Com a palavra o Presidente

Assembleia da Congregação para o Clero

 

 

Nos dias 1 a 3 de outubro participei da assembleia plenária da Congregação para o Clero, no Vaticano, sob a coordenação do cardeal Beniamino Stella, prefeito da Congregação. Participaram cerca de 20 cardeais e bispos do mundo inteiro, refletindo sobre assuntos da competência desse Dicastério.

Primeiro tema da pauta foi a revisão da “Ratio fundamentalis”, uma espécie de Diretrizes para a formação sacerdotal nos seminários. De fato, agora é a Congregação para o Clero que ficou encarregada de seguir a formação sacerdotal, inicial e permanente; até 2012, era a Congregação para a Educação Católica. As discussões sobre o projeto da nova Ratio fundamentalis referiram-se ao tipo de sacerdote que a Igreja deseja formar, à pastoral das vocações, aos estudos básicos que os candidatos ao sacerdócio devem fazer, à organização dos seminários e aos vários aspectos da formação sacerdotal.

O projeto da nova Ratio, que será submetido às Conferências Episcopais de todo o mundo, deverá assimilar as mais recentes orientações do Magistério da Igreja para uma boa formação sacerdotal em nossos dias; mas também os oportunos ensinamentos das ciências humanas, como a psicologia.

Outro tema tratado foi o Diaconato permanente; foram apresentados os resultados de uma pesquisa sobre a prática do Diaconato permanente em todo o mundo, desde o Concílio Vaticano II, quando ele foi restaurado novamente na Igreja Católica de rito latino. O levantamento mostrou que as experiências são bastante semelhantes quanto à formação e à missão confiada aos Diáconos permanentes; mas é uma realidade eclesial mais presente na Europa e na América; bem menor é a sua expressão na Ásia e na África.

Também neste caso, está em curso a revisão do Diretório para o Diaconato permanente, da Santa Sé, cujo novo esboço será submetido às Conferências Episcopais em breve. Depois de 50 anos, desde a sua restauração na nossa Igreja, muitas novas reflexões e experiências poderão ser agora integradas nas orientações para a formação dos Diáconos e o exercício do seu ministério.

Tema, que também é da competência da Congregação para o Clero, e tratado na assembleia plenária, é o acompanhamento das questões patrimoniais e administrativas das dioceses e de outras estruturas da vida eclesial. Embora as dioceses tenham sua autonomia administrativa, seus bens são “bens da Igreja” e a Santa Sé oferece normas canônicas para a devida gestão desses bens, quer para a sua administração ordinária, quer para a sua eventual alienação.

De fato, novas situações surgidas com a anexação de paróquias ou até a sua supressão, bem como o fechamento de igrejas e sua eventual alienação em algumas regiões do mundo, requerem hoje novas normas da Igreja. Os bens destinados ao sustento da Igreja e ao desenvolvimento de sua missão deverão, normalmente, continuar destinados a essas mesmas finalidades, não podendo ser desviados de legítima razão de sua existência.

Também se tratou da vida dos presbíteros, sobretudo de iniciativas voltadas a suscitar a fraternidade sacerdotal. Muitas experiências positivas, nesse sentido, já existem por toda parte, desde aquelas que são organizadas localmente pelas dioceses, quer as linhas de espiritualidade e mística sacerdotal ligadas a Movimentos e Fraternidades sacerdotais de caráter mais universal.

A Congregação para o Clero, na comemoração dos 50 anos do Decreto Presbyterorum Ordinis, do Concílio Vaticano II, e seguindo as orientações do papa Francisco, está empenhada em dar um novo impulso à pastoral das vocações, à vida e ao ministério dos presbíteros.

Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo de São Paulo e Presidente do Regional Sul 1 da CNBB

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