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13064501_10206465160688049_6068755806304911502_oO Secretário da CNBB Regional Sul 1, dom Júlio Endi Akamine (foto), representando o cardeal arcebispo dom Odilo Pedro Scherer,  prestigiou, na manhã de ontem (28), no auditório da sede do episcoado paulista, a solenidade de lançamento da campanha no combate às mortes por acidente de trabalho
A Pastoral Operária do Regional Sul fez nesta quinta-feira, 28 de abril, as 10h,30 na sede da CNBB Regional Sul 1 o lançamento da Campanha “Acidentes de Trabalho – culpa da vítima?” O evento teve assessoria do engenheiro de Segurança do Trabalho e integrante da Pastoral Operária da diocese de Santo André, Gilmar Ortiz.
A Oração de abertura, com cânticos teve como inspiração Eclesiástico 34, 26: “Quem tira o pão do pobre é assassino do próximo”. Foram lembrados os mortos em acidentes de trabalho nos preparativos para a Copa do Mundo no Brasil, as Olimpíadas no Rio de Janeiro, o acidente da barragem de Mariana e outros.
“É necessário o profetismo no meio operário, é preciso anunciar o direito e a justiça e denunciar as injustiças”, disse Antonia Carrara, na Pastoral Operária na acolhida. “Há muita dificuldade em atualizar dados sobre acidentes de trabalhos por omissão das empresas e medo de denunciar por parte das vítimas”, completou. Eduardo Paludette, da Pastoral Operária de São Paulo falou do objetivo da plenária. “Estamos fazendo o lançamento dessa importante campanha no dia em que celebramos o Dia Mundial em Memória das Vítimas de Acidentes de Trabalho (28 de abril) com o objetivo de desmistificar o “ato inseguro”, usado pelas empresas e por parte da mídia para culpar a vítima pelo acidente de trabalho”, falou. “A Pastoral Operária, ao completar 45 anos de luta, quer assumir o compromisso de debater e propor ações para que essa mentira seja erradicada. A questão dos acidentes de trabalho é muito ampla, a Pastoral tomou este viés, do chamado ato inseguro, para levar à desmistificação”, completou.
O assessor, engenheiro Gilmar disse, por estudos realizados, que o número de doenças no trabalho e mortes por acidente de trabalho é 22% maior que os números oficiais da Previdência Social. “Acidentes no trabalho matam 53 pessoas por semana no Brasil”, disse. “Além do mito do ‘ato inseguro’, ainda convivemos com a falsa e às vezes especulativa maneira como a mídia divulga as notícias”. Gilmar citou um exemplo de título de uma reportagem sobre os acidentes de trabalho: “Imprudência é causa maior de acidentes de trabalho”. No corpo da matéria, o jornalista detalha, especifica as falhas da empresa: más condições de trabalho, excesso de horas trabalhadas, falta de formação profissional etc. O próprio título já induz o leitor a aceitar o acidente de trabalho como “ato inseguro”, isto é, culpa da vítima.
Após a palavra do assessor, foi aberto debate, com significativos testemunhos de luta e de profetismo nas empresas, Sindicalistas, cipeiros, metalúrgicos e trabalhadores radialistas e metroviários deram testemunhos. Foi sugerido ainda que o próximo evento tenha a participação de técnicos de seguranças e parceria com a Pastoral da Saúde. Em suas falas, os debatedores pediram maior participação da Igreja na defesa do trabalhador. “Precisamos de apoio nas paróquias, nas comunidades, junto aos sindicatos e grupos de apoio à causa da defesa do direito do trabalhador”, disseram. Cidinha e Geraldo, da direção da P.O. Estadual deram as informações sobre os contatos com a Pastoral e perspectivas de ações de Pastoral de Conjunto.
O evento contou com a participação de agentes da Pastoral Operária da Arquidiocese de São Paulo, das dioceses de São Miguel Paulista, Santo André, Osasco e Guarulhos, sindicalistas, professores, metroviários, domésticas e funcionários públicos. Dom Julio Endi Akamine, Bispo Auxiliar da Arquidiocese de São Paulo (Vigário Episcopal da Região Lapa) e secretário da CNBB Regional Sul 1, representou o cardeal arcebispo dom Odilo Pedro Scherer. O diácono José Carlos Pascoal representou dom João Inácio Muller, bispo de Lorena e presidente da Comissão Episcopal Pastoral para o Serviço da Caridade, da Justiça e da Paz e o Fórum das Pastorais Sociais do Regional Sul 1. A reunião final foi encerrada com meditação e bênção ministrada por Dom Júlio.
Dom Julio encerrou sua fala recordando a encíclica Laborem Exercens, sobre o trabalho, de São João Paulo II. “O Magistério social da Igreja defende o direito de ‘dispor de ambiente de trabalho e de processos de laboração que não causem dano à saúde física dos trabalhadores nem lesem a sua integridade moral'”. (Laborem exercens, 19).

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A mística marcou a abertura do lançamento da campanha

 
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Durante o lançamento a PO. promoveu um debate sobre Acidentes de Trabalho

 
Com colaboração diácono José Carlos Pascoal, Fórum das Pastorais Sociais