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Testemunhas da misericórdia na Cidade

No dia 7 de novembro foi realizada a assembleia de pastoral da arquidiocese de São Paulo, etapa final de um processo de avaliação e de reflexões para a concretização do Plano de Pastoral arquidiocesano em 2016. Será um ano cheio! Temos pela frente o Ano Santo extraordinário da Misericórdia, o Congresso Eucarístico Nacional de Belém, Jornada Mundial da Juventude da Polônia, a preparação do tricentenário de Nossa Senhora Aparecida. Sem esquecer que o ordinário da vida continua a nos envolver.

Tudo isso, precisa ser inserido no Plano de Pastoral da Arquidiocese de São Paulo, que tem por objetivo grande – “ser testemunhas de Jesus Cristo na Cidade de São Paulo”. Continuaremos no esforço para ser uma “Igreja em saída” e “em estado permanente de missão”. Em 2016, daremos especial atenção à parte do Catecismo da Igreja Católica que trata da “fé que praticamos”, através da observância dos Mandamentos e da vida moral. A fé consequente se traduz nas obras da fé e na vida moral coerente.

Vivendo o cinquentenário do Concílio Vaticano II, daremos enfoque especial à constituição dogmática Dei Verbum, sobre a Revelação Divina e a Palavra de Deus; nossa Igreja precisa ser, mais e melhor, uma casa iluminada pela Palavra de Deus. Por isso, prossegue o esforço na difusão do método da leitura orante da Bíblia.

Acolhendo a mensagem do Sínodo sobre a família, procuraremos fazer de nossas casas e famílias esses lugares da acolhida da Palavra de Deus e da vivência coerente da fé e da moral cristã. Ficamos à espera da palavra do Papa Francisco sobre a família e o casamento, após a realização do Sínodo; desde logo, porém, já é certo que precisamos voltar-se com urgência e maior atenção para a família, para estabelecer uma renovada interação com ela. A vivência e a transmissão da fé católica passam pela família; o futuro da humanidade e da Igreja passa pela família.

Nosso planejamento pastoral para 2016 ficou enriquecido com a proclamação do Ano Santo extraordinário da Misericórdia, pelo Papa Francisco. Os grandes propósitos do Jubileu extraordinário da Misericórdia serão assimilados na programação da evangelização ao longo de todo este ano Santo, que será aberto no próximo dia 8 de dezembro para toda a Igreja. A experiência da misericórdia de Deus é parte essencial da afirmação da fé e da vida cristã, como o Papa Francisco ensina na Bula de proclamação do Jubileu, Misericordiae Vultus.

A acolhida sincera e humilde da misericórdia divina, através do anúncio da Palavra de Deus e também no Sacramento do Perdão, precisa tornar-se novamente parte clara da vida cristã: sem a vivência da misericórdia, estaríamos longe da salvação e do agir de Deus: “sede misericordiosos, como vosso Pai celeste é misericordioso” (Lc 6,36). A acolhida e a prática da misericórdia purificarão e fortalecerão nossa fé e preservarão nossa religiosidade das tentações da soberba religiosa e da aridez espiritual.

A Bula do Papa Francisco – Misericordiae Vultus (O Rosto da Misericórdia de Deus é Jesus…) pode ser encontrada na Internet e também nas livrarias; ela deverá ser o texto de referência para a celebração do Jubileu da Misericórdia. Na minha carta pastoral – “Misericordiosos como o Pai” -, já disponível nas paróquias, ofereço orientações para a celebração do Ano Santo extraordinário da Misericórdia em toda a nossa Arquidiocese.

A Igreja é obra da misericórdia divina; ela também deve ser, em toda parte, testemunha concreta da misericórdia acolhida e praticada. “Ser testemunhas de Jesus Cristo na cidade de São Paulo”, como nos propomos em nosso Plano de Pastoral, aponta necessariamente para isso: ser testemunhas e servidores da misericórdia de Deus.

Publicado no jornal O SÃO PAULO, edição 3077 – 11 a 17 de novembro de 2015

Cardeal Dom Odilo Pedro Scherer, Arcebispo de São Paulo

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