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Encontro reúne Bispos das grandes cidades e debatem problemas sociais

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Inicialmente realizado entre os arcebispos de São Paulo e Rio de Janeiro, diálogo sobre os assuntos das grandes cidades já reúne mais de 20 bispo. Educação, imigrantes e refugiados foram temas de destaque.

Na segunda-feira, 4, arcebispos e bispos de 23 dioceses se reuniram no Centro de Formação Sagrada Família, no bairro do Ipiranga, em São Paulo (SP), para um encontro que debateu temas diversos, como as questões do mundo da educação, dos imigrantes e refugiados e da população em situação de rua. De acordo com o Cardeal Odilo Pedro Scherer, arcebispo de São Paulo, o objetivo do encontro foi partilhar, de modo informal as “questões desafiadoras e encaminhamentos pastorais nas grandes metrópoles, que têm muita coisa em comum”, a fim de melhor conhecer tais desafios e encontrar possíveis encaminhamentos.

Dom Carlos Lema Garcia, bispo auxiliar da Arquidiocese e vigário episcopal para a Educação e a Universidade, falou aos prelados sobre a atuação do Vicariato e das iniciativas que tem realizado, como, por exemplo: curso de extensão em ensino religioso; visitas às diretorias de ensino da rede pública; seminários de formação para professores de história; palestras para coordenadores de ensino; cartilha sobre uso da água, com base na CF 2016; e parcerias com escolas particulares e públicas.

O Bispo ressaltou, ainda, a necessidade de “relançar a identidade católica, assumir como próprias as conquistas científicas e sociais. Por exemplo, dignidade da pessoa humana, respeito pela vida desde a concepção à morte natural, família-célula da sociedade, doutrina social e ecologia”. Dom Airton José dos Santos, arcebispo de Campinas (SP), comentou sobre a preocupação com a “terceirização” do ensino católico. Para o Arcebispo, é preciso que as escolas que nascem católicas tenham cuidado para não deixar, com o passar dos anos e o envelhecimento da Congregação que a fundou, que a identidade católica da instituição se perca. Os padres Júlio Lancellotti, vigário episcopal para o Povo da Rua, Marcelo Matias Monge, diretor da Cáritas Arquidiocesana de São Paulo, e Paolo Parise, diretor do Centro de Estudos Migratórios, pertencente à Missão Paz, apresentaram a realidade da população em situação de rua em São Paulo e a acolhida realizada aos migrantes e refugiados. De acordo com o Padre Marcelo Monge, a experiência de falar aos bispos das grandes cidades foi muito interessante, pois “as situações que enfrentamos em São Paulo imagino que são parecidas as que enfrentam em suas dioceses”. Padre Júlio falou aos bispos sobre a necessidade de um censo nacional sobre a população em situação de rua, que seja feito pelo IBGE, para que se saiba o número real de pessoas que estão nas ruas dos municípios, a fim de direcionar políticas públicas específicas. “Por meio do interesse desses bispos, podemos ter o resgate da condição humana e não ficar sempre no ‘penduricalho’, mas ter um resgate humano dessa pessoa”, afirmou. A conversa com os bispos, de acordo com Padre Júlio, mostrou a necessidade de uma articulação melhor de todo o trabalho realizado pela Igreja para a população em situação de rua. Para o Padre, é preciso entender que “elas [pessoas nas ruas] não são as causas, são os efeitos, e a Igreja tem que ir ao encontro das causas também e não só dos efeitos”.

Igreja nos jogos Rio 2016

O arcebispo do Rio de Janeiro, Cardeal Orani Tempesta, falou ao O SÃO PAULO sobre a preparação para a Olímpiada e os trabalhos sociais e de evangelização que

serão feitos durante o megaevento. “[Temos] a preocupação com a capelania na vila olímpica, proporcionando culto nas diversas religiões aos atletas que virão e irão participar, além das igrejas em várias línguas, vários aconselhamentos para acolher as pessoas e realização de panfletagem nos locais de disputa esportiva”. “Abrimos os 100 Dias de Paz, que é tradição da trégua olímpica, com essa proposta de fazer com que os Jogos Olímpicos nos façam pensar que se é possível que nações antagônicas e até contrárias umas às outras politicamente estejam juntas no mesmo refeitório, no mesmo lugar de hospedagem e no mesmo campo de disputa, sem briga, mas apenas vivendo o esporte, é possível também trabalharmos juntos buscando a paz”, afirmou.

Congresso Eucarístico Nacional

O arcebispo de Belém do Pará, Dom Alberto Taveira Corrêa, falou dos preparativos para a realização do Congresso Eucarístico Nacional, que acontecerá em agosto. “Está sendo preparado desde 2010. Pensamos na escolha do tema ‘Eucaristia e partilha na Amazônia missionária’, porque quem vê de fora pensa na Amazônia ‘missionada’, sempre recebendo e recebendo, mas quando vivemos na Amazônia, vemos o quanto a região tem a oferecer ao País e à Igreja, tanto que o lema foi dos discípulos de Emaús, ‘eles o reconheceram no partir do pão’. Na partilha, a Amazônia faz essa experiência missionária, o que é muito importante para nós e para o Brasil todo”, afirmou o Arcebispo, destacando que Belém começou, há 400 anos, a evangelização da região amazônica. Dom Alberto contou, com alegria, que há 15 dias foi aprovada a Faculdade Católica de Belém, “um passo para a primeira Universidade Católica da Amazônia. Ainda não somos uma universidade, pois temos que caminhar pouco a pouco, mas o sonho é esse e os passos serão dados nessa direção”.

Bispos participantes: Dom Alberto Taveira (Belém); Dom João Justino (Belo Horizonte); Dom Sérgio da Rocha (Brasília); Dom Airton dos Santos (Campinas); Dom Luiz Antônio Guedes (Campo Limpo); Dom José Antônio Peruzzo (Curitiba); Dom Tarcísio Nascentes (Duque de Caxias); Dom Wilson Tadeu (Florianópolis); Dom José Antônio Aparecido (Fortaleza); Dom Washington Cruz (Goiânia); Dom Edmilson Caetano (Guarulhos); Dom Antônio Saburido (Olinda e Recife); Dom João Bosco (Osasco); Dom Jaime Spengler (Porto Alegre); Dom Moacir Silva (Ribeirão Preto);  Cardeal Orani Tempesta, Dom Roque Costa Souza e Dom Antônio Augusto (Rio de Janeiro); Dom Gilson Andrade da Silva (Salvador); Dom José Negri (Santo Amaro); Dom Pedro Carlos Cipolini (Santo André); Dom Tarcísio Scaramussa (Santos), Dom Manuel Parrado Carral (São Miguel Paulista); Dom Luiz Mancilha (Vitória); e Cardeal Odilo Pedro Scherer, Dom Luiz Carlos Dias, Dom Sergio Borges, Dom Devair Araújo e Dom Eduardo Vieira (São Paulo).

Com informações e foto do jornal “O São Paulo”

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