Ação Sociotransformadora Igreja no Brasil Nota Palavra Oficial

Ditadura não se comemora, nem as 317.646 mortes que se acumulam

A Comissão Brasileira de Justiça e Paz, organismo vinculado à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), juntamente com diversas entidades religiosas e da sociedade civil, divulgaram nota pública manifestando a indignação por aqueles que ainda insistem em comemorar a ditadura militar que se instalou no Brasil entre 31 de março de 1964 e 15 de março 1985.

Leia abaixo, a íntegra da Nota Pública, ou confira no site do Organismo. 

 

DITADURA NÃO SE COMEMORA, NEM AS 317.646 MORTES QUE SE ACUMULAM

“A ineficiência do Governo Federal, primeiro responsável pela tragédia que vivemos, é notória. Governadores e prefeitos não podem assumir o papel de cúmplices no desprezo pela vida. Assim, apoiamos seus esforços para garantir o cumprimento do rol de medidas sanitárias de proteção, paralelamente à imunização rápida e consistente da população. Que governadores e prefeitos ajam com olhos não só voltados para os seus estados e municípios, mas para o país, através de um grande pacto. Somos um só Brasil” (Nota de 10 de março de 2021 das entidades do Pacto pela Vida e pelo Brasil, entre elas a CNBB.)

Na madrugada de 31 de março de 1964, a democracia brasileira foi interrompida por um golpe que durou 21 anos, torturou e assassinou centenas de estudantes, religiosos e religiosas, trabalhadores da cidade e do campo e milhares de indígenas. O Brasil perdeu ali a possibilidade de se transformar em um país democrático de economia forte e menos desigual. A ditadura subordinou o país a interesses estrangeiros, concentrou a renda e a terra, ampliou a desigualdade, levando-a ao extremo com a fome de milhões de brasileiros e brasileiras.

Se ainda há quem comemore essa data é porque o país não soube concluir a transição à democracia, julgar e punir assassinos, torturadores e construir instituições democráticas sujeitas ao controle social.

Hoje o país é exemplo mundial de erros cometidos durante a pandemia. O negacionismo, a política genocida e a gestão ativa contra a ciência e a saúde foram responsáveis por grande parte das mortes e do sofrimento de famílias que poderiam ter sido evitados. Esse projeto de morte e a histórica desigualdade social brasileira, refletida em sua imensa parcela de população em situação de pobreza, tornaram-se os principais ingredientes dessa dramática crise sanitária.

Sem a continuidade da renda emergencial de 600 reais e sem assistência social e sanitária aos mais pobres e fragilizados, aos desempregados e aos trabalhadores informais, as políticas locais e estaduais de isolamento social não terão sucesso, seu custo social será enorme e a fome continuará ameaçando milhões de famílias. Os pequenos e médios empresários correm risco de falência e com eles os trabalhadores ficarão desempregados. A recuperação econômica só ocorrerá com o fim da pandemia.

Cada vez mais a sociedade está se dando conta do quão nefasto é o atual governo federal. É urgente e necessária uma mudança política, respeitando o Estado Democrático de Direito, para que se evite a continuidade das mortes em massa, seja garantida a vacinação para todos e todas pelo SUS – Sistema único de Saúde e se estabeleça um projeto nacional de recuperação econômica, com participação popular e controle social.

Este 31 de março é dia de valorizar, fortalecer e defender a democracia, a soberania popular e a vida. Coragem!

Brasília/DF, 31 de março de 2021.

CBJP – Comissão Brasileira Justiça e Paz

INESC – Instituto de Estudos Socioeconômicos

Comissão Episcopal Pastoral para o Laicato da CNBB

Comissão Episcopal Pastoral para a Ação Sociotransformadora da CNBB

CNLB – Conselho Nacional do Laicato do Brasil

CEFEP – Centro Nacional de Fé e Política Dom Hélder Câmara

Pastoral Operária Nacional Rede Jubileu Sul Brasil

CLASP – Conselho de Leigos da Arquidiocese de São Paulo

6ª Semana Social Brasileira

Comissão Regional de Justiça e Paz – Mato Grosso do Sul

Comissão Justiça e Paz – Arquidiocese de Londrina PR

Comissão Justiça e Paz de Brasília – CJP-DF

Comissão de Promoção da Dignidade Humana da Arquidiocese de Vitória-ES

Escola Fé e Política Pe. Humberto Plummen Regional Nordeste 2 (PE, AL, PB e RN)

Pastoral Social Comissão de Articulação para Economia de Francisco e Clara, Manaus/AM

Comissão Regional para Ação Sociotransformadora NE 2 (PE, AL, PB e RN)

Equipes Docentes do Brasil Grupo de Fé e Política Pe João Chribbin, Rio de Janeiro

NESP – Núcleo de Estudos Sociopolíticos da PUC Minas

Escola Diocesana de Fé e Política Maninha Xukuru Cariri Palmeira dos Indios/AL

Articulação Combonianoa de Direitos Humanos

Coletivo de Mulheres da Educação-AM

CEBI – Centro de Estudos Bíblicos/RN

BIOSTATERA – Consultoria, Assessoria e Gestão Ambiental

Centro Franciscano de Defesa de Direitos de Belo Horizonte/MG

Rede Educafro Minas

Associação de Defesa dos Direitos Humanos e Meio Ambiente na Amazônia- ADHMA

Escola Fé e Política Irmãos Juvenal Bomfim e Gabriel Hofstede, Garanhus/PE

Escola Arquidiocesana de Fé e Política – Pe Antônio Henrique Arquidiocese de Olinda e Recife

Centro de Educação Popular e Cidadania Zumbi dos Palmares, Maceió/AL

Ouvidoria Geral Externa da Defensoria Pública do Estado do Pará

Movimento de Mulheres Trabalhadoras Rurais, Araci/BA

Acesse o PDF do documento

 

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