A Campanha da Fraternidade é, há décadas, uma das expressões mais significativas do compromisso da Igreja com a realidade social do Brasil. Nascida no contexto da evangelização e da promoção humana, a campanha convida a sociedade a refletir, durante a Quaresma, sobre temas que afetam diretamente a vida do povo e a buscar caminhos concretos de transformação.

Em 2026, o tema “Fraternidade e Moradia” recoloca no centro do debate a dignidade de milhões de brasileiros que ainda não têm acesso a uma casa digna. A proposta da campanha é despertar a consciência social e reforçar que a moradia é um direito humano fundamental e uma expressão concreta da fé cristã vivida no compromisso com os mais vulneráveis.

Nesse sentido, a reflexão apresentada em reportagens recentes lembra que garantir moradia digna exige também mudanças estruturais nas cidades e nas políticas públicas, para que elas deixem de produzir exclusões e passem a assegurar o direito de todos à cidade.


A importância de ocupar os espaços públicos

A Campanha da Fraternidade não se limita aos templos ou às atividades internas da Igreja. Sua vocação é dialogar com a sociedade e colaborar com a construção do bem comum. Desde sua origem, a campanha busca promover consciência social e incentivar a participação de toda a sociedade na solução de problemas concretos do país.

Por isso, quando a Igreja ocupa os espaços públicos — como assembleias legislativas, câmaras municipais e fóruns sociais — ela está exercendo uma dimensão essencial da missão cristã: promover o diálogo, a justiça e a dignidade humana. Trata-se de uma presença que não pretende impor, mas contribuir, oferecendo valores, reflexão ética e escuta das realidades do povo.


Um momento significativo na Alesp

Foi nesse espírito que aconteceu, no último dia 26, o evento da Campanha da Fraternidade na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo. O encontro reuniu representantes da Igreja, gestores públicos e membros de movimentos populares em um ambiente de diálogo e construção conjunta.

Mais do que um ato institucional, o evento manifestou algo muito importante para o Regional Sul-1: a possibilidade de aproximar fé e responsabilidade social, Igreja e sociedade, reflexão espiritual e compromisso com políticas públicas que promovam dignidade.

O diálogo estabelecido naquele espaço mostrou que a Campanha da Fraternidade continua sendo uma ponte entre diferentes setores da sociedade. Quando Igreja, poder público e movimentos sociais se sentam à mesma mesa, abre-se um caminho de esperança para enfrentar desafios concretos, como a questão da moradia e o planejamento das cidades.


A força das imagens e da memória pastoral

Outro elemento que merece destaque foram as fotografias publicadas e organizadas pela Pascom do Regional. As imagens registram mais do que um evento: elas guardam a memória de um momento histórico para o Regional Sul-1.

Ao contemplar essas fotos, percebe-se a diversidade de vozes presentes, os gestos de escuta e a disposição para construir juntos. São registros que ajudam a compreender que a Campanha da Fraternidade não é apenas uma proposta de reflexão, mas também um movimento vivo que ocupa espaços, gera encontros e inspira ações concretas.

Essas imagens se tornam, portanto, um testemunho do caminho sinodal que a Igreja deseja viver: caminhar com a sociedade, dialogar com as instituições e colocar o Evangelho em diálogo com os desafios reais do nosso tempo.


Um caminho que continua

A presença da Campanha da Fraternidade em espaços públicos, como ocorreu na Alesp, revela algo essencial: a missão da Igreja não se limita ao anúncio espiritual, mas inclui a promoção da dignidade humana e do bem comum.

Quando a Igreja participa do debate público, abre caminhos para que temas fundamentais — como o direito à moradia — sejam vistos não apenas como questões técnicas, mas como desafios éticos e humanos que dizem respeito a toda a sociedade.

O que se viveu naquele encontro é sinal de que o Regional Sul-1 está atento aos sinais do tempo e disposto a colaborar na construção de cidades mais justas, fraternas e solidárias. E a Campanha da Fraternidade continua sendo um instrumento privilegiado para isso: um convite permanente ao diálogo, à responsabilidade social e à esperança.


Pe. Luis Fernando da Silva
Secretário Executivo – Regional Sul 1 da CNBB

Fotos por: Equipe da Pascom do Regional Sul-1 da CNBB