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Dom Gilberto Pereira Lopes celebra 50 anos de Ordenação Episcopal

dsc_0089Prestes a completar 90 anos de vida, Dom Gilberto Pereira Lopes (foto), Arcebispo Emérito da Arquidiocese de Campinas, comemorou no último domingo, 18 de dezembro, 50 anos de ordenação episcopal.  E para comemorar a data, foi celebrada uma missa solene no último sábado, 17 de dezembro, na Catedral Metropolitana de Campinas.

 A celebração contou com a presença de Dom Airton José dos Santos, Arcebispo Metropolitano de Campinas, Dom Luiz Gonzaga Fechio, bispo de Amparo (SP), e Dom Moacir Aparecido de Freitas, bispo de Votuporanga (SP). Para participar da missa haviam padres ordenados por Dom Gilberto, diáconos e fiéis. Muito emocionado e ao mesmo tempo descontraído, Dom Gilberto Pereira Lopes contou um pouco sobre sua caminhada na vida da Igreja e brincou: “Não vou falar muito não, só mais uma hora”. O Arcebispo Emérito agradeceu a Deus pela comemoração do Jubileu Áureo de Ordenação Episcopal dizendo “Tudo é Graça, Senhor, na minha vida” e pediu para que toda a Catedral Metropolitana cantasse com ele a música “Minha alma canta-te, Senhor”.

Ao final da celebração, Dom Gilberto recebeu uma homenagem, dita pelo Padre João Batista Cesário, e um presente como forma de parabenizá-lo por tudo que é e fez. Para Padre Carlos Roberto Marassato de Moraes, pároco da Paróquia Santa Cruz e ordenado por Dom Gilberto em 1995, nosso Arcebispo Emérito é um modelo a ser seguido: “Dom Gilberto para nós é um pai espiritual, um modelo de fé, um modelo para nós sermos bons padres, porque ele foi um grande bispo da nossa Igreja. Então nós queremos pedir que Deus o abençoe muito, que lhe dê muita saúde, muita alegria e que ele possa continuar conosco, dando o seu testemunho de fé em Jesus e na Igreja”. Dentre os fiéis presentes na celebração, Maria Umbelina Matias, 75 anos, disse que sempre admirou a humildade e alegria de Dom Gilberto: “Na Comunidade Sagrada Família ele ia todo ano celebrar na época do Natal, lá no meio da favela, então para mim ele é muito humilde e acho que ele está vivendo tanto, assim, porque ele é abençoado, uma pessoa abençoada por Deus, e a gente torcer para ele continuar no nosso meio”.

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 Para encerrar a celebração, Dom Gilberto foi cumprimentado por todos os padres presentes, que foram ordenados por ele, e registraram o momento em uma fotografia. O Arcebispo Emérito recebeu com carinho os fiéis que foram até ele para parabenizá-lo.

“A Minha Presença é o Sim que dei ao Convite”Prestes a completar 90 anos de vida, destes, mais de 65 vividos como padre e 50 sob as vestes episcopais, Dom Gilberto Pereira Lopes carrega no rosto a marca da sabedoria, pelos anos e experiências vividas, e na alma uma espiritualidade tão profundamente enraizada que se estende aos que ele toca, com suas palavras ou convívio, capaz de espalhar o perfume da graça e do amor de Deus em nosso meio.

Nascido em 14 de fevereiro de 1927 na cidade bahiana de Santaluz, a cerca de 250km da capital Salvador, aos dez anos de idade mudava-se para Petrolina (PE) com os pais, Salustino Lopes de Souza e Alice Pereira de Souza – que buscavam oferecer aos filhos – três meninos e três meninas – uma educação melhor. “Minha primeira lembrança é de uma viagem para a roça, em 1931. Da infância, lembro-me principalmente de meus pais e meus irmãos”, relata Dom Gilberto em memórias redigidas este ano.

Foi lá, na “Princesa do Sertão”, como é chamada a cidade, que frequentou o Seminário Menor. 

Filosofia e Teologia foram cursados na também pernambucana Olinda, tendo como reitor o Padre Luiz do Amaral Mousinho, futuro Bispo e primeiro Arcebispo de Ribeirão Preto, e que mais tarde teria papel decisivo na vida do então seminarista. “Eu era tímido e de pouca prosa, bastante seletivo. Mas, de convivência, sem problemas maiores”, conta sobre o período no Seminário de Olinda, “vetusto e ladeado por palmeiras quase seculares”, como o descreve.

Na Catedral de Petrolina, em 04 de dezembro de 1949,  foi ordenado presbítero, por Dom Avelar Brandão Vilela, então Bispo de Petrolina, depois Cardeal Arcebispo de Salvador e Primaz do Brasil. Seis anos depois, atendendo ao convite do amigo e antigo Reitor, Dom Luiz Mousinho, transferiu-se para Ribeirão Preto, onde foi Vigário Cooperador da Catedral, Reitor do Seminário “Maria Imaculada” e Cura da Catedral. Incardinado na Arquidiocese de Ribeirão Preto em 1958, foi constituído Cônego Teologal do Cabido Metropolitano. De 1961 ao ano seguinte, cursou Pedagogia no Instituto Católico de Paris, apresentando o trabalho para licenciatura “Adolescência e Seminário Menor”.

 “Eu não queria ser Bispo e, de fato, nunca pensei em ser Bispo. E o Senhor, meu Deus, pela Igreja, me enviou para Goiás, como Bispo da Igreja de Jesus”, afirma. No dia 03 de novembro de 1966, foi nomeado 1º Bispo da Diocese de Ipameri (GO) tendo recebido a Ordenação Episcopal a 18 de dezembro de 1966, das mãos do então Núncio Apostólico do Brasil, Dom Sebastião Baggio. Foram co-sagrantes Dom Fernando Gomes e Dom David Picão. Dom Gilberto escolheu como lema Mysterium Christi Praedicare (Anunciar o Mistério de Cristo). Tomou posse em 02 de fevereiro de 1967. “A grande lembrança que tenho de Ipameri é que o povo cristão me ajudou a ser Bispo”, explica.

Em 1970, foi nomeado para o Conselho Nacional do Movimento de Educação de Base – MEB, da CNBB. Em 1974, assumiu a Coordenação da Linha VI – Pastoral Social da CNBB. No mesmo ano, na Comissão Episcopal de Pastoral da CNBB, foi eleito Secretário Geral do Regional Centro-Oeste da CNBB. Em 1975, foi eleito membro da Comissão Episcopal da Ação Social da CNBB e, no mesmo ano, membro da Comissão Episcopal de Ação Social do CELAM.

No ano seguinte, a vida de Dom Gilberto e a história da Arquidiocese de Campinas se encontram: nomeado pelo Papa Paulo VI, em 24 de dezembro de 1975, como Arcebispo Coadjutor, com direito à sucessão de Dom Antônio Maria Alves de Siqueira, toma posse no dia 07 de março de 1976, em Solene Celebração na Catedral Metropolitana. 

O homem de hoje, de semblante sereno e gestos suaves, talvez não revele, de pronto, o caráter forte do Arcebispo Emérito, pastor tão querido pelo rebanho, sacerdote que encara as benesses e vicissitudes da vida com a mesma confiança e obediência filiais ao Pai Eterno e, por que não dizer, com a força necessária para administrar os desafios de cada tempo. 

“Em várias ocasiões da minha vida, eu tive oportunidade de sentir a mão de Deus me conduzindo por trilhos mais convenientes”, relata Dom Gilberto em suas memórias.

 *Os relatos de Dom Gilberto aqui expostos são memórias extraídas de anotações, transcritas pelo Padre José Antônio Trasferetti e editadas pelo Professsor Paulo Pozzebon. Os textos podem ser lidos no livro “Dom Gilberto: no Tempo de Deus!”, lançado durante as comemorações dos 75 anos de PUC-Campinas, em 2016.

 Da Arquidiocese de Campinas, Com informações da Redação, Bárbara Beraquet

 

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