Em sua Mensagem para o Dia Mundial do Migrante e do Refugiado do ano passado, o Papa Francisco sintetiza as linhas de ação a favor dos migrantes com quatro verbos: acolher, proteger, promover e integrar.
Nesse espírito, acompanhados pelo secretário executivo da Cáritas Brasileira Regional São Paulo, Antonio Evangelista, uma equipe do Regional Sul 1 da CNBB visitou as instalações de acolhimento a venezuelanos acolhidos pelo programa para migrantes e refugiados, “PANA”. A casa de acolhimento, subsidiada por aluguel social, fica na Zona Leste e atualmente é o lar de 100 venezuelanos e venezuelanas.
Durante a visita, puderam conhecer o trabalho humanitário, desde a distribuição de alimento até o atendimento psicossocial, além de conversar com grande parte deles sobre as suas necessidades.
Antonio Evangelista destaca que os primeiros atendimentos a situações mais emergenciais já estão sendo feitos. De acordo com Antonio Evangelista, todos os venezuelanos têm documentação, como CPF e carteira de trabalho. Os agentes comunitários de saúde têm visitado e acompanhado as famílias. A maioria das crianças em idade escolar já foram encaminhadas. A maioria não está trabalhando. É comum que tenham de recorrer a subempregos – poucos conseguem carteira assinada.
Segundo o coordenador, outro problema está na dificuldade de comunicação, por não entenderem a língua. Para ajudar nisto, a Cáritas também vai começar a oferecer aulas de português. Muitos também relatam problemas emocionais. O refugiado já chega com a dignidade afetada e, por isso, é altamente vulnerável, afirma o coordenador.

No entanto, segundo ele, a Cáritas tem cumprido a sua missão na promoção e atuação social junto aos excluídos, na defesa dos seus direitos.
Dentre os que foram acolhidos está Frank Moisés Tuare Aparício, de 24 anos. Ele viveu dois meses nas ruas de Pacaraima (RR). Em Roraima recebeu ajuda humanitária para chegar no Brasil. Ele diz que não esperava que a situação da Venezuela chegaria a este ponto. Tive que deixar para trás meus pais e meus irmãos.
Agora, ele e a esposa moram no alojamento com dois filhos. “Ainda não há trabalho, não há dinheiro, mas espero conseguir uma oportunidade de emprego e apesar disso, a vida aqui está melhor que na Venezuela”.
Entre os profissionais que estão ajudando os refugiados com atendimento psicossocial e de primeiras necessidades, como alimentação, entregas de roupas, medicação, ambientação na cidade nos serviços sociais e outros, está a psicóloga Juliane Oliveira Santos.

Ela explica que o seu trabalho dentro desta da equipe é psicossocial e todos trabalham com foco no acolhimento, integração, promoção e proteção dos direitos dos migrantes, “assim meu trabalho específico não é clínico, mas tem o acolhimento da situação emocional que cada um traz por se tratar de uma caminhada de muitas perdas e sofrimento. Eu, juntamente com uma assistente social e uma educadora, trabalhamos juntas as questões emocionais e sociais. O trabalho é árduo, principalmente por serem muitas famílias para uma equipe reduzida, mas muito gratificante e eles nos ajudam bastante; é uma troca para todos nós”, disse a psicóloga.
Assista a reportagem completa que foi ao ar, no JCTV, da Rede Vida de Televisão


