Com a palavra o Presidente

A Igreja e a Família

Desde os tempos da revolução industrial, marcadamente o século XIX, o mundo tem experimentado rápidas e profundas mudanças. À medida em que avançam a técnica e a ciência, as distâncias são encurtadas, os meios de acesso à educação e à cultura tornam-se mais acessíveis e o progresso material dos povos se torna mais patente. Tudo isso é positivo.

Esse progresso material, técnico e científico, contudo, deveria se reverter em benefício para a família e a preservação de seus valores naturais, no respeito aos direitos e à dignidade dos pobres e no progresso cultural, humano e espiritual do ser humano.

O século XX foi marcado por conflitos sangrentos e guerras de proporções mundiais. E, no meio deste turbilhão, encontra-se a família cristã. Se, por um lado, a instituição familiar e o seu pilar, o matrimônio, são células primordiais e indispensáveis da humanidade e fundamento do tecido social de todas as culturas, por outro lado, são vítimas, nesse contexto, de grandes e orquestrados ataques, por exemplo a legalização do divórcio, a prática do aborto, dentre outros motivos morais, culturais e sociais, que se concretizam numa permanente campanha de desvalorização da família e desagregação familiar.

O Magistério da Igreja sempre priorizou a defesa do caráter natural, sólido e perene da Família. Em 1980, no Vaticano, a V Assembleia Geral do Sínodo dos Bispos, por solicitude de São João Paulo II, refletiu sobre “missão da família cristã no mundo contemporâneo”. Como resultado, o mesmo Pontífice publicou a Exortação Apostólica Familiaris Consortio (22.11.1981), concluindo que o futuro da humanidade passa pela família.

Cem anos antes (10.02.1880), o Papa Leão XIII, publicou a Encíclica Arcanum Divinae, abordando questões de seu tempo sobre o matrimônio e a família. O Papa Pio XI, ao final de 1930, publicou a Encíclica Casti Connubii, sobre o matrimônio cristão, na qual enfatiza o caráter livre da união matrimonial e a sua ordenação a uma estreita colaboração com Deus na ordem da criação. Do Papa Pio XII, temos incontáveis discursos e alocuções dirigidas aos esposos recém-casados que peregrinavam a Roma para receber a bênção do Santo Padre. Muitos desses discursos foram compilados recentemente em na obra “Matrimônio e Família: Alocuções de Pio XII”.

O Concílio Vaticano II, no Decreto Apostolicam Actuositatem (1965), chama os esposos cristãos de “cooperadores da graça e testemunhas da fé um para com o outro, para com os filhos e demais familiares” (n. 11). Para o Concílio, o entendimento da Igreja, apoiado nas Escrituras e na Tradição, é o de que a missão da família vem de Deus, para ser “célula vital da sociedade” e “santuário doméstico da Igreja”.

Entre as várias formas de exercer o apostolado familiar, o Decreto conciliar enumera: a adoção de crianças abandonadas, o acolhimento benevolente aos estrangeiros, o auxílio aos adolescentes através de conselhos e meios materiais, a devida preparação dos noivos para o Sacramento do Matrimônio, o ensino da catequese em família, ajuda aos anciãos e, naturalmente, auxílio aos esposos e famílias em dificuldade material ou em crise moral (Idem).

Dom Pedro Luiz Stringhini, Bispo de Mogi das Cruzes e Presidente do Regional Sul 1 da CNBB

Mogi das Cruzes, 23 de novembro de 2019

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