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Dia da Pátria

Estamos em plena Semana da Pátria, neste ano de 2015. Em meio a tantos sinais de uma crise que vai se agravando e mostrando sua complexidade, é mais do que bem vindo o Dia da Pátria.  Com tantas divergências a nos dividir, parece que todos suspiramos pelo nosso Sete de Setembro, dia da proclamação de nossa Independência, momento propício para deixar-nos contagiar por sentimentos que nos unem.

Não é por nada que as palavras se assemelham. Com a Pátria, temos um “patrimônio” comum indispensável, a conservar, a recordar, a celebrar, e a nos orgulhar de nosso País, de nossa terra, de nossa gente, de nossa identidade nacional.

Corremos o risco de perder este patrimônio, diante do acirramento de posições divergentes, que exasperam os ânimos, e induzem a radicalismos, que toldam horizontes mais amplos, onde ainda seria possível reencontrar valores que permanecem ao longo da trajetória histórica de nosso País.

Parece conveniente, no clima de tensão que estamos vivendo, o convite para a constatação serena de valores que nos enchem de orgulho diante de nossa Pátria, sem negar as dificuldades que agora se manifestam, e o peso histórico de desigualdades e de injustiças estruturadas, que marcam ainda a identidade do Brasil.

Este convite à moderação visa suscitar um clima favorável para a sadia discussão de nossos problemas, sem ignorar sua gravidade, mas também sem descrer de nossa capacidade de enfrentá-los e resolvê-los. Muitas circunstâncias são agora ditadas pela crise que o País atravessa. Diante delas precisamos encontrar a maneira adequada de proceder. De tal modo que a crise se torne oportunidade de consolidação histórica de nossas potencialidades, que no decorrer do tempo precisamos consolidar.

O Dia da Pátria já é positivo pelo clima de euforia que espontaneamente suscita.  Muitos reduzem a celebração da Pátria a este clima festivo. E a maioria só olha as vantagens que o feriado proporciona.

Neste contexto, são salutares as iniciativas que visam resgatar para a cidadania a celebração do Dia da Pátria. Talvez a mais antiga é a “romaria dos trabalhadores”, que há décadas vem sendo realizada, no dia Sete de Setembro, em direção ao Santuário de Aparecida. Este fato não deixa de ser muito sintomático. A história moderna testemunha que o movimento operário coincidiu com um longo período de laicismo, que produziu a ruptura com as expressões religiosas. Agora o fenômeno é inverso: os movimentos sociais fazem questão de contar com o componente religioso, sobretudo em suas manifestações coletivas.

Outra iniciativa que emplacou muito bem foi o Grito dos Excluídos. Realizado a primeira vez em 1995, a partir de lá, ele vem marcando presença na promoção de manifestações populares, dentro do seu claro objetivo de resgatar para a cidadania a celebração do Dia da Pátria. Ele sempre contribui com a proposta de temas para debates e manifestações, com subsídios feitos com critério e competência.

Seja como for, o Dia da Pátria está propondo que nos defrontemos com nossos problemas com coragem e lucidez, ao mesmo tempo estando dispostos a superá-los com competência e determinação.

Por Dom Demetrio Valentini, bispo de Jales

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