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Irmãos e Irmãs!

Com o Advento, começamos um novo Ano Litúrgico. Mais que sucessão dos dias – ano cronológico, é um ano de Deus, ou seja, um ano não restrito à temporalidade, mas um sinal vivo da eternidade, uma aliança que carrega a sua presença de forma velada, porém real, e com a esperança de que o amor de Cristo nos impulsiona, enche nossos corações de alegria e nos envia pelas estradas do mundo a evangelizar.

O evangelista do ano que temos a graça de iniciar é Lucas, que identifica Jesus desde a Galileia até Jerusalém, reunindo homens e mulheres, tornando-os discípulos e discípulas que com ele vão percorrendo o caminho comprometendo-se com uma nova história. Um evangelista que salienta a misericórdia de Jesus com os pecadores, com os que se arrependem, renunciam a si mesmos e, decididos se desfazem de tudo para segui-lo. Evangelista da ternura para com os humildes e os pobres, enquanto os orgulhosos e os ricos aproveitadores são severamente tratados, que ressalta a necessidade da oração com o exemplo dado por ele mesmo, que valoriza as mulheres,o diálogo amoroso com o Pai, a fidelidade ao Espírito, a palavra e o pão partilhados, enfim, a alegria e o serviço.

Com a mística própria do Advento, somos chamados à revisão e à busca do que realmente conta. Vivendo ainda os impactos da pandemia do coronavírus, almejamos uma nova era, denominada de “novo normal”, o que esperamos não represente uma volta ao que éramos antes, mas melhores, livres do egoísmo, da indiferença e da mesquinhez. Nós, que fomos postos à prova e experimentamos o medo, o sofrimento e a morte de muitos entes queridos e de tantos irmãos e irmãs, somos agora conclamados a olhar para o futuro, que queremos seja mais humano, fraterno e solidário. Não podemos mais ser os mesmos.

Cristo, que vive entre nós, é sempre o ponto de partida. Com ele somos convidados a recomeçar, não apenas nós, cristãos, mas toda a humanidade e a criação inteira, em clima de Advento, de ansiosa espera. Aguardamos a manifestação cada vez mais visível do Reino de Deus em que “justiça e paz se abracem”, todos os povos e culturas desabrochem felizes e reconciliados e toda “a terra se abra ao amor”.

Em comunhão com o Papa Francisco e com toda a Igreja na vivência da sinodalidade – no caminhar juntos, na escuta do Espírito e no discernir os sinais dos tempos, voltemos nosso olhar a Virgem do Advento. Ela nos guie para o Deus que veio, que vem e que virá. Com ela aprendamos a manter viva nossa esperança.

Dom Sérgio Aparecido Colombo, Bispo Diocesano de Bragança Paulista