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Como se expressa a vocação laical, no HOJE de nossa História!

Foto: Schoenstatt.org

Para celebrar o mês vocacional, especificamente a Semana dedicada à vocação dos cristãos leigos e leigas em seus diversos serviços pastorais e sociedade, a Comissão Episcopal para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada do Regional Sul 1 da CNBB, divulga texto para recordar a data.

O Batismo torna o ser humano participante da própria vida da Trindade Santa e o convoca a caminhar no seguimento de Jesus Cristo, encarnação do projeto de Salvação do Pai para todo o Universo e nele, de forma especial, para toda a Humanidade.

São Paulo, na carta aos Romanos, indica a vocação laical e também sua missão, pois vocação e missão são inseparáveis, uma está em função da outra. Amados e chamados, por Deus, os leigos e leigas nesse e por esse amor, são chamados à missão. E nesse sentido, o Apóstolo dos gentios diz: “Eu vos exorto, irmãos, pela misericórdia de Deus, a oferecerdes vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus: este é o vosso verdadeiro culto. Não vos conformeis com este mundo, mas transformais-vos, pela renovação da vossa mente, para que possais distinguir o que é da vontade de Deus, a saber, o que é bom, o que lhe agrada, o que é perfeito.” (Rm 12,1-2)

O Papa João Paulo II ensina a ver com clareza e precisão a vocação e missão dos cristãos leigos e leigas, referindo-se ao Concílio Vaticano II: “o Concílio descreve a condição secular dos fiéis leigos indicando-a, antes de mais, como o lugar onde lhes é dirigida a chamada de Deus: ‘Aí são chamados por Deus’. E continua: Dessa forma, o estar e o agir no mundo são para os fiéis leigos uma realidade, não só antropológica e sociológica, mas também e especificamente teológica e eclesial, pois é na sua situação intramundana que Deus manifesta o seu plano e comunica a especial vocação de ‘procurar o Reino de Deus tratando das realidades temporais e ordenando-as segundo Deus’” (CfL, 15). Sendo assim, o mundo é o lugar do chamado, da primeira vocação e da missão do Cristão leigo.

A novena da Mãe Aparecida deste ano faz um apelo a “revestir-se da Palavra de Deus”. Sim, revestidos dessa Palavra Viva, os leigos e leigas se empenham na edificação do Reino, e assumem responsabilidades sociais, políticas, culturais, familiares, eclesiais para a tornar a sociedade mais justa e mais fraterna. Uma sociedade que respeite a Criação na sua integralidade, e principalmente que respeite a natureza humana, mulheres e homens, com a dignidade com que foram criados por Deus e por Ele são mantidos com sua presença, pois Ele “na realidade não está longe de cada um de nós; de fato, nele vivemos, nos movemos e existimos” (At 17,27b-28a).

Que projeto, que programa, que indicação melhor desejar para o laicato? Contando que haja busca do laicato em vivê-lo no dia a dia, no cotidiano das ações, na situação real onde se está e atua, nos relacionamentos e vivencias com os irmãos e irmãs, nas trocas de experiências, nas alegrias e nas tristezas, como no ensinamento da Gaudium et Spes: “as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos aqueles que sofrem, são também as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos discípulos de Cristo; e não há realidade alguma verdadeiramente humana que não encontre eco no seu coração” (GS, 1).

O cristão leigo não pode perder de perspectiva o sofrimento e a pobreza em que está inserido o povo de Deus. Lembremo-nos do Papa Bento XVI em seu discurso inaugural da V Conferência do Episcopado Latino-Americano e do Caribe, e retomado no Documento de Aparecida: “Por isso a opção preferencial pelos pobres está implícita na fé cristológica, naquele Deus que se fez pobre por nós, para nos enriquecer com sua pobreza” (DI 3 in DAp 392).

Ainda é preciso frisar que a missão do cristão leigo se refere às dimensões interna e externa da Igreja sem haver contradição entre essas duas atuações. A vida do discípulo missionário só é plena quando ocorre em todas as suas potencialidades e possibilidades. Por isso, o laicato exerce sua missão nas comunidades eclesiais, nas pastorais, nos movimentos eclesiais e sociais, nas organizações de bairro, nos Conselhos Populares, na luta em defesa do meio ambiente, na luta por políticas públicas e direitos dos trabalhadores, na participação social, na educação, na saúde, na política, na família, na escola, ou seja, em todas as dimensões da realidade humana.

Todos os leigos e leigas estão sendo chamados a vivenciar a 6ª Semana Social Brasileira, que pede Terra, Trabalho e Teto, e têm pela frente o Grito dos Excluídos, em Defesa da Vida. Empenhos como esses contribuem para a consecução do que diz o Papa Francisco, “re-almar a economia” em vista de condições adequadas de vida para todos. Nesse sentido, o Papa conclama o laicato para o projeto ‘Economia de Francisco e Clara’.

O Batismo é a resposta do Cristão leigo ao chamado particular de Deus, um chamado individual e pelo nome, para ser discípulo missionário na construção do Reino de Deus. A vocação laical é expressa por uma espiritualidade específica e encarnada. O Documento ‘Cristão Leigos e Leigas na Igreja e na Sociedade’ (CNBB – 105) fala sobre uma espiritualidade encarnada caracterizada pelo seguimento de Jesus, pela vida no Espírito, pela comunhão fraterna e pela inserção no mundo. O encontro com Jesus Cristo convida à vivência de uma espiritualidade integral, através da conversão pessoal, da formação bíblico-teológica e do compromisso missionário. O cristão leigo encontra Deus nas realidades temporais, sempre cheia de conflitos e contradições, e alimenta sua espiritualidade na Palavra de Deus, na Eucaristia e na vida comunitária.

Retomemos o que diz Aparecida em sua introdução: “Nossa alegria, portanto, baseia-se no amor do Pai, na participação no mistério pascal de Jesus Cristo que, pelo Espírito Santo, nos faz passar da morte para a vida, da tristeza para a alegria, do absurdo para o sentido profundo da existência, do desalento para a esperança que não engana. … O amor do Pai nos foi revelado em Cristo que nos convidou a entrar no seu reino.” (DAp. 17)

Por fim, para completar a compreensão genuína de “como se expressa a vocação laical, no HOJE de nossa História”, é preciso que os olhares se voltem para a Mãe de Deus e nossa. Maria é o grande modelo de vivência da vocação dos leigos e leigas, pois serviu ao projeto do Reino e à missão de salvação de seu filho, como discipula de fé, compromisso e simplicidade.

Pedimos que Nossa Senhora Aparecida, Mãe e Padroeira dos brasileiros, interceda pelas vocações laicais, pelas famílias e pelos desafios do nosso Estado de São Paulo.

Comissão para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada da CNBB do Regional Sul 1

 

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