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Cristãos leigos e leigas na Igreja e na sociedade

“Vós sois o sal da terra… Vós sóis a luz do mundo” (Mt 5,13-14).

Prezados irmãos e irmãs da Igreja de Deus que se faz presente na Diocese de Jundiaí:

Na última Assembleia – Aparecida (SP), 6 a 15 de abril de 2016, os Bispos da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) aprovaram o Documento intitulado: Cristãos leigos e leigas na Igreja e na sociedade – Sal da terra e luz do mundo (Mt 5,13-14) (Documentos da CNBB, n. 105). Com este Documento, a Igreja do Brasil quer, uma vez mais, valorizar a vocação e a missão dos cristãos leigos e leigas. De fato, queridos irmãos leigos e irmãs leigas, vocês têm uma real importância dentro do Povo de Deus. Gostaria de destacar cinco pontos principais deste Documento da CNBB.

1º) A identidade e a dignidade da vocação laical − O Concílio Vaticano II (1962-1965) enfatizou a comum e igual dignidade de todos os membros da Igreja, a partir do Batismo e da Confirmação: pois, “comum a graça de filhos, comum a vocação à perfeição; uma só salvação, uma só esperança e uma caridade indivisa. Nenhuma desigualdade, portanto, em Cristo e na Igreja, por motivo de raça ou de nação, de condição social ou de sexo” (Constituição Dogmática sobre a Igreja Lumen Gentium [“Luz dos Povos”], n. 32). Portanto, os leigos e leigas são, antes de tudo, cristãos: ser cristão é, portanto, a condição comum a todos os batizados. Por isso, o último Documento da CNBB qualifica o cristão leigo como verdadeiro sujeito eclesial, e isto “significa ser maduro na fé, testemunhar amor à Igreja, servir os irmãos e irmãs, permanecer no seguimento de Jesus, na escuta obediente à inspiração do Espírito Santo e ter coragem, criatividade e ousadia para dar testemunho de Cristo” (n. 119).

2º) A vocação e a missão dos cristãos leigos e leigas − A Igreja, como Povo de Deus, não evoca apenas a sua unidade, mas também a sua diversidade. De fato, assim como o corpo tem muitos membros, mas nem todos os membros têm a mesma função (cf. Rm 12,4-5), a Igreja é “um só corpo” (Ef 4,4) na diversidade dos dons, serviços e ministérios. Estes não são apenas funções ou ofícios necessários para a organização da Igreja. Os dons provêm do mesmo Espírito Santo e são dados para a edificação de toda a Igreja (cf. 1Cor 14,12). Se a missão que cabe aos ministérios ordenados (bispos, presbíteros e diáconos), em virtude do Sacramento da Ordem, é manter a Igreja unida na fé e na caridade, servindo à comunidade pela tríplice missão de ensinar, santificar e pastorear, cabe aos cristãos leigos e leigas a missão própria e específica de serem “sal da terra e luz do mundo” (cf. Mt 5,13-14) na Igreja e no mundo. Sem negar a inserção dos cristãos leigos e leigas nos inúmeros trabalhos pastorais na Igreja, porém, é nas realidades e nos ambientes do mundo que eles são chamados a viver a sua missão, contribuindo, a modo de fermento (cf. Mt 13,33), isto é, por dentro, na transformação do mundo segundo o projeto do Reino de Deus. A 3ª Conferência do Episcopado Latino-Americano, realizada em Puebla (México), no ano de 1979, assim definiu o cristão leigo: “homem de Igreja no coração do mundo e homem do mundo no coração da Igreja” (cf. n. 786d).

3º) A ação transformadora dos cristãos leigos e leigas na Igreja e no mundo − Como discípulos missionários de Jesus Cristo os cristãos leigos e leigas em muito contribuem para tornar a Igreja mais misericordiosa, consoladora, samaritana, profética, serviçal e missionária: enfim, uma Igreja discípula missionária do Mestre. O Documento dos Bispos salienta também que a ação dos cristãos leigos e leigas no mundo pode ser exercida de várias maneiras. Primeiro, a ação rotineira feita com amor e dedicação nas funções diárias na família, no trabalho e no lazer. Outros ambientes importantes para a ação transformadora dos cristãos leigos e leigas são: a política, os sindicatos e associações de bairro, a cultura e a educação, as comunicações e o cuidado com o meio ambiente, a nossa “Casa Comum”.

4º) Espiritualidade – Os cristãos leigos e leigas não podem viver verdadeiramente sua vocação e missão na Igreja e no mundo sem uma comunhão profunda e íntima com Jesus Cristo. É só a partir de Jesus Cristo que eles, os cristãos leigos e leigas, “infundem uma inspiração de fé e de amor nos ambientes e realidades onde vivem e trabalham” (n. 185). O Documento dos Bispos qualifica esta espiritualidade como “encarnada”, isto é, marcada pela vivência da vida no Espírito pela inserção no mundo. Longe de ser intimista e individualista, a espiritualidade dos cristãos leigos e leigas é marcada pela espiritualidade de comunhão e missão.

5º) Formação – Sem uma formação permanente e atualizada, os cristãos leigos e leigas não conseguem, muitas vezes, forças e inspiração para viver autenticamente sua vocação e missão na Igreja e no mundo. Só a formação de sujeitos eclesiais e socialmente conscientizados consegue capacitar os cristãos leigos e leigas no seu compromisso e na sua paixão pela Missão. Neste sentido, a Diocese de Jundiaí é agraciada pelo trabalho do Centro Catequético Diocesano Dom Gabriel, que se faz presente em cinco Núcleos Teológicos nas cidades de Jundiaí, Itu, Salto, Santana de Parnaíba e Várzea Paulista. Infelizmente, nem sempre os nossos cristãos leigos e leigas sabem aproveitar deste importante centro de formação teológica.

Queridas irmãs e queridos irmãos diocesanos: elevo uma sincera ação de graças pela presença e atuação de tantos cristãos leigos e leigas em nossa querida e amada Diocese de Jundiaí: mulheres e homens, adultos, jovens, adolescentes e crianças. Agradeço também a Deus pela participação do Conselho Diocesano de Leigos que tem buscado formar, articular e organizar o nosso laicato.

Peçamos a Maria, que nos deu Jesus, a verdadeira e única “Luz do Mundo” (Jo 8,12), que interceda por todos os nossos cristãos leigos e leigas, para que se tornem cada vez mais verdadeiros sujeitos eclesiais, “sal da terra e luz do mundo” (cf. Mt 5,13-14).

E a todos abençoo, particularmente os cristãos leigos e leigas da nossa Igreja Diocesana.

Dom Vicente Costa
Bispo de Jundiaí – SP

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