Por Tomé Ferreira da Silva, Bispo de São José do Rio Preto.
Iniciamos a contagem regressiva para a celebração litúrgica do Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo, nosso Divino Salvador. Começa o tempo do advento, ocasião oportuna para responder positivamente ao chamado à conversão que Deus continuamente nos dirige.
Nas primeiras semanas do advento, as orações litúrgicas e os textos bíblicos usados nas celebrações da Santa Missa direcionam nosso coração para a manifestação gloriosa de Nosso Senhor Jesus Cristo no fim do mundo. Em um primeiro momento pode soar estranha esta associação, na liturgia, entre o nascimento e a parusia.
A esperança da manifestação gloriosa de Nosso Senhor Jesus Cristo emoldura a preparação na fé da memória litúrgica do seu nascimento empobrecido em Belém. Começo e fim, silêncio e trombetas, simplicidade e glória, noite e dia, …, realidades tão diferentes e tão próximas que suscitam em nós o amor a Deus e ao próximo como necessidade interior.
“Creio em Jesus Cristo que está sentado à direita do Pai, de onde há de vir para julgar os vivos e os mortos.” Esperamos e desejamos este dia, atitudes que se transformam em oração verbalizada em cada missa que participamos: “anunciamos a vossa morte e ressurreição enquanto aguardamos vossa vinda gloriosa”, rezamos após a consagração, respondendo à proclamação do padre ao nos apresentar o Corpo e Sangue do Divino Salvador.
Nosso mundo e história são tão bons e belos que não gostamos de pensar, imaginar, rezar e aspirar a vinda gloriosa de Nosso Senhor Jesus Cristo. Tais encantos nos seduzem e suscitam o desejo de permanecer aqui para sempre. O risco é o da distração e consequente esquecimento de que a realidade será transfigurada na parusia.
O enlevo diante do aqui e agora, a eliminação da realidade futura transcendente, nos impossibilita de viver a vigilância na expectativa da manifestação iminente de Nosso Senhor Jesus Cristo. A supressão da vigilância leva ao esquecimento ou menosprezo da conversão, da mudança de vida.
Ele, Nosso Senhor Jesus Cristo, está para vir, a qualquer dia, em hora que não sabemos! Aguardamos este dia e o desejamos! Enquanto Ele não vem, o esperamos na fé, esperança e caridade. Manifestamos esta vigilância ativa na busca sincera da conversão, mudando continuamente nossa vida, procurando conformá-la à vida de nosso Rei e Senhor.
A conversão é necessária, somos pecadores, todos, chamados à perfeição da vida cristã: “Sede santos como vosso Pai celeste é santo”(Mt 5,48). Ninguém pode atirar a primeira pedra! A bondade do mundo, história e sociedade está vinculada ao nosso modo de vida. É a bondade de Deus que por nosso intermédio impregna a realidade.
A raiz da maldade que experimentamos: a violência, corrupção, instrumentalização e coisificação das pessoas, a distorção da realidade, mentira, tem no nosso coração a sua origem e dele se propaga. A cultura do mal não é só fruto da ação dos maus, mas conseqüência da omissão dos bons.
Vivamos bem o advento através da mudança de vida. Busquemos o precioso auxílio do sacramento da confissão, que perdoa os pecados e nos confere graça para sermos melhores. Procure o sacerdote na Igreja mais próxima de sua casa, ou naquela que freqüenta, ou ainda onde desejar, manifeste-lhe o desejo de receber o sacramento da reconciliação.
Nossas paróquias ofereçam durante o advento vários e diversificados horários para o atendimento da confissão dos fiéis, também daqueles que habitam nos distritos e comunidades rurais. Na organização destes horários, pensemos nos que trabalham e ou estudam durante todo o dia e em todos os dias da semana.
Caro leitor, santo advento para você! Que Nosso Senhor Jesus Cristo, glorificado pela cruz e ressurreição, não o encontre desprevenido.


