A Igreja Católica, desde sempre, afirma com clareza e firmeza a dignidade inviolável da vida humana, desde a concepção até o seu fim natural. À luz da fé, essa dignidade se fundamenta no fato de que cada pessoa é criada à imagem e semelhança de Deus, como ensinam a Constituição Gaudium et Spes (n. 41) e o Catecismo da Igreja Católica (n. 355). Por isso, a vida e a dignidade humana não apenas são valores fundamentais da sociedade, mas também constituem o núcleo dos direitos humanos.
Como mãe e mestra, a Igreja tem a missão de proteger a vida e a dignidade humana, formando a consciência das pessoas segundo valores que são fundamentais, inalienáveis e irrenunciáveis. Ao iluminar a consciência moral, a Igreja recorda que o juízo sobre o valor de nossas ações não pode ser reduzido a modismos culturais ou condicionamentos psicológicos.
Diante dos avanços científicos e tecnológicos, muitas vezes acompanhados de uma mentalidade utilitarista, a Igreja se empenha em ajudar os homens e mulheres de hoje a discernirem, com clareza, os desafios éticos ligados à vida que, por vezes, é menosprezada.
Nesse caminho, é impossível não recordar São João Paulo II. Ele será sempre lembrado como o Papa que lutou para que o progresso técnico-científico nunca obscurecesse o respeito à dignidade da pessoa humana.
Em seus ensinamentos, insistiu que defender a vida e a dignidade da pessoa exige reconhecer que cada ser humano deve ser amado e respeitado como um fim em si mesmo, jamais como um simples meio (Veritatis Splendor, 1993, n. 48).
O ponto culminante de sua reflexão está na encíclica Evangelium Vitae (1995, n. 5), em que diz: “Respeita, defende, ama e serve a vida, cada vida humana! Só por este caminho encontrarás justiça, progresso, verdadeira liberdade, paz e felicidade!”.
Reafirmando estes ensinamentos, o documento Dignitas Infinita, de 2024, do Papa Francisco, aprofunda o conceito de dignidade humana e denuncia as graves violações contemporâneas. E o documento pastoral A Vida é Sempre um Bem, de 2025, fala da urgência em formar as consciências no respeito à vida humana com clareza, diante de uma sociedade que perdeu, em muitos sentidos, a capacidade de distinguir bem e mal.
Assim, a Igreja continua a anunciar ao mundo que a defesa da vida e da dignidade humana não é apenas uma tarefa, mas uma vocação permanente confiada a todos nós.
Dom Marcelo Antonio da Silva
Bispo auxiliar da Diocese de Santo Amaro


