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Prestes a se aposentar, Dom Fernando Mason, bispo de Piracicaba, relembra sua trajetória na Igreja

Em 21 de janeiro de 2020, o bispo diocesano de Piracicaba, Dom Fernando Mason completou 75 anos de idade e, de acordo com Código de Direito Canônico (Côn. 401 e 402), “roga-se que apresente a renúncia do ofício ao Sumo Pontífice”, o qual tomará as providências depois de avaliadas as circunstâncias”.

Dom Fernando está à frente da Diocese de Piracicaba desde 24 de julho de 2005, quando tomou posse como o quinto bispo diocesano. Nesses 14 anos à frente da diocese, Dom Fernando vem atuando, com afinco, como pastor do povo de Deus e também administrador da Igreja.

Reproduzimos abaixo a entrevista concedida ao Em Foco, jornal diocesano de Piracicaba,  pelo bispo diocesano, Dom Fernando Mason, por ocasião das celebrações pelos 75 anos de criação e instalação da Diocese de Piracicaba.

Nesta entrevista, o bispo fala sobre sua trajetória na Igreja Particular de Piracicaba e agradece a dedicação do clero, religiosos(as) e leigos(as) à Igreja e ao Evangelho de Jesus Cristo.

“Devemos ser agradecidos à fonte de todo o bem: Deus”

 Em 21 de janeiro de 2020, o bispo diocesano de Piracicaba, Dom Fernando Mason completou 75 anos de idade e, de acordo com Código de Direito Canônico (Côn. 401 e 402), “roga-se que apresente a renúncia do ofício ao Sumo Pontífice”, o qual tomará as providências depois de avaliadas as circunstâncias”.

Dom Fernando está à frente da Diocese de Piracicaba desde 24 de julho de 2005, quando tomou posse como o quinto bispo diocesano. Nesses 14 anos à frente da diocese, Dom Fernando vem atuando, com afinco, como pastor do povo de Deus e também administrador da Igreja.

Há 14 anos o senhor chegou à Diocese de Piracicaba. O senhor se recorda como foi a recepção dos fiéis para com o seu novo pastor?

A recepção não poderia ter sido melhor. Evidentemente cheia de expectativas. A pergunta mais frequente era qual seria meu  programa de ação, como se tratasse de um político que pleiteou o cargo e inicia seu governo. Minha situação era totalmente diferente a de um político que buscou o cargo.  Antes, era necessário conhecer a história da Diocese e das possíveis iniciativas que poderiam surgir deste conhecimento e, sobretudo, conhecer as pessoas, os padres e suas histórias, para instaurar um relacionamento profícuo ao pastoreio na diocese.

Como foi iniciar o trabalho na Diocese de Piracicaba, ou seja, primeiros passos em “nova casa”?

O passo primeiro e fundamental foi ouvir as pessoas e suas histórias. Foi uma dose “cavalar” de informações, afirmações, situações, pedidos… O desafio consistia, sobretudo, em conhecer as pessoas e, evidentemente, elas conhecerem o novo bispo. Não foi fácil discernir quem era quem. Fiz também uma rápida visita inicial a todas as paróquias para ter uma ideia da dimensão da diocese, das paróquias e suas estruturas e, sobretudo, para ver o lugar de atuação dos padres, suas acomodações e suas iniciativas pastorais. Este processo foi relativamente longo, mas maturou a ideia das primeiras transferências, julgadas, por mim, necessárias. Elas não foram fáceis nem para mim, a quem cabia à decisão, nem para os interessados. Provocaram certo sofrimento para ambos os lados, mas foram úteis e oportunas. Diversos padres, tempos depois, me agradeceram.

Do início do seu episcopado até os dias atuais, no olhar do bispo, quais ações o senhor elencaria como sendo as principais realizações do seu pastoreio?

Não cabe a mim este julgamento. Penso sobre isso e faço meus julgamentos, mas prefiro deixar que outros achem e julguem. Além disso, toda realização não é do bispo, pois sozinho pode fazer bem pouca coisa ou nada. São realizações de todo o “corpo da Diocese”, no qual têm um papel determinante os presbíteros. As realizações e os fracassos também são de todos.

No território diocesano formado por 15 municípios, quais foram e continuam sendo os principais desafios para o episcopado?

O desafio maior para as paróquias atuantes nestes municípios é sermos mais e melhor do que já somos: “Igreja Una, Santa, Católica e Apostólica”, dinamizando e renovando as ações pastorais de evangelização. A chamada “conversão pastoral” é uma tarefa grande e desafiadora que nós tentamos realizar pela “Missão Permanente”, uma estruturação pastoral paroquial que torna a “Paróquia Missionária”. É a Igreja em saída, tão cara ao Papa Francisco. Infelizmente, ela não teve a compreensão e a colaboração de todos. Talvez seja esta a frustração maior que eu irei carregar, ao terminar o meu mandato episcopal nesta diocese.

A formação dos vocacionados e dos presbíteros sempre foi uma das prioridades de seu episcopado. Por quê?

Na formação dos vocacionados e seminaristas se joga o futuro da diocese e na formação permanente dos presbíteros está em jogo o “bom tom”, a competência e a habilidade deles e de seu trabalho pastoral. Por isso, foi dada uma atenção prioritária a esta área. Ao longo destes catorze anos, tivermos na animação vocacional e em nossos seminários bons formadores que, com sacrifício pessoal, se doaram e se doam incondicionalmente a esta tarefa. Deus, nosso Pai, há de recompensá-los. Por outro lado, a formação permanente do clero representa um desafio diferente e mais árduo, mas, sem dúvida, quem tinha ânimo de tirar proveito das iniciativas propostas,obteve muito ganho.

Em janeiro, o senhor completou 75 anos e pelo Código de Direito Canônico deverá pedir a renúncia. Ao deixar a pastoreio da Diocese de Piracicaba, como espera ser lembrado?

Do jeito que cada um achar melhor. Possivelmente, tendo misericórdia pelas minhas insuficiências, deficiências e pecados.

Quais conselhos o senhor daria ao seu sucessor?

Não há como aconselhar. Seja quem for, que venha, veja e possa discernir. Que possa fazer mais e melhor do que eu pude fazer. Será nosso empenho eclesial acolhê-lo de todo o nosso coração e favorecer sua inserção em nossa diocese.

Qual a mensagem do pastor para toda a Igreja Diocesana?

Celebramos recentemente nosso Jubileu de Brilhante. Somos uma Igreja que caminhou estes anos procurando fazer o bem, apesar de nossas fragilidades. Disso devemos ser agradecidos à fonte de todo o Bem: Deus.  O tempo não fica à espera, ele vem e passa. Muitos e muitos anos esperam a nossa diocese e sua ação de evangelização pelas atuações pastorais. Que fiquemos sempre atentos a nossa Raiz, Jesus Cristo, e que a partir Dela, pelo Espírito Santo, continuemos, todos, a fazer o Bem que Deus, nosso Pai, espera de nós. Obrigado!

Assista também a entrevista concedida por Dom Fernando Mason à jornalista Cristiane Sanches para o canal do YouTube “Papo com Cris”.

Agradecemos a Assessoria da Diocese de Piracicaba que gentilmente nos cedeu as entrevistas. 

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