a Cristo, constituídos no povo de Deus e, a seu modo, feitos partícipes do múnus sacerdotal, profético e régio de Cristo, pelo que exercem sua parte na missão de todo o povo cristão na Igreja e no mundo” (LG nº 31). O Concílio especifica que esta vocação e missão tem, sobretudo, uma “índole secular”: “é específico dos  leigos, por sua própria vocação, procurar o Reino de Deus exercendo funções temporais e ordenando-as segundo Deus” (ibidem). Vale a pena reler os parágrafos seguintes, que continuam a tratar da identidade e da missão dos leigos na Igreja (cf LG 32-38).

Também a Exortação Apostólica pós-sinodal “Christifideles laici”,de São João Paulo II, continuam importante referência para a palavra da Igreja sobre os cristãos leigos.

Os leigos têm a vocação de tornar a vida e a missão da Igreja presente nos vários ambientes do mundo secular, onde eles estão inseridos pela vida familiar e social, pela atuação profissional e responsabilidades sociais. A dignidade fundamental de todos os batizados é a mesma e os membros da Igreja são todos chamados a desempenhar a própria missão de acordo com o dom recebido. Assim, os ministros ordenados receberam avocação e o dom de serem para os irmãos representantes e servidores de Cristo sacerdote, profeta e pastor. Os leigos receberam, sobretudo, a graça e a missão de fazer resplandecer no mundo, de muitas maneiras, a luz do Evangelho e de serem sal forte de preservação do que é bom e fermento de transformação das realidades humanas, segundo Deus.

Ao mesmo tempo, os leigos também participam das responsabilidades da vida interna da Igreja, ajudando a promover tudo o que for necessário para que a própria Igreja viva e desempenhe bem sua missão; participam, a seu modo, da missão de evangelizar, santificar e também governar, em união com os “sagrados pastores”. E mais: os leigos são chamados à grande vocação fundamental de todos os batizados: a santidade, como expressão da vida com Deus, transformada pela graça do Evangelho e pelo dom do Espírito de Cristo (cf. LG cap. V – Vocação universal à santidade).

Caríssimos irmãos leigos: como Arcebispo de São Paulo convido-os a se alegrare profundamente na fé e a valorizarem o dom recebido. Este Mês das Vocações sirva para renovar a consciência da preciosidade da fé da Igreja. Só tendo uma forte consciência desse dom e do nosso chamado e vocação em Cristo, seremos capazes de superar as tentações do desânimo, da murmuração e do azedume, das rivalidades e das vaidades humanas, que tendem sempre a se afirmar de novo entre nós também. Não estamos isentos de “tentações”, como alertou o papa Francisco na Exortação Evangelii Gaudium”(cf. “Tentações dos Agentes de Pastoral”, n. 76-109). Deixar-se levar por essas “tentações’, acaba  impedindo de viver a alegria da fé e o dinamismo da vocação cristã.

Os tempos atuais são de grandes graças de Deus, mas também exigem de todos muita coragem, generosidade e união de esforços. Desejo que saibam que rezo por vocês e os encorajo a viverem sua vocação e missão. Vivam unidos em suas paróquias e comunidades com os demais leigos, de várias organizações, e também com os que não se ligam a nenhuma organização especial, mas procuram viver sua fé, dando o testemunho de vida cristã onde se encontram e atuam. Vivam unidos também aos Párocos, pastores encarregados de animar a vida eclesial. Não esqueçam os cristãos que sofrem perseguições e martírio em várias partes do mundo.

Enfim, a CNBB está preparando um novo documento sobre os “Cristãos Leigos na Igreja e na Sociedade”; temos já um texto preparatório (Estudos da CNBB, 107), que está sendo lido e refletido em todo o Brasil. Convido a todos os leigos e leigas da nossa Arquidiocese a fazerem o mesmo; a CNBB também espera contribuições para enriquecer esse texto de estudos, antes que ele volte ao debate na assembleia geral da Conferência dos Bispos, para a sua aprovação como “Documento”. Conferir as orientações de Dom Leonardo, Secretário Geral da CNBB, na Apresentação do texto (p. 7-8).

O Domingo, dia 24 de agosto, será dedicado especialmente à vocação dos leigos e leigas.

Procurem organizar-se em suas comunidades, movimentos e outras organizações do laicato para promoverem a valorização da sua vocação laical na Igreja e no mundo. Terei a alegria de encontrar todos os que puderem estar na Catedral da Sé, na Missa das 11h00 do dia 24 de agosto. Deus os guarde e abençoe!

Odilo Pedro Scherer, Arcebispo de São Paulo e Presidente do Regional Sul 1

Fonte: Clasp
http://www.claspnet.org.br/site/?p=860

 

 

 

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