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Amor caracteriza os cristãos

O Papa Francisco, dando continuidade a uma ação iniciada pelo papa São João Paulo II, reuniu famílias num encontro mundial, que ocorreu em Roma, no domingo, 26 de junho, e que se realizou, simultaneamente, de diferentes maneiras, nas dioceses pelo mundo. O tema proposto foi: “O amor em família – vocação e caminho de santidade”. É isso que, agora, dirigindo-me especialmente às famílias, proponho à reflexão. O apóstolo São João diz que Deus é amor e quem ama conhece a Deus e permanece em Deus (1Jo.4,7.12). Nós permanecemos unidos a Deus à medida em que vivemos o amor. Jesus pede que nós, seus discípulos, nos distingamos pela vivência do amor: “nisto conhecerão que sois meus dicípulos, se vos amardes uns aos outros” (Jo.13,35). A vivência do amor nos distingue como cristãos e faz com que Deus seja sempre lembrado no cotidiano da vida, em meio às nossas atividades diárias, nosso trabalho, nossos relacionamentos, nossa família. Entre os cristãos, o amor que une um homem e uma mulher é sinal do amor de Cristo por sua Igreja (cf. Ef.5,32). Assim, o amor selado pelo Matrimônio se constitui como sacramento, isto é, como um sinal do amor de Cristo por nós. O amor humano é sinal do amor de Deus. Pela vivência do amor, podemos conhecer e sentir a proximidade e o amor de Deus por nós.

Chamados ao amor

Deus se fez próximo a nós porque nos ama. O amor conduz ao encontro, à comunhão. Em Jesus Cristo, Deus veio ao nosso encontro e estabeleceu comunhão conosco. Por sermos amados, somos também chamados ao amor, pois todo amor espera um amor de correspondência. Todos nós somos, sem exceção, amados por Deus e chamados ao amor. Do amor nós nascemos e ao amor nós somos destinados. De alguma maneira, nós experimentamos o amor pelo cuidado que nos foi dedicado e que nos possibilitou sobreviver, nos alimentar, crescer, nos desenvolver como pessoa. Isso experimentamos, especialmente, na família. Não existem famílias perfeitas e, muitas pessoas nem desfrutaram do aconchego de uma família; porém, só o fato de existirmos e nos desenvolvermos já revela que fomos alvos da atenção e, por que não dizer, do amor de alguém. O amor recebido nos provoca a uma atitude de amor e nos capacita a amar. A família é o ambiente propício para aprendermos a amar. No relacionamento familiar nós somos treinados a superar o egoísmo, que nos faz pensar só em nós mesmos e em nossos interesses, e a nos voltarmos para os outros. No relacionamento familiar, em todas as fases da vida, desde a mais tenra infância à velhice, nós vemos muitos exemplos de como o amor se faz dedicação e empenho pela felicidade dos outros. O amor assim vivido nos provoca, nos chama e nos capacita a vivermos atitudes semelhantes. O amor encerra um paradoxo: quanto mais pensamos e nos dedicamos aos outros e menos em nós, mais felizes seremos. Esta é a dinâmica do amor e é isso que torna nossa vida feliz.

Amor caminho de santidade

Deixar de viver para nós mesmos e viver em doação de amor é um aprendizado processual que deve amadurecer e se intensificar a cada dia. Amar é ter em vista sempre o bem e a felicidade dos outros; é não viver para si, mas ter a atenção voltada para a pessoa amada. Um tal altruísmo, não se consegue da noite para o dia, mas sim, aos poucos, por pequenos gestos de doação que se repetem até se tornarem sempre mais consistentes e significativos. Só o amor nos capacita à doação e a viver pelos outros. Aquilo que o dinheiro não pode comprar, o amor oferece na gratuidade de atitudes diárias e de vida doada. Isso podemos identificar nas atitudes de pais que se desdobram pelos filhos, como também de filhos que cuidam com desvelo de seus pais idosos ou doentes. Quem se exercita em viver o amor na dedicação pelos outros está a seguir o exemplo de Jesus e atende ao que Ele nos ensinou como maior mandamento; está a se conduzir pelo Espírito de Deus e a fazer um caminho da santificação. Tudo o que fizermos pelo bem dos
outros é ao Senhor que fazemos (cf. Mt.25). Por esse meio, nos unimos a Deus e lhe demonstramos nosso amor. Eis aqui o caminho de santidade que se verifica na vida de quem se empenha em viver o amor. Assim, podemos dizer que o amor é nossa vocação e, ao mesmo tempo, caminho de santidade. O amor é o sentido mais profundo de nossa vida. Saúdo e rezo por todas as famílias que, em meio a tantos desafios e dificuldades, se empenham em viver o amor. Que o amor se intensifique e se aperfeiçoe a cada dia em nossas famílias. Deus abençoe sua família e todas as que se dispõem a trilhar esse caminho.

Dom Wilson Angotti

Bispo Diocesano de Taubaté