Notícias

Criança e consumo: um desafio para a IAM

CRIANA~1A infância atual está mercantilizada. A criança que nos circunda é precoce, pois foi elevada, pelo mercado, ao status de consumidora antes de estar apta ao exercício pleno de sua cidadania. O Natal que deveria celebrar a festa do nascimento do menino Jesus Salvador virou tempo de consumo. Aliás, já avançamos para o hiperconsumo e a descartabilidade, em que somos invadidos e bombardeados por mensagens publicitárias persuasivas que nos convidam, por todos os lugares que transitamos, a consumir sem reflexão. Mensagens que nos vendem a ideia da realização de sonhos, da felicidade e da inclusão social por meio da posse de mercadorias. Nossas crianças não ficam fora dessa lógica. Elas são, desde muito cedo, incitadas a fazer parte da engrenagem do mercado, sendo olhadas e tratadas como um nicho de mercado, público a ser considerado pela cultura do consumo.

Vitrines lotadas dos mais variados brinquedos, merchandising dentro da programação infantil até das escolas, com produtos licenciados apelativos e embalagens chamativas são algumas técnicas de comunicação mercadológica utilizadas para atingir os pequenos. O grande problema está no fato de que as crianças são seres em desenvolvimento psíquico, afetivo e cognitivo e que a maioria delas, até os doze anos, ainda não tem a capacidade crítica e de abstração de pensamento para compreensão total do discurso persuasivo. Além disso, as crianças menores ainda confundem a publicidade com conteúdo da programação, estando em uma fase essencial de aprendizagem e de formação de hábitos: alimentares, de consumo e sociabilidade. Vale então pensarmos quais hábitos e valores estamos ensinando às crianças contemporâneas? Hábitos consumistas e valores materialistas que priorizam o ter em detrimento do ser. O individual acima do coletivo. A competição ao invés da cooperação. Esse fenômeno se mostra presente na troca dos agentes educadores, pais e educadores, que estão sendo suprimidos pelas mídias, principalmente a televisiva. As crianças brasileiras são as que mais assistem TV no mundo e, segundo dados de 2008 do IBOPE, elas passam uma média de 4 horas e 54 minutos do seu dia em frente às telas. Sendo assim, as mídias funcionam hoje como uma educação informal e têm o poder não só de entreter como o de informar e até educar. Mas, as mídias educam para o consumo e não para a cidadania e valores bíblicos.

A criança educada pelas mídias será, obviamente, uma consumidora no futuro, ainda mais em função do tempo consumista que vivemos. Porém, devemos refletir que o problema da mercantilização da infância é urgente e não pode mais ficar restrito à esfera familiar e escolar, pois suas consequências têm impactos graves ligados à economia, à sociedade e a própria criança. Sendo assim, fica claro o papel do assessor da Infância e Adolescência Missionária (IAM) e dos educadores como agentes formadores do consumidor do futuro, pois a IAM tem se tornado um lugar privilegiado para a reflexão entre o ser e o ter. A IAM ainda é um pequeno oásis para as crianças, pois a mesma é gerida não por tendências mercadológicas, mas por princípios bíblicos, pautados na igualdade e fraternidade entre todos.

dsc_0413Consumo infantil 

– Ninguém nasce consumista. O consumismo é uma ideologia, um hábito mental forjado que se tornou uma das características culturais mais marcantes da sociedade atual. Não importa o gênero, a faixa etária, a nacionalidade, a crença ou o poder aquisitivo. Hoje, todos que são impactados pelas mídias de massa são estimulados a consumir de modo inconsequente.

– As crianças vivenciam uma fase de peculiar desenvolvimento e, portanto, são mais vulneráveis que os adultos. Elas estão nessa lógica consumista e infelizmente sofrem cada vez mais cedo com as graves consequências relacionadas ao excesso do consumismo: obesidade infantil, erotização precoce, consumo precoce de tabaco e álcool, estresse familiar, banalização da agressividade e violência, entre outras. Nesse sentido, o consumismo infantil é uma questão urgente, de extrema importância e interesse geral.

– Para o mercado, antes de tudo, a criança é um consumidor em formação, consumidor de hoje e do amanhã, e uma poderosa influência nos processos de escolha de produtos ou serviços. No Brasil, a publicidade na TV é a principal ferramenta do mercado para a persuasão do público infantil. Este é chamado cada vez mais cedo a participar do universo adulto ao ser exposto às complexidades das relações de consumo sem que esteja efetivamente preparado para isso.

Pe. André Luiz de Negreiros é secretário Nacional da Pontifícia Obra da IAM. Publicado no SIM – Serviço de Informação Missionária das POM. N. 4 – Out/Dez 2014o para isso.

 

 

Palavra do Presidente

NOVO ESTATUTO DA CNBB

Facebook

Assine nossa newsletter

Conheça nossos parceiros.